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Cuiabá MT, Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
BRASIL
Quinta-feira, 26 de Março de 2020, 06h:11

PANDEMIA

Coinfecção com influenza é possível e seria desastre epidemiológico

Na esteira do combate à Covid-19, o vírus da influenza também gera preocupação. Especialistas afirmam que uma coinfecção do novo coronavírus com a influenza não só é possível como seria um desastre do ponto de vista epidemiológico.

“É possível haver coinfecção, tivemos relatos em outros países. No Brasil, neste ano, aparentemente poderia ser com o H1N1, e até mais com a cepa B da influenza. Ainda não sabemos. Mas qualquer infecção adicional potencialmente grave circulando junto com o coronavírus só vai piorar a situação epidemiológica”, diz Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, referência nacional na produção de soros e vacinas em São Paulo.

Segundo o Ministério da Saúde, até 29 de fevereiro deste ano foram registrados 90 casos de influenza A (H1N1) e seis óbitos no Brasil. Até esta data, o estado de São Paulo concentrava o maior número de casos de H1N1, assim como concentra, hoje, a maior parte dos casos do novo coronavírus.

Ambos provocam infecções respiratórias com sintomas parecidos e, juntos, podem agravar a recuperação de um paciente, mesmo jovem.

“Embora sejam vírus diferentes, tanto o H1N1 quanto o Sars-CoV-2 (acrônimo que designa o novo coronavírus) têm o mesmo alvo, que é o trato respiratório inferior. Juntos, podem causar uma pneumonia grave. É como se tivéssemos agentes duplos destruindo células e causando uma série de problemas em uma mesma região do corpo”, explica a virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo a virologista, uma coinfecção piora o quadro de um órgão já debilitado por outra infecção.

“São dois vírus que atuam para detonar a função respiratória. É muito grave”, afirma.

Clarissa compara a atuação dos dois vírus a de outros que atacam, preferencialmente, o trato respiratório superior, como os rinovírus.

“O quadro de um rinovírus, por exemplo, envolve nariz escorrendo, olhos lacrimejando. O alvo é o trato respiratório superior. O quadro clínico é claro, leve, não causa pneumonia. Mas o Sars-CoV-2 replica no trato respiratório superior e no inferior. Se a pessoa ainda se infectar com H1N1, que ataca o mesmo lugar e pode causar pneumonia grave, as chances de recuperação pioram muito”, explica a virologista.

Na temporada de inverno 2019-2020 nos Estados Unidos, mais de 16 mil pessoas morreram por influenza, e outras 280 mil acabaram hospitalizadas pelo mesmo motivo.

A diferença – também um fator a se tirar vantagem – é que para a influenza já existe uma vacina, ao contrário do novo coronavírus.

“A vacina não garante proteção total, mas ela pode impedir a infecção, e ainda diminui a taxa de internação por influenza grave. E isso é fundamental tanto para não ocupar leitos que podem ser usados para pacientes com o novo coronavírus quanto para evitar a coinfecção, que pode ser séria inclusive em pacientes jovens”, completa a professora da UFRJ. 


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