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BRASIL
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019, 17h:46

POLÊMICA

Congressistas do PSL na China rebatem críticas de Olavo de Carvalho

HELOÍSA NEGRÃO
Da Folhapress – Brasília
Após receberem críticas do escritor Olavo de Carvalho, integrantes da comitiva brasileira na China -formada em sua maioria por congressistas eleitos do PSL- usaram as redes sociais para explicarem a ida ao país comunista. Eles foram conhecer um sistema de segurança pública baseado no reconhecimento facial. Em resposta, a senadora Soraya Thronicke disse que as críticas são "falácias". "Com todo respeito, o querido e admirado @OdeCarvaIlho está mal informado sobre absolutamente tudo. Professor, cuidado com as suas fontes. Estou disponível para qualquer esclarecimento", escreveu no Twitter. Em um vídeo postado no Twitter na noite desta quarta-feira (16), Carvalho chamou os congressistas de "caipiras" e "semianalfabetos". Segundo o escritor, "instalar esse sistema nos aeroportos brasileiros é entregar ao governo chinês as informações sobre todo o mundo que mora no Brasil". O escritor, que é responsável pela indicação dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodríguez (Educação), também negou ser o guru intelectual do governo Jair Bolsonaro. O deputado federal eleito Gurgel Soares (PSL-RJ) afirmou no Instagram que a viagem não é uma visita de estado e que todos os parlamentares eleitos que compõem a comitiva ainda não tomaram posse. Segundo Soares, eles estão lá para conhecer e aprender com outras culturas. "Não quer dizer que levaremos essa tecnologia [reconhecimento facial] para o Brasil. (...) A própria comitiva também quer nos levar para Israel, para conhecer outras tecnologias", afirmou em vídeo. De acordo com reportagem do UOL, a ideia é que os parlamentares apresentem no início do ano legislativo (fevereiro) um projeto de lei que obriga a implementação de tecnologia de reconhecimento facial em locais públicos, para auxiliar as forças de segurança no combate ao crime e na captura de suspeitos ou foragidos. Os congressistas também foram alvo de críticas de seus seguidores por terem ido à China, uma ditadura comunista. O combate ao comunismo é um dos pilares do discurso do governo Bolsonaro. "Sai da China AGORA!!!!!! O povo brasileiro não aceitará TRAIDORES!!! COMUNISTA não é bem-vindo no Brasil!!!", escreveu um seguidor do deputado federal eleito Felício Laterça (PSL-RJ), um dos organizadores da comitiva. Eleita deputada federal pelo Paraná, Aline Sleutjes (PSL-PR) rebateu as críticas de seus seguidores e afirmou que "buscar informação não é crime (...) O fato de fazer uma viagem à China não muda quem eu sou!", afirmou em post do Instagram. No Twitter, Soraya Thronicke falou sobre a compra de produtos vindos da China. "Levante a mão aquele brasileiro que possui menos de dez produtos chineses em casa!". Na legenda de uma imagem dentro do carro, ainda a caminho do aeroporto na terça-feira (15) , o policial eleito deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou: "Sabemos do regime que governa o país desde 1940, mas a questão aqui não é ideológica, e sim para trazer melhorias ao Brasil". O policial tem feito stories (gravações que duram 24 horas no Instagram) mostrando as palestras que a comitiva está assistindo em Pequim. DAMARES Único parlamentar da comitiva que não foi eleito pelo PSL, Luis Miranda (DEM-DF) também tem usado o Instagram para mostrar detalhes da viagem. Em vídeo gravado dentro do avião, o deputado eleito faz menção à ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ao mostrar as nécessaires distribuídos na classe executiva da companhia KLM. "Homens recebem bolsinha azul e mulheres, bolsinha rosa. Damares, minha querida, você estava certa." Na gravação também aparecem a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o advogado Cleber Santos Teixeira, que atua na defesa do ator e deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP). Zambelli foi citada nominalmente no vídeo de Olavo de Carvalho. "Nunca vou te perdoar isso aí. Já te ajudei muito e já apoiei muito. Se você não sair desse negócio, eu não falo mais com você", afirmou o escritor. Em um vídeo de resposta, Zambelli disse que continua "fã de Olavo de Carvalho" e que não tira as razões de receio do escritor, "mas eu preciso despreocupar vocês: não existe qualquer possibilidade de os parlamentares fecharem um acordo com empresas de reconhecimento facial, não existe qualquer possibilidade de nós incentivarmos um BBB no Brasil", afirmou.

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