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Cuiabá MT, Quarta-feira, 21 de Abril de 2021
AMBIENTE
Terça-feira, 16 de Março de 2021, 09h:55

MATA NATIVA

Exploração madeireira cresce e atinge 457 mil ha de floresta em MT

289 mil hectares (63%) foram realizados de forma legal. 168 mil hectares (37%) foram explorados ilegalmente

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
Mais de 22 mil hectares das áreas exploradas ilegalmente se deram em áreas protegidas de Mato Grosso

Em Mato Grosso, a exploração madeireira atingiu 457 mil hectares de florestas nativas, entre 2018 e 2019.

Isso representa um aumento de 70%, se comparado ao biênio de 2016 e 2017, quando a área explorada foi de 268 mil hectares.

Do total, 289 mil hectares (63%) foram realizados de forma legal, ou seja, com autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Já 168 mil hectares (37%) foram explorados ilegalmente, representando uma diminuição na proporção verificada no período anterior, quando 39% da atividade foi ilícita.

Dados como estes constam no estudo "Mapeamento da ilegalidade na exploração madeireira em Mato Grosso entre 2018 e 2019", do Instituto Centro de Vida (ICV).

O levantamento tem como base o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com adaptações incorporadas pelo ICV e a Sema.

Para a análise da legalidade das explorações mapeadas, foram verificadas 829 autorizações de exploração florestal emitidas pela Sema.

Chama a atenção o fato de que do total explorado ilegalmente, entre 2018 e 2019, 69% ou 116,3 mil hectares incidiram em imóveis rurais já cadastrados no órgão ambiental.

"Os imóveis rurais cadastrados ocupam a maior área do Estado e, proporcionalmente, eles ocupam maior área em relação às terras indígenas (TI) e unidades de conservação (UC), então, acaba que esses 69% também ocorram em imóveis cadastrados. Também esses imóveis que detêm parte grande de floresta acabam tendo essa visibilidade para exploração do recurso madeireiro", explica o engenheiro florestal Vinícius Silgueiro, um dos autores do estudo e coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV.

Contudo, a irregularidade gera prejuízos para o setor no Estado, que é o principal fornecedor de madeira nativa brasileira e tem 3,7 milhões de hectares de área sob manejo florestal, gerando cerca de 90 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

A atividade é base econômica de 44 municípios mato-grossenses.

“Essa ilegalidade acaba prejudicando o setor florestal porque dificulta a valorização da produção madeireira legal e cria uma concorrência desleal para as empresas que trabalham na legalidade”, diz Silgueiro.

“A maior parte da exploração madeireira ilegal se dá em imóveis rurais já cadastrados na Sema, então, é possível realizar essa responsabilização de forma mais efetiva”, completa.

Seguidas das propriedades rurais cadastradas, vêm as áreas sem categoria fundiária definida com 25,8 mil hectares (15%), 16,6 mil hectares em terras indígenas (10%), 5,6 mil hectares e unidades de conservação (3%) e 3 mil hectares em assentamentos rurais (2%).

Além disso, dos 168 mil, mais de 22 mil hectares das áreas exploradas ilegalmente se deram em áreas protegidas.

A área representa um aumento de 79% da exploração madeireira ilegal nas áreas protegidas do estado em relação ao biênio anterior, quando foram mapeados 12,4 mil hectares.

"Foram 20 TIs, o que simbolizou um aumento de 139% na área explorada nessa categoria em comparação ao período anterior e sete unidades de conservação impactadas", diz o relatório.

Já nos projetos de assentamentos federais (PAs), a exploração madeireira ilegal totalizou 3 mil hectares distribuídos em 15 assentamentos, o que indicou uma redução de 16% na área total explorada ilegalmente da categoria em relação ao biênio anterior.

Dentre os dez municípios com maior registro de atividades ilegais, oito também figuram no ranking da exploração madeireira legal.

“Isso indica que essas práticas caminham lado a lado e que a existência de brechas nos sistemas de controle florestal ainda permite que produtos madeireiros extraídos ilegalmente sejam encobertos por documentos oficiais”, frisou o coordenador por meio da assessoria de imprensa.

Os dez com maior área explorada irregularmente representam 71% de toda a extração ilegal. São eles: Colniza, Marcelândia, Aripuanã, Juína, Juara, Nova Maringá, Itanhangá, União do Sul, Feliz Natal e Nova Ubiratã.

Já as 10 cidades com mais áreas exploradas legalmente são Aripuanã, Colniza, Juara, Feliz Natal, Juína, Tabaporã, Nova Maringá, Marcelândia, União do Sul e Nova Bandeirantes.

Entre as soluções apresentadas, o ICV aponta a necessidade de atualizações e aprimoramentos nos sistemas de monitoramento e controle florestal estadual, bem como a total integração ao sistema federal, como caminho essencial para garantir a rastreabilidade da produção madeireira em Mato Grosso.


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