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Cuiabá MT, Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
BRASIL
Quinta-feira, 26 de Março de 2020, 06h:14

PANDEMIA

Para especialistas, Bolsonaro foi 'irresponsável' ao pedir fim da quarentena contra coronavírus

Em pronunciamento na TV, presidente voltou a afirmar que pandemia é uma 'gripezinha' e criticou 'sensação de pavor' provocada pela mídia

O novo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre o coronavírus, feito na noite desta terça-feira, foi condenado por lideranças da comunidade científica e pesquisadores que estão à frente de estudos sobre a Covid-19, que já deixou 46 mortos no país (mais uma morte foi anunciada no fim da noite de terça, desta vez pelo governo do Amazonas, no que seria a primeira ocorrência fora do Sudeste).

Esta foi a terceira vez que o presidente discursa em rede nacional sobre o tema. Bolsonaro voltou a chamar o coronavírus de “gripezinha”, condenou “autoridades estaduais e municipais” que determinaram medidas de quarentena e culpou a imprensa por espalhar uma “sensação de pavor”, comparando a situação do coronavírus no Brasil à vista na Itália, epicentro da doença, que já registrou mais de 6.800 mortes.

O pronunciamento foi alvo de panelaços em diversas capitais do país e condenado por políticos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, diagnosticado com coronavírus.

Para Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Bolsonaro assumiu uma “atitude irresponsável”, colocando em risco a saúde da população, “principalmente a vida dos mais pobres e dos mais vulneráveis”.

“Crianças não vão sozinhas para a escola. Elas têm pais, têm professores. Há toda uma cadeia de transmissão, bem óbvia. E as crianças não adoecem com gravidade, mas transmitem o vírus”, ressalta Chebabo, que também é diretor médico do Hospital Clementino Fraga Filho. “É um desestímulo à parte da população que tem agido com responsabilidade”.

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, acentua que Bolsonaro "não é um especialista em coronavírus" e, por isso, "deveria se informar melhor sobre o assunto".

“Há muitos pesquisadores investigando a atividade deste vírus. Suas recomendações devem seguidas, e não contrariadas, pelas autoridades. Esta crise está mostrando o valor de grupos de trabalho, muitos deles de universidades públicas, que são financiados pelo governo, e que já concluíram que não estamos diante de uma gripezinha. Também devemos alertar a população que não existem medicamentos ou vacinas contra a Covid-19”, ressalta.

Segundo Bolsonaro, os meios de comunicação criaram uma “sensação de pavor” porque, na cobertura dos casos sobre o coronavírus, baseiam-se na situação da pandemia na Itália – país em que, de acordo com o presidente, a Covid-19 ganhou força amparada no grande número de idosos.

O infectologista Celso Ramos Filho, porém, rebate o argumento do presidente: “Não tem por que a gente achar que a nossa rede (de saúde) vai responder melhor do que a da Itália. Tudo bem que China e Itália têm população de mais idosos, mas pega Copacabana, um bairro sem hospital público. Os mais próximos são os hospitais de Ipanema e da Lagoa, e não se fala em nenhuma preparação para coronavírus lá — alerta Ramos Filho, membro da Academia Brasileira de Medicina. — É uma doença de alto contágio, como ficou provado no grupo da viagem do presidente Bolsonaro à Flórida (pelo menos 24 participantes brasileiros do evento foram contaminados). O pronunciamento de Bolsonaro foi o pior que poderia nos acontecer, pelo que a fala representa”.

Edimilson Migowski, infectologista da UFRJ, explica que a quarentena — que inclui o fechamento de escolas e comércio, medidas condenadas por Bolsonaro — é “horrível, mas necessária”.

“A Covid-19 é uma doença contagiosa e toda a população está vulnerável, já que não existe uma vacina ou um antiviral licenciado para este fim. Por isso há um grande potencial de que muitas pessoas adoeçam ao mesmo tempo”, assinala. “Imagine, por exemplo, que 100 mil pessoas adoeçam na Rocinha. Sabemos que 20% delas terão uma doença moderada e 5%, grave. Isso significa que 5 mil pessoas precisarão de suporte de terapia intensiva. Isso tudo considerando apenas um bairro do Rio”. 


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