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Cuiabá MT, Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ARTIGOS
Sexta-feira, 04 de Janeiro de 2019, 17h:08

Dr. MARCOS HARTER

O buraco negro da rinoplastia

Os pacientes que não obtém o resultado desejado na sua primeira cirurgia de nariz caem no chamado “buraco negro da rinoplastia”. Você aceita viver com um nariz naturalmente feio para o resto da sua vida, mas jamais um nariz feio feito pela mão de alguém. Até porque o primeiro foi lhe concedido por Deus ou herdado por seus ascendentes e o segundo, iatrogênico. O médico que o fez, na grande maioria das vezes, não quer fazer uma nova abordagem. Geralmente insiste em dizer que o resultado foi positivo e quer que você acredite nisso. E os motivos? Vários… Operar nariz primário já é uma cirurgia difícil; secundário, então, nem se fala. Muito mais complicado! E fica a dúvida: se o cirurgião não acertou na primeira, vai acertar na segunda? (Às vezes sim). Em uma cirurgia secundária realizada pelo cirurgião que fez a primária, custos geralmente são um problema. O hospital tem que cobrar, pois trabalha com materiais (há custos desde uma gaze até os gases inalatórios da anestesia geral), o anestesista, mesmo tendo participado da primeira cirurgia, vai querer cobrar de novo, pois o compromisso de resultado cirúrgico era do cirurgião e não dele. O anestesista entende que o trabalho dele é, fazer o paciente dormir, não sentir dor e depois acordar. Se o resultado da cirurgia não agradou ao paciente, isso é problema do cirurgião, seu trabalho anestésico fora realizado. Algumas vezes, a parceria firmada entre os profissionais, aliada ao bom senso faz com que o anestesista não cobre honorários numa rinoplastia secundária, mas somente se ele participou e recebeu na cirurgia primária. Agora imagina quando o anestesista da cirurgia secundária não esteve na cirurgia primária? A cobrança de honorários, além de óbvia, é justa. E quanto ao cirurgião? Cobrar ou não cobrar por uma cirurgia que já esteve literalmente nas mãos dele para ter dado certo e não deu? A maioria dos cirurgiões não cobra honorários referentes a uma rinoplastia secundária cujos resultados esperados ele não alcançou na primária. E não cobra, não porque não quer, e sim por não ter a cara de pau de cobrar pelo que já deveria ter acertado de primeira. O que você não sabe, é que muitos cirurgiões embutem esses honorários nos custos hospitalares, etc, etc, etc. A cirurgia secundária é uma cirurgia bem mais difícil de ser realizada, além de, por questões éticas não ser de bom tom, a cobrança dos honorários por parte do cirurgião que já realizou a primeira intervenção. É, basicamente, por isso que os cirurgiões que fizeram a primeira abordagem cirúrgica geralmente não querem reoperar. Afora os fatores de ordem financeira e prática tem a dúvida “se não acertei na primeira, o que tenho que fazer para acertar na segunda?” É aqui que se distingue um cirurgião especialista em nariz de um “aventureiro de narizes“. Os cirurgiões especialistas em nariz, geralmente, acertam na primeira intervenção. Acertam sempre? Não. Cirurgiões especialistas em nariz têm, sim, suas reintervenções, mas o fazem sem receio e no momento certo. Sabem exatamente o que têm que fazer para acertar na cirurgia secundária, e por isso o fazem, sem enrolar o paciente. Um nariz feio andando por aí expõe negativamente o seu nome e trabalho e, portanto, é de seu interesse a segunda intervenção. Apesar de que o volume de rinoplastias secundárias de um cirurgião especialista em nariz se deve, em grande parte, a cirurgias realizadas por outros cirurgiões. O que é óbvio, já que especialistas geralmente acertam de primeira. Mas se cirurgiões especialistas em nariz resolvem narizes secundários por que ainda existe o “buraco negro da rinoplastia”? Cirurgiões especialistas em nariz que se dispõem a realizar rinoplastias secundárias, geralmente, investiram tempo e recursos para adquirir o conhecimento necessário a resoluções dessas cirurgias complexas, e isto tem seu custo. Sem contar os custos com amparo jurídico que este cirurgião especialista deve ter. Rinoplastias secundárias são cirurgias litigiosas e, além disso, “depois que você põe a mão em um nariz secundário, você passa a ser o responsável por tudo que aconteceu com ele”. É como se o ato cirúrgico do primeiro cirurgião fosse “prescrito”. Resumidamente, rinoplastia envolve uma parte nobre do corpo. Nobre por sua localização, no meio da cara, não tem como esconder. Mas nobre também porque além de ter cunho estético no corpo humano, tem a questão funcional: jamais esqueçamos, nariz foi feito para respirar! E se surgirem problemas respiratórios, muitas vezes, será necessária a mão de obra de outros profissionais, como os otorrinolaringologistas, por exemplo. Por todos esses motivos, a cirurgia primária já tem um alto custo e, a secundária, tem esse custo ainda mais elevado. Por isso sempre desconfie de rinoplastias baratas, pois o resultado também vai ser barato. Infelizmente, nem todos os pacientes possuem condições financeiras para custear uma rinoplastia secundária com profissional adequado, ter um resultado finalmente satisfatório e sair do buraco negro da rinoplastia. Quer um conselho para nunca cair no buraco negro da rinoplastia? Opere seu nariz com um cirurgião plástico especialista em nariz. Ele, geralmente, vai acertar o seu nariz de primeira e, nos poucos casos de uma rinoplastia secundária ser necessária, ele não postergará o procedimento, pelo contrário, realizará no momento ideal, com precisão e conhecimento do que exatamente tem de ser corrigido para chegar ao resultado que você quer. * Dr. MARCOS HARTER, médico/cirurgião plástico, com especialização nos Estados Unidos em cirurgia de nariz melosueli3@gmail.com

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