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Cuiabá MT, Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
ARTIGOS
Sábado, 04 de Julho de 2020, 10h:35

EDUARDO PÓVOAS

Meu pai Lenine

Eu sinto um orgulho enorme quando me chamam de filho do Professor Lenine Póvoas

4 de julho de 2020 - faria você, se junto conosco estivesse, 99 anos.

Noventa e nove anos de experiência, de uma capacidade enorme de mediar conflitos e de uma humildade incomum.

A cada dia que passa, sinto cada vez mais sua falta.

Em todos os sentidos, como sempre foi na minha vida, sua ausência me deixa, nas minhas solitárias reflexões, desorientado e a imaginar, até hoje, como foi dolorida sua partida.

Quando ouço algum amigo pronunciar a palavra “pai”, é um pretexto para me deixar invejoso ao pensar que por muito tempo enchia meu peito para pronunciá-la.

Não sei medir a “distancia” que nos separa. Parece que, às vezes, estamos tão perto que sinto a fragrância de seu Gumex que passava no cabelo e de sua água Velva na barba.

Aí, com uma vontade desenfreada de te ouvir ou te ver, fecho meus olhos como que impedindo que esse momento se acabe, talvez querendo transformá-lo numa eternidade.

Relacionar você a todos meus momentos, é fácil, pois parece que siameses fomos em outra vida.

Em todos os sentidos, como sempre foi na minha vida, sua ausência me deixa, nas minhas solitárias reflexões, desorientado e a imaginar, até hoje, como foi dolorida sua partida

Tudo que procuro, tenho ou consigo, vejo ao meu lado cumprimentando-me pela façanha, Jesus e você.

Vejo como vivem os jovens de hoje e como tratam seus pais, com raríssimas exceções, dobro sem pestanejar, meus joelhos para agradecer a Deus por ter recebido de você a criação que me deu, mesmo com revoltas em determinadas circunstâncias, como não me dar um Fusca no meu tempo de universitário, o que você poderia fazer, e sempre me dizia que não daria.

Hoje entendo a sua preocupação. Com filhos e netos, sei perfeitamente avaliar sua atitude em não me dar o Fusca.

Talvez se me desse eu hoje não estaria sentado à frente deste computados a te venerar.

Foste, meu querido pai, para mim, tudo que um jovem poderia pedir a Deus, que seu pai assim fosse.

Tive momentos impares de felicidades ao lado de você e da mamãe, não significando que esses momentos não me façam chorar de tristeza ao relembrá-los hoje.

Professor era como você gostava de ser reconhecido.

Eu sinto um orgulho enorme quando me chamam de filho do Professor Lenine Póvoas.

Dia 4 de julho. Se aqui estivesse, eu estaria comprando as empadas e os pasteizinhos da D. Maria para você tomar com seu guaraná Gut Gut.

Enfim..... Te amo, pai.

EDUARDO PÓVOAS é dentista, escritor, cuiabano e filho de Lenine Póvoas.


2 COMENTÁRIOS:







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Marlene Covezzi  04-07-2020 21:05:32
Um grande homem,que deixou um legado maravilhoso,que tive o presente de conhecê-lo de perto.

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LUIS LIMA CORREA  04-07-2020 11:00:35
Parabéns Eduardo, pelo texto, pelo pai e pela saudade do Gut Gut

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