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Cuiabá MT, Domingo, 17 de Janeiro de 2021
AMBIENTE
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021, 08h:35

PANTANAL de MT

Baia de Chacororé pode estar condenada ao desaparecimento

Professor denuncia construção de via pela Prefeitura de Barão, além da ação de pescadores na região

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Reprodução
“Mataram a Baia de Chacororé e com ela toda a biodiversidade por ela incorporada”, diz professor

Importante berçário natural de peixes, a Baia de Chacororé, localizada no coração do Pantanal mato-grossense, em Barão de Melgaço (114 km ao Sul de Cuiabá), pode estar condenada ao desparecimento.

A denúncia é do engenheiro civil e professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rubem Mauro Palma de Moura.

O Governo do Estado afirma que providências estão sendo tomadas e o Tribunal de Justiça determinou diligências necessárias para averiguar essa situação.

Em artigo intitulado “Mataram a galinha dos ovos de ouro”, Rubem Moura informa à população mato-grossense a consumação do que considera um dos maiores desastres ambientais ocorridos no bioma pantaneiro.

“Mataram a Baia de Chacororé e com ela toda a biodiversidade por ela incorporada”, afirma. A rica biodiversidade do bioma compreende diversas espécies de aves, como tuiuiús, garças e araras, além de jacarés e capivaras.

Inconformado com o descaso das autoridades públicas e dos órgãos ambientais ligados aos governos do Estado e Federal e também de organizações não governamentais (ongs), o professor entende “que todos se calaram” diante do crime ambiental.

Reprodução

Baía de Chacororé

Local é um dos principais pontos turísticos de Mato Grosso, na região do Pantanal

“Há dez anos, a corajosa e valente promotora, Dra. Julieta Nascimento e Silva, precocemente falecida vítima da Covid-19, a quem presto as minhas homenagens e meu pesar aos seus familiares, ao ser informada por mim do desastre que estava prestes a ocorrer na Baia de Chacororé, foi comigo visitar a região, onde constatou e de pleno tomou providências", disse.

Na ocasião, segundo ele, o Rio Chacororé, um braço do Rio Cuiabá, que o liga à baia de mesmo nome, estava com a sua boca fechada e diversos trechos barrados por aterros, a fim de possibilitar acesso terrestre às comunidades ribeirinhas.

Por meio de um termo de ajustamento de conduta (TAC), “três corixos foram abertos, assim como a boca do Rio Chacaroré e sua desobstrução em todo o seu leito”.

Uma década depois, o crime foi cometido novamente.

“Todos os corixos à jusante da cidade de Barão de Melgaço até a boca do Corixo Manizaque estão barrados, todas as pontes destruídas e em seu lugar aterro impedindo a passagem das primeiras águas, além de terem construído diques marginais em praticamente toda a margem esquerda do Rio Cuiabá, impedindo assim, que ao receber uma vazão maior, que acontece no período chuvoso, pudesse inundar a planície pantaneira e, por conseguinte, levar vida à Baia de Chacororé”, conta.

Os corixos têm a importante função de regular os períodos de cheia e de seca da planície pantaneira.

O professor cita ainda outros danos como pesca predatória e aumento indiscriminado de tablados para pesca, o arrombamento do enrocamento de pedras na saída da Chacororé, Corixo do Mato e a construção da estrada dique, que margeia o Rio Cuiabá”, entre Barão até o Corixo Manizaque.

Vale lembrar que a região pantaneira em Barão de Melgaço também foi drasticamente prejudicada pela intensa seca e queimada ocorridas em 2020.

O Governo do Estado garantiu que está andamento na “Chacororé” uma série de intervenções com base nos estudos técnicos realizados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) no ano passado.

Titular da Sema, a secretária Mauren Lazzaretti informou que entre as ações principais na região estão a desobstrução de canais que levam água para a baía e a reconstrução de barragens que mantêm a planície alagada.

“O que causa impacto de fato é a obstrução dos corixos que levam água, e dos barramentos que acabam sendo destruídos ou pela ação humana, ou pelo tempo. Estes barramentos devem ser sempre refeitos porque são de pedra, areia, e não podemos fazer uma barragem de concreto para preservarmos a localidade”, afirmou, por meio da assessoria.

Reprodução

Baía de Chacororé

Região é considerada uma das mais belas do Pantanal de Mato Grosso

Segundo o Governo, o relatório aponta que estes fatores exercem impacto negativo na região, e não estradas ou obras realizadas pelo Estado.

As ações começaram em novembro do ano passado com a limpeza da estrada que dá acesso à barragem, mas tiveram de ser interrompidas em razão das fortes chuvas na região. “O serviço deve ser retomado assim que as condições no local permitirem”, garantiu.

O Estado reforçou ainda que o relatório técnico tem sido utilizado como base para a execução do serviço de enrocamento (depósito de uma barreira de pedra), a fim de proteger a barragem contra efeitos erosivos causados pelos fluxos de água, consequentemente, garantir a preservação da biodiversidade no local.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA – Após a denúncia do professor Rubem Mauro Palma de Moura, a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria Helena Póvoas, e o juiz do Juizado Volante Ambiental (Juvam) de Cuiabá, Rodrigo Curvo, decidiram enviar uma equipe do Juizado e do núcleo da Polícia Militar Ambiental para averiguar a real situação da Baía de Chacororé.

O Juvam também realizará um levantamento de eventuais ações judiciais em andamento, que envolvam a baía.

“O Poder Judiciário age quando provocado. Contudo, diante da gravidade das denúncias, o Juvam agirá nos termos do seu regimento interno, determinando as diligências necessárias para averiguar essa situação”, disse Maria Helena Póvoas.


4 COMENTÁRIOS:







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Claudio Palma Dias   15-01-2021 12:50:16
Parabéns, Excelentíssima Presidente do TJMT, Dra. Maria Helena Povoas, pela oportuna e pronta ação e também ao Juvam, por mais um trabalho de excelência que certamente realizará.

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Jaerson Manoel da silva pinto  13-01-2021 22:43:03
Tenho 51 anos e desde que tenho entendimento,nunca vi uma mudança tão drástica no Rio Cuiabá e outras regiões de rios a rio abaixo doque após a construção da usina de manso,foram raras as vzs desde lá que o nósso rio Cuiabá conseguio chegar à metade da barranca com suas águas,cobri-lo então nem se fala. Vi que mtas coisas foram prejudicadas,como reprodução de peixes e alterações no sistema natural que antes tinhamos o periodo das cheias e vazante onde os ribeirinhos aproveitavam pós as enchentes pra fazerem pequenas plantações de verduras,hortaliças e até feijão,batatas,arroz e etec aproveitando o recuo das águas que deixavam o solo úmido e fértil para esse cultivo. Acabou tudo,não existem mais nada disso. Até essa gde queimada que ocorreu recente é um pouco em função da ausência desse periodo,as matas se fecharam às margens dos rios e criou uma massa seca de materiais que facilmente entram em combustão.

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José Luís  13-01-2021 22:03:04
o problema é a usina do manso que controla a cheia do rio Cuiabá. Não deixa mais o rio encher e com isso o rio não invade as margens e a baía. Com isso os peixes não se reproduzem nos campos infundados. Basta a reportagem conversar com os pantaneiros e pescadores da região para ter informações mais corretas.

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José Luís  13-01-2021 22:01:43
o problema é a usina do manso que controla a cheia do rio Cuiabá. Não deixa mais o rio encher e com isso o rio não invade as margens e a baía. Com isso os peixes não se reproduzem nos campos infundados. Basta a reportagem conversar com os pantaneiros e pescadores da região para ter informações mais corretas.

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