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ARTIGO
Segunda-feira, 03 de Outubro de 2016, 20h:18

JOSÉ A. LEMOS DOS SANTOS

O sol

Retomo as reflexões sobre os fatores positivos disponíveis para o desenvolvimento da Baixada Cuiabana, aproveitando a época de eleições e de elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Vale do Rio Cuiabá (PDDI/VRC). Não se trata de ignorar o que temos de negativo, mas só numa perspectiva correta de construção do futuro podemos corrigir os déficits do passado. Ainda festejando o Equinócio da Primavera destaco neste artigo o Sol, o poderoso e inseparável amigo de Cuiabá, insuportável para uns, indispensável para outros. Quando Dom Aquino chamou Mato Grosso de “terra noiva do sol, linda terra”, certamente se referia ao sol cuiabano, o mesmo que para Carmindo de Campos produz “aquele calor sadio, que às vezes é melhor, muito melhor que o frio.” Pois é esse mesmo sol tão marcante na vida cuiabana que elenco como uma das grandes vantagens comparativas da Baixada Cuiabana, se nossas lideranças conseguirem elevar o olhar para um horizonte maior que o interstício eleitoral de dois anos. Nada se desenvolve sem energia e o Sol é fonte inesgotável de energia limpa e grátis, em especial em Cuiabá. O uso da energia solar é o futuro que já começou e levará vantagem quem se preparar desde já para isso. No caso do Vale do Cuiabá com sua posição estratégica, a adoção da energia solar na matriz energética poderá ser um diferencial em sua inclusão sustentável na modernidade tecnológica global, integrada ao farto potencial hidroelétrico, ao gás natural e aos diferentes modos de bioenergia em que Mato Grosso é produtor campeão. Não sou especialista, porém acompanho o assunto por sua importância para o desenvolvimento urbano e sabemos que o sol em Cuiabá, além de fritar ovo no asfalto, pode, por exemplo, movimentar a ventilação por convecção, aquecer água, assim como iluminar ambientes fechados ou muito amplos com a solução zenital com grandes vantagens. Mas já deu também para saber que o estágio de evolução da tecnologia de aproveitamento da energia solar ainda não dá para competir com as formas convencionais de geração de energia, embora haja o consenso de que as possibilidades são muitas e serão indispensáveis para o futuro da humanidade. Dentre estas, uma chama atenção especial pelo que ela tem de simples e por sua praticabilidade imediata, inclusive regulamentada pela ANEEL, que disponibiliza em seu site manual sobre o assunto. Trata-se da Geração Distribuída (GD), uma técnica que permite a geração através de placas fotovoltaicas, ou não, em sua própria residência, comércio, indústria, com o excedente indo para à rede pública gerando créditos que abaterão o custo de seu consumo. Melhor, essa alternativa permite a geração remota, isto é, não precisa ser no próprio local do consumo. Por exemplo, uma fábrica pode ter um outro terreno afastado e lá instalar seus painéis geradores de energia para uso próprio com o excedente se transformando em créditos para consumos futuros. Um maná para uma região ensolarada quase o ano inteiro, um atrativo a mais para investimentos, se bem trabalhado. É preciso que a Região Metropolitana, com a força dos municípios e do governo do estado introduza no seu PDDI diretrizes nesse sentido estimulando a criação de programas de divulgação ampla, leis, normas e incentivos para facilitar a instalação de empreendimentos com esse tipo de visão. Por que não um “distrito de geração solar” em nossas zonas urbanas de alto impacto? Alguns podem pensar em delírio. Nós pioneiros em tecnologia? Agora quando! O premiadíssimo Espaço do Conhecimento do SEBRAE-MT, aqui, já faz isso com muito sucesso. Lembro ainda que Cuiabá sediou a primeira fábrica do biodiesel no Brasil e os primeiros ônibus experimentais rodaram em nossas ruas por muitos anos. * JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU-MT e professor universitário joseantoniols2@gmail.com

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