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Cuiabá MT, Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
CIDADES
Domingo, 17 de Janeiro de 2021, 08h:35

LIBERDADE DE CRENÇA

Crime de injúria por intolerância religiosa é muito comum em Cuiabá

Mulher que praticou injúria contra vizinha que trabalha em templo de umbanda foi detida e responde na Justiça

ALECY ALVES
Da Reportagem

Em Mato Grosso, não há dados específicos, mas é notável que, assim como no Brasil e em tantos outros países, a intolerância religiosa é bem mais presente do que se poderia imaginar.

É praticada na forma de crimes de injúria, preconceito, discriminação, entre outros, especialmente contra adeptos de religiões de matrizes africanas, como o candomblé e a umbanda.

De acordo com estatística da Superintendência do Observatório de Segurança, órgão ligado à Secretaria Adjunta de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, no ano passado, a pasta registrou 459 denúncias de injúria, preconceito, discriminação, entre outros crimes, em razão da cor, etnia e religião.

No ano anterior, 2019, houve mais registros: 531.

Na estatística de 2020, está a denúncia de uma funcionária cuiabana que sofreu injúria da chefia por ser do candomblé e ter ido trabalhar após raspar a cabeça em um ritual religioso.

Neste ano, uma das primeiras denúncias, com a detenção em flagrante da suspeita, foi apresentada no dia 5 por uma mulher de 34 anos, também moradora de Cuiabá.

Ela acionou a Polícia depois que a vizinha, de 22 anos, lhe dirigiu xingamentos e ameaças por ela ser adepta e trabalhar em um templo de umbanda.

Conduzida à delegacia, a acusada saiu livre logo depois de assinar um TCO (Termo Circunstanciado).

Agora, responde em procedimento que tramita no Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, é uma data para lembrar que a liberdade de crença, ou mesmo de não ter uma. É um direito de todos.

E que no Brasil é crime desrespeitar, discriminar e agredir o outro em função da escolha da religião.

Arquivo Pessoal

Jupirany e esposa

Há 15 anos, Jupirany Devillart atua em seu próprio templo, com a esposa, Tanane Carreira, e os filhos

Adepto do Candomblé, o fotógrafo Jupirany Devillart, 54 anos, dirige em Cuiabá o templo "Tenda Espírita Caboclo 7 Flechas".

Sob a identidade religiosa "Jupirany de Odé", ele atribui à falta de informação e à negação da busca do conhecimento os crimes de intolerância.

Jurirany diz que ele, propriamente, não enfrenta preconceito, mas os filhos já sofreram, especialmente quando iam às escolas com trajes dos orixás, as roupas e adereços.

Ele diz que ensinou os filhos a não terem vergonha da religião e a mostrarem que sabem sobre os seus direitos para que assim possam cobrar o respeito.

No candomblé e na umbanda, destaca Jupirany de Odé, a livre expressão religiosa é primordial.

Em seu templo, observa, habitualmente, ele recebe em seus cultos seguidores de outras religiões.

Nascido em Niterói (RJ), Jupirany diz que, desde os sete anos, freqüenta espaços de candomblé e umbanda.

Em Mato Grosso, há 15 anos, atua em seu próprio templo, juntamente com a esposa, Tanane Carreira, e os filhos. 


1 COMENTÁRIO:







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STEFANO SANCHES  17-01-2021 10:02:05
Parabéns JUPIRANY, exemplo de Seriedade e comprometimento com a RELIGIÃO a frente de seu Templo Espírita CABOCLO SETE FLECHAS ( terreiro de Umbanda e Candomblé) .

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Prefiro o VLT
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Nenhum dos dois
Deveriam melhorar o atual sistema de ônibus
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