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Cuiabá MT, Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
CIDADES
Quarta-feira, 24 de Junho de 2020, 22h:32

SAÚDE EM COLAPSO

Covid-19 leva ao caos assistência hospitalar em MT

No SUS, a taxa de ocupação dos leitos de UTI chegou a 87,1% e na rede privada a 97%

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Mato Grosso atingiu o colapso na rede de assistência hospitalar ofertada aos pacientes que apresentam sintomas graves provocados pela Covid-19. No Estado, já há infectados esperando por vagas em unidade de terapia intensiva (UTIs) e ambulâncias do Serviço Móvel de Urgência (Samu) chegam a esperar até cinco horas até surgir uma vaga para os pacientes em uma das unidades hospitalares referência para o tratamento da doença e que estão com ocupação máxima.

“O diagnóstico completo chega ao colapso da assistência. Chegamos ao caos. O caos já está estabelecido, colapso. Orientado e sempre alertado que poderia chegar. Nesse momento, o que se pode fazer? Conter a população. Adotar as medidas que sempre foram dadas mundo afora, por especialistas do mundo inteiro e que só há uma maneira nesse momento de conter que é o isolamento social. Não há outra alternativa que não seja melhorar isolamento social e a assistência primária na entrada dos pacientes”, afirmou o secretário de Estado de Saúde (Ses-MT), Gilberto Figueiredo, durante uma live nas redes sociais.

Nesse sentido, ele reforça a importância de os municípios adotarem medidas restritivas mais rigorosas para conter a circulação desnecessária das pessoas. “Portanto, àqueles que pensam nesse momento que não precisam reduzir fluxo das pessoas estão equivocados e vão contribuir para que, se é possível, o caos ser maior. Eu acredito que pode ser maior se decisões importantes não forem tomadas”, frisou lembrando que cabe às prefeituras a adoção de medidas conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A perspectiva é que esse cenário deve continuar pelas próximas semanas. Isso porque não há perspectiva de ampliação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) em um curto prazo de tempo. Dados do boletim epidemiológico da Ses-MT, datado da última terça-feira (23), apontam que apenas no Sistema Único de Saúde (SUS) a taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos ao tratamento de infectados para a Covid-19 é de 87,1%. Já na rede privada chegou a 97%. “A situação é grave, gravíssima e deve piorar nos próximos dias. Você, que ainda não acredita no vírus, saiba que a capacidade assistencial do SUS nesse momento está colapsada, sem perspectiva de que em um curtíssimo prazo possa melhorar”. O secretário lembrou ainda que muitos pacientes estão chegando nos hospitais com quadro muito grave ou avançado da doença.

Figueiredo destaca também que a pandemia também ocasionou certa dificuldade na aquisição de equipamentos, medicamentos e ou mesmo quanto à contratação de profissionais na área da saúde necessários. “Existe um colapso mundial na oferta de equipamentos. Nesse momento, o colapso está nas instalações hospitalares, de fornecimento de equipamento, de fornecimento de medicamentos e de profissionais na área da saúde. São quatro condicionantes importantes para o enfrentamento a qualquer pandemia no mundo”, frisou.

Daí a importância do isolamento social para conter a proliferação do coronavírus e achatar a curva de contaminação, consequentemente, evitar sobrecarga na rede hospitalar. “A população precisa adotar e entender que as medidas não farmacológicas como isolamento social é ainda um dos únicos mecanismos para que a gente possa conter e deixar a contaminação ao nível da assistência hospitalar”.

Ainda, conforme dados do boletim da Ses, o Estado confirmava 11.017 casos da Covid-19, sendo registrados 423 óbitos. Somente no período de 24 horas (segunda e terça-feira) foram 29 mortes envolvendo residentes de Várzea Grande, Rosário, Campinápolis, Cuiabá, Nova Olímpia, General Carneiro, Rondonópolis, Sinop, Tangará Da Serra, Querência e São José Do Povo.

Dentre os 20 municípios com maior número de casos estão Cuiabá (2.914), Rondonópolis (900), Várzea Grande (873), Sorriso (469), Primavera do Leste (449), Tangará da Serra (395), Lucas do Rio Verde (347), Sinop (295), Nova Mutum (288), Confresa (277), Campo Verde (239), Pontes e Lacerda (168), Barra do Garças (167), Cáceres (159), Campo Novo do Parecis (126), Alta Floresta (126), Nossa Senhora do Livramento (120), Querência (119), Sapezal (102) e Peixoto de Azevedo (98).

Dos casos confirmados, 6.205 estão em isolamento domiciliar e 3.927 estão recuperados. Entre casos confirmados, suspeitos e descartados para a Covid-19, 209 estavam internados em UTI e 201 em enfermaria. Isto é, a taxa de ocupação está em 87,1% para UTIs e em 25,6% para enfermarias. Considerando o número total de casos em Mato Grosso, 49,4% dos diagnosticados são do sexo feminino e 50,6% masculino; além disso, 2.996 pacientes têm faixa-etária entre 31 a 40 anos.

Atualmente, não existe vacina para prevenir a infecção pelo novo coronavírus. A melhor maneira de prevenir a infecção é evitar ser exposto ao vírus. Entre as orientações estão lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos e se não houver água e sabão, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas doentes; cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo; e limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

 


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