NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Azul
Sábado, 04 de Novembro de 2000, 12h:33

MÚSICA

Injustiça social marca novo CD do Cidade Negra

Enquanto o Mundo Gira, que conta com letras que vão desde Jorge Mautner a MV Bill, ressalta a preocupação do grupo carioca com o problema social

MARCOS FILIPPI
Do site dgolpe.com
Não é de hoje que o grupo carioca Cidade Negra se preocupa com os problemas sociais. A banda fala deste assunto desde seus primeiros trabalhos e acentuou esta vertente em discos como O Erê e Negro no Poder. Mas, agora, esta veia ficou ainda mais ressaltada no novo trabalho do conjunto formado na Baixada Fluminense: Enquanto o Mundo Gira. Faixas como "A Voz do Excluído", "Cidade Partida" e "Favela" mostram, de maneira direta, a preocupação do grupo com este problema. O novo álbum, segundo diz o baixista Bino Farias, é um disco de amigos. MV Bill, Nelson Motta, Jorge Mautner, Herbert Vianna e outro participaram do CD, compondo canções ou "emprestando" sua voz. Mas, uma das mais importantes, foi a participação de Seu Otacílio. Pai de Bino, o senhor de 70 anos entrou pela primeira vez a um estúdio para gravar a música "A Voz do Excluído", tocando violão de 12 cordas. - As letras deste novo disco estão mais centralizadas no problema social do que em relação aos outros discos. Por quê? Bino: O Cidade sempre teve esta preocupação com o lado social e nunca deixamos de abordar este tema em nossos discos. O que acontece é que depois de Lute Para Viver e Negro no Poder, a gente fez uma busca pelas palavras. Este novo disco é mais direto, mais explícito. Vocês convidaram o MV Bill para participar deste álbum justamente para reforçar este lado social? Bino - Não. O MV Bill é amigo nosso, do Lazão. A gente sempre se encontra no bar. Foi um caso de brodagem. É o cara que está sempre na área, encontrando em shows. Calhou dele estar na casa do Lazão e ouviu uma base nossa. A gente nem ia usar esta base no CD e ele quis colocar uma letra. - Duas músicas que fogem da linha do CD são exatamente a faixa com o MV Bill e a do Nelson Motta Bino - O Nelson Motta é uma lenda viva na MPB. Um cara que faz parte da música. Conheceu todo mundo. Sabe tudo o que aconteceu nos anos 60 e 70. A gente queria fazer algo meio bossa e escolhemos o Nelson. Nada melhor do que ele. - Este CD talvez seja o álbum do Cidade que mais tenha parcerias de compositores. Tem Herbert Viana, Dulce, Nelson Motta, MV Bill e outros. Por quê? Bino - Fomos para uma casa em Arraial do Cabo, na região dos Lagos no Rio. Tinha tanta coisa para botar para fora que resolvemos repartir com nossos amigos. A nossa primeira idéia era fazer um álbum de guitarras. Então, chamamos os nossos amigos guitarristas. No caso das letras foi a mesma coisa. Pensamos na música e pensamos em quem iria completar a letra. Teve o Jorge Mautner que foi nos visitar e, quando estávamos tocando, ele pirou e quis participar. Em vez de Enquanto o Mundo Gira deveria ser Super Natural. - A ligação do Toni Garrido com o cinema acabou prejudicando o método de composição deste novo álbum? Bino - Não. Este disco foi gravado depois que ele fez o "Orfeu". Até quando ele filmou o "Orfeu" não atrapalhou porque a gente gravava de dia. Ele que ficou ruim fisicamente. A gente parou tudo para fazer este disco. Paramos a turnê, a família. Resolvemos nos isolar para ninguém atrapalhar. Ficamos em uma casa para compor, sem nada. Fizemos tudo lá. O mais legal é que todas as músicas são de nós quatro do Cidade. Sem ter o que fazer, o que restava era fazer música. - Como você pensou em colocar seu pai na gravação da faixa "A voz do Excluído" tocando violão de 12 cordas? Bino - Foi uma idéia luminosa do Chico Neves. Ele ficou sabendo do meu pai através do meu irmão que toca no O Rappa. A letra tem tudo a ver com ele. Ele é da Baixada, trabalhou pra caramba e não ganhou nada. Ele já tinha participado de um clipe nosso. Foi a realização dele e também minha. Ele ficou maravilhado em entrar pela primeira vez em um estúdio. Ele não sabia o que fazer. Eu disse: "Pô pai. É só entrar em gravar". Ele chegou, o Chico colocou a base para ele ouvir e começou a tocar. Quando ele pediu para gravar o Chico disse: "Seu Octacílio, já está gravado." - O Cidade Negra talvez seja um dos únicos grupos da geração de vocês que não precisou mudar seu estilo para fazer sucesso. Por que, na sua opinião, vários grupos tiveram de mudar o estilo? Bino - Você tem de fazer aquilo que te agrada, aquilo que você vive. O Cidade Negra é um grupo de reggae com influências de rock. Nós começamos nos anos 80, quando houve aquele boom do rock. Nosso sonho era tocar no Chacrinha. Nosso estilo é o reggae, mas cada um na banda tem suas influências. - O que está faltando para o reggae estourar definitivamente no Brasil? Bino - O reggae está caminhando. Devagar e sempre. O mais legal é que ele está sempre aí. Nunca vou deixar de fazer reggae porque eu gosto, é o que eu sei fazer. Eu gosto de reggae, funk, rock, soul. A gente não pode ficar preso em um único seguimento. Este disco é um CD de influências. Meu pai toca um estilo caipira que quase ninguém gosta e eu adoro. Este disco não é de tendência e sim de influência.

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL