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ARTIGOS
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016, 20h:00

SERGIO NEVES

Sem exclusão

Lançado em 1962, Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, um clássico da literatura mundial e leitura obrigatória entre acadêmicos de universidades norte-americanas, há meio século vem norteando a preocupação com o ecossistema planetário. Tive oportunidade de lê-lo e recomendá-lo a amigos ainda na década em questão. A visão futurista da autora, sobre os cuidados com o Meio Ambiente, sobretudo a partir da aplicação de pesticidas, provocou enorme polêmica e críticas pesadas da indústria de agrotóxicos. Entre outros alertas, Rachel chamou atenção sobre a quantidade de veneno despejado nas lavouras, os chamados desertos verdes, que atingiriam rios e mares com a queda das chuvas. O que ocorre ainda hoje. Quando você mata a minhoca, escreveu, você está dizimando toda a cadeia alimentícia dependente dela, e vai por aí afora. Seria o caso de perguntar quantas espécies seriam prejudicadas com o extermínio do Aedes, por exemplo. Nestes mais de 50 anos do lançamento da obra, claro que muita coisa mudou com o avanço da tecnologia e da pesquisa, mas o ensinamento de Raquel ainda serve como advertência. Contudo, a discussão com a qualidade dos alimentos que estamos consumindo permanece viva. Diariamente temos lido matérias e artigos sobre o assunto e tanta gente questiona o impacto que a produção animal e vegetal podem causar à nossa saúde. Produtos diet, zero, orgânico, são cada vez mais recomendados e considerados corretos para reposição energética saudável. Nutricionistas e outros profissionais dá área são cada dia mais procurados por aqueles que buscam o sonhado corpo perfeito e mais distantes das unidades médicas. Não seria o caso de as autoridades se preocuparem também com o barateamento desses alimentos tornando-os acessíveis. Ou é melhor para o país manter esse sistema de saúde caótico e em muitos casos criminoso? Vítima de câncer, Raquel Carson morreu dois anos depois do Primavera Silenciosa, sem ter tempo de vivenciar a real repercussão de sua proposta que ainda baliza avanços nas questões ambientais. Resta-nos continuar procurando caminhos que contemplem o bem-estar social, sem exclusão. SERGIO NEVES é jornalista

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