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Cuiabá MT, Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
BRASIL
Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019, 17h:56

TRAGÉDIA

Sobe para 60 número de mortos em Brumadinho

Israelenses usam tecnologia para ajudar no resgate; bloqueios feitos pela Justiça contra a Vale já chegam a R$ 11,8 bilhões

Segundo informações da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Civil, o número de mortos em decorrência do rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) subiu para 60. Ao todo, são 382 localizados, 292 desaparecidos e 19 corpos identificados. A barragem se rompeu e ao menos uma transbordou na sexta, liberando cerca de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro no rio Paraopeba, que passa pela região. A lama de estende por uma área de 3,6 km2 e por 10 km, de forma linear. Nesta segunda, as forças de segurança que trabalham nas operações de busca se reuniram com a equipe israelense que chegou na noite de domingo para auxiliar no resgate, e com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Espera-se que os 136 militares agilizem o processo de retirada de vítimas somados aos 280 bombeiros. Segundo o coronel Golan Vach, a equipe trabalhará com radares para identificar sinais de aparelhos celulares. Com o passar do tempo, porém, é mais provável que os celulares já estejam apagados. Outra tecnologia que será utilizada depende de análise de uma amostra da lama da barragem. Para localizar seres humanos, os radares identificarão elementos de composição diferente da lama. A tecnologia israelense consegue localizar corpos em até três metros de profundidade. A profundidade da lama chega até 15 metros. O comandante dos israelenses se reuniu nesta manhã em Brumadinho com o governador Romeu Zema e o comando das forças de segurança. Houve videoconferência com equipes em Israel para ajustar os equipamentos à realidade da tragédia. Segundo Golan, o comando israelense já pesquisou o local para traçar estratégias. Já a tropa com os 136 militares ainda se desloca por terra para Brumadinho. Eles desembarcaram no domingo à noite em BH e estão a caminho do Córrego do Feijão, base das operações de resgate. Golan afirmou ainda que os bombeiros têm feito um bom trabalho até aqui. Os bombeiros também utilizam tecnologias como georreferenciamento para determinar locais onde havia mais pessoas, como o refeitório e a pousada. Usam ainda imagens de satélite para identificar onde havia imóveis. COVAS - Do lado esquerdo de quem entra no cemitério Parque das Rosas, na área pública de sepultamento, 98 covas foram abertas entre o último sábado (26) e segunda-feira (28). Dos três cemitérios existentes em Brumadinho, este é o que possui a maior área livre e deverá receber o maior número vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale. Além das novas covas, muitas vítimas deverão ser enterradas do lado direito do cemitério, na área destinada aos jazigos pertencentes a famílias. Alí não é possível fazer abertura prévia de covas e, por isso, a expectativa é de trabalho intenso nos próximos dias. A equipe do cemitério, de apenas dois coveiros, subiu para doze com o remanejamento de funcionários da Prefeitura e o trabalho de voluntários. Em Córrego do Feijão, distrito onde aconteceu a tragédia, o cemitério local está sendo ampliado às pressas com a abertura de 20 novas covas. Os primeiros enterros no distrito deverão acontecer nesta terça (29). Brumadinho possui uma série de vilarejos rurais, sendo que sete deles possuem cemitérios. Somados aos três da sede, são 10 cemitérios ao todo no município. A Prefeitura não possui controle do número de covas disponíveis (uma cova só pode ser reaberta para novo sepultamento após cinco anos do último enterro). O pedreiro Joaquim Adão Cândido, de 63 anos, trabalhava ontem como voluntário na abertura de covas no Parque das Rosas. Ele disse que ouviu pelo rádio o pedido de voluntariado feito pela Prefeitura e se apresentou com as próprias ferramentas. Disse que deixou a filha chorando em casa, já que o genro, Ruberlan Antônio dos Santos, de 47 anos, técnico em segurança do trabalho, é um dos desaparecidos. Além do genro, entre pessoas próximas de Joaquim estão um amigo, Miramar, e a prima Lecinda. "Eu trabalho aqui de dia, vou para casa, tomo um banho e a noite vou consolar minha filha", disse. A preparação para o grande número de enterros se dá também nos velórios. Ontem, as exéquias no Cemitério Velho de Brumadinho estavam sendo realizadas pelo frei agostiniano Alexandre Escame, que veio voluntariamente de Belo Horizonte para reforçar a equipe de religiosos da cidade, junto com uma freira e uma musicista. "Acredito que nos próximos dias teremos que realizar exéquias coletivas, o que não será bom porque as famílias estão muito traumatizadas, com muito choro e desespero", disse. Dois psicólogos voluntários também apoiavam as famílias no Cemitério Velho. Nesta segunda, até as 17 horas, foram realizados seis enterros nos três municípios da sede, e mais dois nos cemitérios dos distritos de Tejuco e Suzano. No Parque das Rosas, foram enterrados Maurício Lauro de Lima, 52 anos, solteiro, motorista; Francis Marques da Silva, 34 anos, bombeiro hidráulico, casado e David Marlon Gomes Santana, 24 anos, solteiro, caldeireiro. Os outros cemitérios não disponibilizaram informações das vítimas enterradas. JUSTIÇA - A Vara do Trabalho Betim determinou, nesta segunda-feira (28), o congelamento de mais R$ 800 milhões das contas da mineradora Vale, dona da barragem que rompeu em Brumadinho (MG) e deixou ao menos 60 mortos e 292 desaparecidos. Os pedidos de bloqueios feitos pela Justiça de Minas Gerais já chegam a R$ 11,8 bilhões. A decisão da juíza Renata Lopes Vale atende parcialmente o pedido do Ministério Público do Trabalho, que requeria o congelamento de R$ 1,6 bilhão da empresa. A quantia visa assegurar as indenizações aos atingidos, manter o pagamento dos salários aos familiares dos trabalhadores desaparecidos e arcar com as despesas de funerais, traslados de corpos e sepultamentos sob pena de multa em caso de descumprimento. A decisão ainda obriga a Vale a apresentar seu programa de gerenciamento de riscos com dados da empresa ou responsáveis por sua elaboração e documentos como atas de reuniões e planos de evacuação da mina. Somado aos outros pedidos, a empresa já tem, ao todo, R$ 11,8 bilhões congelados. No domingo (26), o Ministério Público estadual determinou o bloqueio de R$ 5 bilhões. No sábado (26), um pedido de R$ 5 bilhões para reparação de danos ambientais e outro de R$ 1 bilhão para para prestar socorro às vítimas também haviam sido feitos. Nesta sexta-feira (25), a barragem 1 da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que continha jeitos de minério de ferro, rompeu-se. Com isso, ao menos uma outra barragem do sistema da mina do Feijão transbordou. A principal área afetada foi o centro administrativo da Vale, onde, no momento do rompimento, havia cerca de 300 funcionários. Outros 120 estavam em outros locais da região da mina. A lama também atingiu a comunidade rural Vila Ferteco e chegou até o rio Paraopeba, a mais de 5 km da barragem. A lama se estende por uma área de 3,6 km² e por 10 km.

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