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ARTIGOS
Terça-feira, 01 de Novembro de 2016, 18h:19

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Os genes e a Cultura

Vendo a corrupção que se alastra pelo país inteiro escancarada na mídia e a degradação das instituições que comandam a nação, parece interessante indagar a razão de alguns países terem tanto sucesso e de outros ficarem séculos atolados na lama que produzem. Embora haja mínimas diferenças genéticas entre indivíduos e que até hoje não se tenha identificado um gene responsável pelas variações comportamentais o certo é que sociedades diferem muito entre si e que as instituições que elas criam podem trazer a prosperidade ou levar ao fracasso. A cultura (aprendizado) influenciada pelo pool de alelos (herança genética), pode eventualmente explicar por que alguns países como, por exemplo, Noruega, Suécia e Dinamarca conseguiram desenvolver uma “vacina” que quase eliminou a corrupção dos seguimentos institucionais. Somente as variações genéticas existentes entre indivíduos não são suficientes para explicar a diferença das instituições que cada civilização produz. Para sair do determinismo genético vários historiadores atribuem o sucesso de alguns países à geografia, aos recursos naturais de que dispõem ou a diferenças culturais. O que não convence inteiramente, pois diversas nações sem recursos como Japão e Cingapura são ricos e outros como a Nigéria, repleta de riquezas naturais, teimam em ser pobres. As instituições prósperas nascem da confiança e da colaboração entre as pessoas, da vontade comum de seguir as regras que beneficiam a todos e da determinação de punir os que transgridem as normas estabelecidas. Elas são fruto de uma evolução cultural, mas a observação dos povos onde elas progridem autoriza a especulação de que fatores genéticos, ainda que de difícil detecção, determinam a qualidade dessas instituições. Pequenas diferenças genéticas atuando sobre o conjunto de uma população, moldariam comportamentos sociais responsáveis pela prosperidade ou fracasso. A nossa herança genética alimentando a cultura da moral elástica e do “jeitinho”, criou instituições, nas quais quase ninguém confia e que hoje enfeiam o país. Dizem que mais de 100 parlamentares serão denunciados no mês que vem na lava-jato; 800 escolas foram ocupadas no país; as universidades públicas retomam suas recorrentes greves. Enquanto isso os candidatos do segundo turno, comprovando o baixíssimo nível de nossos representantes, exibem para a alegria da arraia miúda, as “capivaras” dos adversários e respectivos familiares. As instituições são um misto de genética e cultura. Para muda-las precisamos de um empurrãozinho dos genes aproveitando um ambiente cultural favorável. A julgar pela última campanha política não seria exagero afirmar que estamos mais perto da Nigéria que da Suécia. *RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor. renato@hotelgranodara.com.br

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