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ARTIGOS
Terça-feira, 08 de Janeiro de 2019, 18h:16

HELENA PRONI

Anticoncepcional faz mal?

Existem inúmeras páginas na internet condenando o uso dos anticoncepcionais hormonais. Geralmente são criadas por pessoas leigas que tiveram experiências negativas com o método. Mas será que essas informações são realmente um alerta importante ou um desserviço à população? Os anticoncepcionais fazem realmente mal à saúde? É preciso entender que como todo medicamento, os anticoncepcionais têm seus riscos, benefícios e contra-indicações. Os riscos são maiores quando as pílulas possuem o estrogênio na sua composição, sendo que as pílulas só com progesterona são muito seguras, tendo poucas contraindicações. O estrogênio causa algumas alterações no sistema de coagulação sanguínea, predispondo a mulher à trombose. Entretanto, em mulheres sem fatores de risco importantes para trombose, como tabagismo, obesidade, sedentarismo e alterações nos fatores de coagulação, esse risco é muito baixo. Em um grupo de 10.000 pessoas saudáveis, em torno de duas pessoas terão trombose sem o uso da pílula com estrogênio. Se a pílula for administrada, passo a ter 4 a 6 pessoas com trombose neste mesmo grupo. É um risco baixíssimo. Já em um grupo de 10.000 grávidas, cerca de 16 a 20 poderão ter trombose, sendo o número ainda maior no período pós-parto. Portanto, engravidar é muito mais perigoso para a trombose do que tomar anticoncepcionais. Quanto ao risco de câncer de mama, o uso prolongado dos hormônios causa discreto aumento, voltando ao normal após cerca de 10 anos sem o método. Se usada pela primeira vez após gestação e amamentação, este risco é quase nulo. Por outro lado, o uso de anticoncepcionais combinados diminui em aproximadamente 50% o risco de câncer de endométrio, ovário e intestino, que juntos matam mais do que o câncer de mama. Também ajudam no controle do ciclo, sangramento aumentado, cólicas, endometriose, acne, aumento de pelos, previnem anemia e gestações indesejadas. Portanto, eu diria que numa população sem contra-indicações ao método, a pílula traz mais benefícios do que malefícios à saúde. É compreensível que uma pessoa que sofreu um AVC em idade jovem na vigência do uso de pílula queira convencer outras mulheres de que a pílula é maléfica, mas a experiência ruim de algumas pessoas não pode anular os inúmeros benefícios que ela pode trazer para a grande maioria da população. Por isso é importante sempre buscar informações com um médico bem preparado. Se tiver dúvidas sobre métodos contraceptivos ou qualquer outro assunto sobre saúde, agende uma consulta médica. Cuidado com fontes duvidosas. * HELENA PRONI é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Fez Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Aperfeiçoamento em Ginecologia Endócrina, Climatério e Anticoncepção; e Patologia do Trato Genital Inferior e Infecção pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É mestre em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo oscar.dambrosio@fcmsantacasasp.edu.br

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