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Cuiabá MT, Sábado, 11 de Julho de 2020
BRASIL
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019, 17h:51

DAVOS

Bolsonaro promete governar pelo exemplo

O presidente disse que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente, e que 'não será mais refúgio de bandidos na capa de presos políticos'

MARIA CRISTINA FRIAS e COELHO E LUCAS NEVES
Da Folhapress – Davos (Suíça)
Em seu primeiro discurso em um palco internacional como presidente, Jair Bolsonaro defendeu que o Brasil lidere pelo exemplo e afirmou, de improviso, que os países precisam cooperar. "Hoje em dia um precisa do outro. O Brasil precisa de vocês, e vocês com certeza precisam do nosso querido Brasil", afirmou, com a voz embargada ao subir na plenária do 49º Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Mas foi questionado pelo presidente do fórum, Klaus Schwab, sobre quais passos dará para conseguir o que promete para transformar a economia, conciliar desenvolvimento e ambiente e lidar com a corrupção. No caso da transformação econômica, Bolsonaro citou a desburocratização dos negócios, o que chamou de "comércio sem ideologia" e repetiu ideias que mencionara no discurso. A sessão toda durou 15 minutos - oito de discurso de Bolsonaro e sete de perguntas de Schwab -, o que é incomum para um chefe de Estado que dispunha, inicialmente, de 45 minutos para falar, depois reduzidos a 30. A plateia, que ocupou grande parte das 1.259 cadeiras disponíveis na plenária, sem contudo lotá-la, reagiu sem maior entusiasmo, mas com interesse. Uma expectativa dos investidores era que Bolsonaro detalhasse suas reformas, o que não aconteceu. Empresários que acompanharam o discurso nas primeiras filas reagiram friamente ao que chamaram de excesso de objetividade do presidente, algo que ele vinha prometendo desde o início. Alguns deles esperavam que a sessão abrisse espaço para perguntas da plateia, o que não aconteceu e não é uma prática constante do fórum. Bolsonaro fez um discurso incisivo e conciso, no qual se preocupou em mostrar o Brasil como um país pioneiro em preservar o ambiente e aberto a fazer negócios com todos. Ressaltou à plateia internacional, também, sua campanha presidencial, que ele afirma ter tido baixo custo e sofrido ataques de todos os lados. A ideia central do discurso era mostrar a mudança que ocorre no país, algo enfatizado pelo próprio Schwab ao apresentar o brasileiro no palco. Isso significou tanto falar em abertura a negócios e desoneração como evocar um dos bordões preferidos de Bolsonaro, conduzir o governo "sem ideologia". O presidente mencionou três de seus cinco ministros presentes: Sergio Moro, o primeiro citado, "o homem certo para o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro"; Paulo Guedes, o condutor das reformas econômicas, que segundo ele colocará o país entre os melhores para se fazer negócio, e Ernesto Araújo, o chanceler, a quem cabe a missão de "implementar uma política externa na qual o viés ideológico deixará de existir. Na curta sessão de perguntas de Schwab, o presidente insistiu que a América do Sul quer ser grande - uma evocação a Donald Trump - e que hoje está "ficando livre da esquerda, algo que acredito ser bom para o Brasil e para o mundo". Mas fez, também, acenos ao multilateralismo, falando em comércio e cooperação, e à proteção do ambiente, embora não tenha detalhado, nem com a insistência de Schwab, como pretende equilibrar ambiente e desenvolvimento - ou agronegócio, citado por ele por ser a principal "commodity" do país. MEIO AMBIENTE Com voz embargada ao começar e dizendo-se emocionado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e que a missão do seu governo será compatibilizar a preservação com o "necessário desenvolvimento econômico". O discurso durou cerca de oito minutos. "Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças à sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo", afirmou Bolsonaro. "Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis." O presidente afirmou ainda que um de seus maiores compromissos será abrir a economia brasileira que, segundo ele, ainda é fechada ao comércio internacional. "Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes [Economia], nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios", afirmou. Para isso, afirmou, "nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo [Relações Exteriores], implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir". Para deixar sua marca, o presidente encerrou o discurso citando para o público de empresários, executivos, membros de governos, acadêmicos e ativistas a metade final de seu ?slogan de campanha, "Deus acima de tudo". EXTRADIÇÃO O presidente Jair Bolsonaro disse ainda que o Brasil "não será mais refúgio de criminosos ou de bandidos [escondidos] na capa de presos políticos". Ele se referia à recente extradição do italiano Cesare Battisti, condenado pela morte de quatro pessoas em seu país de origem, nos anos 1970 - quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo. O italiano viveu por anos no Brasil antes de ser preso na Bolívia e mandado para Roma. A declaração foi dada em resposta à pergunta de uma jornalista italiana, no centro de convenções de Davos, QG do Fórum Econômico Mundial, onde Bolsonaro discursou duas horas antes. Quando outro repórter italiano quis saber se o presidente mudara de ideia sobre mulheres e gays, alvos de comentários depreciativos durante a campanha, Bolsonaro se limitou a dizer: "Nada disso é verdade. Tanto que fui eleito."

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