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ARTIGO
Segunda-feira, 03 de Outubro de 2016, 20h:17

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Proposta ingênua

Quanto mais vejo as pessoas se engalfinharem na disputa política, mais descreio do modelo atual de democracia como solução para os problemas da coletividade. Os postulantes parecem dependentes químicos em crise de abstinência dispostos a qualquer coisa para conseguirem a recompensa de um cargo público. Vejo candidatos concorrentes, que há pouco tempo pareciam normais, insultarem-se mutuamente, acusarem-se de crimes vis, mentir com a maior cara de pau, quando se lançam na busca de um cargo público. Mentir sim, porque o mundo cor-de-rosa que prometem não existe, e eles sabem disso. É triste ver que muitos votos são conseguidos pela retórica vazia, pelos refrãos grotescos, pela agressividade que parte do povo adora e pelas vãs promessas de benefícios. Ainda não chegou ao Brasil o livro “Against Democracy” (“Contra a Democracia”) do cientista político Jason Brennan. Com vasta pesquisa demonstra que os eleitores americanos são totalmente ignorantes sobre os assuntos da República. Ele classifica esses eleitores em dois grupos: Os “hobbits” (do livro de J.R.R. Tolkien) ignorantes, apáticos que votam sem nenhum conhecimento dos candidatos e de política, e os “Hooligans”, irracionais e fanáticos, como torcedores de futebol. Se lá nos Estados Unidos, com alto nível de educacional da população, os candidatos são eleitos pelo voto dos ignorantes e dos intolerantes, imaginem no Brasil. Aqui a maioria não tem o menor discernimento político, e os outros, principalmente os de esquerda, são fanáticos dispostos a defender os partidos no grito ou no braço. Concordo com Brennan, só que o remédio proposto me parece errado. Ele defende a “epistocracia” ou o governo do conhecimento, onde os letrados teriam mais peso na escolha dos mandatários. Aqui no Brasil, onde o voto é obrigatório, os Hobbits, (ingênuos, apáticos e deliberadamente infantilizados pelo poder público) decidem as eleições, o que é ruim. Entretanto se usássemos o sistema proposto pelo cientista/escritor seria pior, pois a escolha passaria para os acadêmicos, que são os “Hoolingans” brasileiros, encastelados nas universidades. Segue sugestão ingênua para Cuiabá, que os políticos profissionais vão odiar: dividir cidade em 100 grupos de mais ou menos 6.000 pessoas (um bairro ou parte dele, ajuntamento de 2 ou mais, conforme a população). Cada um desses grupos escolheria 3 representantes. Teríamos então 300 pessoas. Durante 4 finais de semana (para não tirar ninguém do trabalho), consultores sem viés partidário, dariam aulas totalmente práticas sobre funcionamento da prefeitura, orçamento, órgãos de controle etc. Em seguida sortearíamos 1 de cada grupo para elegerem o prefeito. Esses sorteados se tornariam “vereadores” da capital, recebendo somente uma pequena remuneração de acordo com as reuniões que realizassem durante o mandato. É parecido com o que acontece em Estocolmo na Suécia, cidade pouco maior que Cuiabá. Lá são escolhidos pelo povo 101 membros para a Assembleia Municipal que elege 13 pessoas (seriam nossos secretários) para governar o município. Três grandes vantagens: 1) Fantástica economia eliminando vereadores, assessores verbas de gabinete e corrupção. 2) Melhoria da representatividade mesclando tendências políticas através do sorteio e 3) Maioria garantida na câmara, pois são os “vereadores” que elegem o prefeito. * RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor renato@hotelgranodara.com.br

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