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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016, 19h:42

Conversa com Temer foi gravada

Daniel Weterman
Da Agência Estado – Brasília
Dias antes de deixar o governo, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero gravou conversas com o presidente Michel Temer, com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Para que as gravações sejam periciadas e analisadas pela Polícia Federal (PF) é preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a abertura de investigação. No depoimento à PF, Calero narrou ter recebido pressão de vários ministros para que convencesse o Iphan a voltar atrás na decisão de barrar o empreendimento La Vue, onde Geddel diz ter adquirido um apartamento, nos arredores de uma área tombada de Salvador. Em 6 de novembro, Calero afirmou ter recebido "a mais contundente das ligações" de Geddel. No telefonema, o ministro da Secretaria de Governo deixou claro "que não gostaria de ser surpreendido com qualquer decisão que pudesse contrariar seus interesses". Na versão do ex-ministro da Cultura, Geddel disse, "de maneira muito arrogante", que, se fosse preciso, "pediria a cabeça" da presidente do Iphan, Katia Bogéa, e falaria até mesmo com Temer Calero contou à PF que tanto Padilha quanto Temer insistiram para que ele levasse o processo sobre o prédio à Advocacia-Geral da União. Relatou ainda sua contrariedade com as pressões e desabafou com Nara de Deus, chefe de gabinete de Temer, que teria ficado "estupefata". Segundo Calero, a decisão de deixar o governo veio depois da conversa com Temer e quando o secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, telefonou para ele demonstrando a "insistência do presidente" em fazer com que ele interferisse "indevidamente" no processo, enviando os autos para a AGU. NEGA O ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, divulgou uma nota ontem, negando que tenha solicitado audiência com o presidente Michel Temer (PMDB) com a intenção de gravar uma conversa no gabinete presidencial. O texto foi publicado no perfil de Calero no Facebook. Calero, que pediu demissão e depois falou que foi pressionado pelo então ministro Geddel Vieira Lima para a liberação de um empreendimento do interesse de Geddel na Bahia, falou que durante sua trajetória, nunca agiu "de má fé ou de maneira ardilosa". Comentando o episódio envolvendo Geddel, que nesta manhã pediu demissão do cargo, Calero afirmou que cumpriu sua obrigação "como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições." "A respeito de informações disseminadas, a partir do Palácio do Planalto, de que eu teria solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial, esclareço que isso não ocorreu", destacou Calero, em nota. ELISEU PADILHA O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, publicou nota na qual afirma ter procurado o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para tratar do imbróglio envolvendo o empreendimento em Salvador, onde o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, teria um apartamento e pelo qual foi acusado por Calero de ter feito pressão pelo licenciamento da obra. LICENCIAMENTO "Fui informado do Licenciamento de um edifício pelo Iphan, em discussão no âmbito do Poder Judiciário, então com várias decisões denegando o embargo de tal obra, e de que também existiam discordâncias entre dois órgãos da Administração Pública sobre o mesmo tema, razões pelas quais resolvi falar com o ex-ministro", esclareceu Padilha. Segundo o ministro da Casa Civil, na conversa ele sugeriu a Calero que diante da "controvérsia entre os órgãos públicos federais" que buscasse uma solução ao impasse junto a Advocacia Geral da União (AGU), já que o órgão é competente para "identificar e propor soluções para as questões jurídicas relevantes nos diversos órgãos da Administração Pública Federal" Padilha destacou ainda que Calero "ignorou a sugestão".

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