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BRASIL
Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016, 19h:42

RENÚNCIA

Geddel entrega carta de demissão a Temer

O pedido de demissão do agora ex-ministro Geddel Vieira Lima foi a saída encontrada pelo Palácio do Planalto para tentar salvar o governo da crise política

TÂNIA MONTEIRO, CARLA ARAÚJO e VERA ROSA
Da Agência Estado – Brasília
Em meio a mais uma crise política no governo Michel Temer, com possibilidade de abertura de inquérito também contra o presidente e contra o ministro Eliseu Padilha, o ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima entregou sua carta de demissão ao presidente. Geddel pediu demissão depois que foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de havê-lo pressionado a suspender um embargo imposto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan) à construção de um edifício de apartamentos nas proximidades da área tombada do centro de Salvador. Temer já avalia quem substituirá Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo. Segundo interlocutores, ainda não há definição e, diferentemente da mudança no comando da Cultura, quando da saída de Marcelo Calero e a assunção de Roberto Freire, desta vez não há um sucessor natural de Geddel. Em carta de demissão divulgada no final da manhã de ontem pelo Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima reconhece que "avolumaram-se as críticas" contra ele, trazendo sofrimento a seus familiares. "Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair", escreveu ao presidente Michel Temer, a quem chamou de "fraterno amigo". Ele pede desculpas. "Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso." Geddel explica que fez uma "profunda reflexão" sobre o quadro e decidiu, por isso, pedir exoneração "do honroso cargo que com dedicação venho exercendo." O ministro demissionário informa que vai retornar à Bahia, mas seguirá como "ardoroso torcedor" do "nosso" governo e classifica Temer como um presidente "sério, ético e afável". Ele ainda agradece aos congressistas pelo "apoio e colaboração que deram na aprovação de importantes medidas para o Brasil". E conclui chamando Temer de "querido amigo". ARTICULAÇÃO O pedido de demissão do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, foi a saída encontrada pelo Palácio do Planalto para tentar salvar o governo da crise política, que se avoluma a cada dia. A operação para entregar a cabeça de Geddel foi articulada ainda na quinta-feira, após a divulgação do depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal, no qual ele dizia ter sido "enquadrado" pelo presidente Michel Temer para atender aos interesses do chefe da Secretaria de Governo. A pressão seria para liberar a construção de um prédio nos arredores de uma área tombada, em Salvador. Em reunião de emergência convocada por Temer com auxiliares, na noite de quinta-feira, a situação de Geddel - que já havia viajado para a Bahia - foi considerada insustentável. Houve, a partir daí, intensa troca de telefonemas com o ministro. "É tudo pior do que parece", disse um dos auxiliares do presidente. PROCESSO CONTINUA O presidente da Comissão de Ética da Presidência, Mauro Menezes, informou ontem, que o processo aberto contra o agora ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, continua mesmo após o seu pedido de demissão. Segundo Menezes, uma eventual punição pelo colegiado teria como efeito uma "mancha ética" no currículo político de Geddel. "Não podemos dizer que alguém não pode continuar na vida pública, apenas deixamos registrado que uma autoridade tem em seu currículo determinada avaliação quanto ao seu comportamento ético. E hoje no Brasil isso tem valido muito", afirmou. Questionado sobre o suposto envolvimento do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do presidente Michel Temer no episódio, e se as eventuais gravações das conversas de Calero com os ministros e com o presidente não poderiam culminar na abertura de outros processos, Menezes explicou que a Comissão não tem competência para intimar presidentes e vice-presidentes da República. No caso de Padilha, ainda não há uma definição. "Não existe sinalização de que venhamos a abrir processo contra outra autoridade citada", disse Menezes. Ele informou ainda que a Comissão remarcou sua próxima reunião do dia 14 para o dia 15 que, diante dos desdobramentos dos fatos, nos próximos dias podem ser discutidos eventuais novos procedimentos. "A Comissão é muito criteriosa. Não basta uma citação em qualquer depoimento ou denúncia para que a Comissão abra de pronto o processo, mas a comissão fica sempre atenta", disse.

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