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ARTIGO
Segunda-feira, 03 de Outubro de 2016, 20h:17

EDUARDO MAHON

Quo vadis, eleitor?

Fim do primeiro turno. Procurador Mauro teve 25% dos votos. É muito. Muito acima de qualquer previsão inicial. Os dois candidatos que se habilitaram para o 2º turno se fazem uma pergunta: quem são e para onde vão essa enorme quantidade de votos? Essa é a grande questão e, claro, a mais difícil. O voto no Procurador Mauro foi um misto de protesto e de esperança. Protesto contra a política, ou melhor, contra os políticos tradicionais. Quem votou nele não queria nem Emanuel Pinheiro, nem Wilson Santos, ambos experientes, ambos deputados estaduais, ambos já eleitos e reeleitos por diversas vezes. O protesto é cansaço. Um quarto dos cuiabanos estão absolutamente esgotados com os escândalos com a Câmara dos Vereadores, com os crimes de superfaturamentos, com as imposturas dos demais candidatos. Mas houve também quem votou sem o sentimento de mágoa. Ao contrário: esperavam um impacto positivo, uma nova forma de administrar. Essa esperança também compõe o voto do Procurador Mauro e deve ser levada em consideração. Penso que o perfil do eleitor do Procurador Mauro é relativamente jovem e atinge todas as classes sociais. É impossível fazer 25%, extraindo voto somente de um segmento social cuiabano. Votou rico, votou pobre, votou servidor público, votou profissional liberal, gente semianalfabeta e gente com doutorado. O eleitor do Procurador Mauro não é de esquerda, nem de direita. Não pensa de forma ideológica e programática como os tradicionais eleitores do Partido dos Trabalhadores ou com a pauta liberal dos Democratas. É um público tão numeroso quanto heterogêneo. Encontram-se, no entanto, na juventude. Tanto o protesto quanto a esperança partiram da população mais jovem, ativa e combativa politicamente. Pretendiam mudar tanto as práticas políticas tradicionais, quanto os nomes que figuravam nas urnas. Sucumbiram, claro, pelo restante dos 75% dos votos válidos que se cedeu à razão por saber que o prefeito só consegue administrar com uma base mínima de apoio municipal, estadual e, até mesmo, federal. O que queria o eleitor do Procurador Mauro? Sem dúvida alguma, os 25% da população quer participar de forma direta, sem os intermediários que não cumprem o papel de representar segmentos sociais. Os vereadores precisam recuperar urgentemente a própria representatividade para dialogar de forma mais próxima. Esse foi um recado claro. De qualquer forma, quem votou no Procurador não pretendia uma creche a mais, uma ponte, asfalto ou qualquer beneficiamento direto. O voto no Procurador Mauro era essencialmente conceitual: protesto, esperança, mudança. Para onde esse contingente vai se inclinar? Inicialmente, penso que uma porção considerável desses eleitores vão anular o voto no segundo turno das eleições para prefeito de Cuiabá. Não aceitarão nem Emanuel Pinheiro, nem Wilson Santos. São escrupulosos demais os que esperavam um candidato livre do apadrinhamento dos caciques e de processos judiciais. Ainda assim, sobrarão muitos dos mais de 70 mil votos que o Procurador Mauro recebeu e essa margem decidirá as eleições. A pergunta deve ser refeita. Quem o eleitor do Procurador Mauro mais rejeita? Acredito que esse eleitor jovem, irresignado e combativo não suporta um grupo político envolvido com corrupção. Corrupção é o pior dos defeitos que esses 70 mil votos refugam. Wilson Santos responde processo cível pelo inconcluso Rodoanel. O eleitor sabe disso. Emanuel Pinheiro vem para a eleição sustentado num grupo político que teve seus líderes encarcerados no presídio do Carumbé pelo maior esquema criminoso já visto em Mato Grosso. O eleitor sabe que o gestor público pode responder, eventualmente, a um processo. Mas não sei se suporta saber que o candidato do PMDB trabalhou ativamente na base de sustentação do líder da pior organização criminosa da história mato-grossense, muito mais articulada na máquina pública do que o Comendador João Arcanjo Ribeiro. O eleitor do Procurador Mauro está irritado. Vai votar “no menos pior” dos dois candidatos. Está ressentido com as obras inacabadas da Copa, com a paralisação dos investimentos públicos, com a crise de credibilidade política. No frigir dos ovos, os 70 mil eleitores que protestaram nas urnas e esperavam a mudança no quadro sucessório vão olhar as companhias dos dois candidatos, a base de apoio, os políticos que estão por trás. Muitos continuarão protestando. Anularão o voto. No entanto, uma margem menos radical vai se posicionar e, penso, que julgará o curriculum não só do candidato, mas a conjuntura da própria candidatura, enxergando o que acontecerá à cidade, se Emanuel ganhar ou Wilson vencer. Vale a pena um conflito entre prefeito e governador, em tempos de vacas magras? Devemos conduzir o mesmo grupo que gerou a pior crise financeira em Mato Grosso? Não se enganem: o eleitor do Procurador Mauro, mesmo protestando contra os dois candidatos que foram ao 2o turno, sabe muito bem avaliar quem é quem. *EDUARDO MAHON é advogado

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