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CIDADES
Terça-feira, 01 de Outubro de 2019, 17h:19

CALÇADAS DO BRASIL

Cuiabá fica entre os 3 piores no ranking de “caminhabilidade”

Numa escala de zero a dez, Cuiabá atingiu a nota 4,79, abaixo da média nacional

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Cuiabá está entre as três capitais brasileiras com as piores classificações em um ranking sobre acessibilidade e caminhabilidade, divulgado pela Mobilize Brasil, um portal de conteúdo exclusivo sobre mobilidade urbana sustentável. A classificação da capital mato-grossense foi exposta no relatório final da campanha “Calçadas do Brasil 2019”. Numa escala de zero a dez, Cuiabá atingiu a nota 4,79, abaixo da média nacional, que ficou em 5,71. Os critérios do estudo estabelecem que o mínimo aceitável são 8 pontos.
O estudo avaliou a condição das calçadas, da sinalização para os pedestres, o conforto e a segurança para quem caminha nos entornos de edificações públicas e apontou que nenhuma capital brasileira apresenta condições adequadas para circulação de pedestres e cadeirantes nas calçadas, ruas e faixas de travessia. O levantamento mostrou que, em maior ou menor medida, quem precisa caminhar nas capitais brasileiras, enfrenta dificuldades.
Entre os desafios estão calçadas estreitas, buracos, degraus, postes, faixas de travessia apagadas, semáforos ausentes ou deficientes, ambientes agressivos e poluídos e nenhum local para descanso em dias de calor ou chuva. Em outras palavras, as cidades brasileiras apresentam baixa caminhabilidade.
A capital brasileira mais bem analisada nesses critérios foi São Paulo, que ficou com a nota 6,93, seguida por Belo Horizonte, com 6,84, e Florianópolis, com 6,73. Além da capital mato-grossense, as outras duas com as piores classificações foram Belém com nota 4,52, seguida por Fortaleza, com 4,53. Brasília ficou na sétima posição, com nota 6,25.
A campanha “calçadas do Brasil + 2019” é uma iniciativa de organizações que lutam para melhorar a mobilidade a pé nas cidades brasileiras. A campanha surge como uma continuidade da ação realizada pelo portal “Mobilize Brasil em 2012/2013 e que alcançou grande repercussão nacional. O estudo foi feito por uma rede de colaboradores nas 27 capitais, que saíram às ruas entre os meses de março e julho para fazer o levantamento nas proximidades de locais com grande circulação de pessoas a pé, como hospitais, escolas, mercados, terminais de transportes, edifícios da administração pública, praças e parques, entre outros espaços.
Os avaliadores visitaram, fotografaram, tomaram medições e atribuíram notas de zero a dez para cada um dos 13 itens considerados na pesquisa, sendo eles, regularidade do piso, largura da calçada, inclinação transversal da calçada, existência de barreiras e obstáculos, condições de rampas de acessibilidade, faixas de pedestres, semáforos de pedestres, mapas e placas de orientação, arborização e paisagismo, mobiliário urbano, poluição atmosférica, ruído urbano e segurança.
Um dos coordenadores da iniciativa, Marcos de Sousa, informou que os resultados mostraram que as escolas, hospitais e centros de saúde são os piores lugares para caminhar, justamente os lugares com maior presença de idosos e crianças e de pessoas mais humildes. “As sedes das Câmaras municipais, as sedes das prefeituras, ou os edifícios onde está o centro do poder, são bem tratados. Os hospitais, creches, escolas e centros de saúde são os locais em que encontramos as piores condições possíveis, degradantes, o que faz com que as pessoas tenham que andar na rua, às vezes, arriscando a vida”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Ainda, segundo o levantamento, todos os lugares avaliados na pesquisa eram de responsabilidade direta dos governos, em seus três níveis. “Se os governantes não cumprem as leis e normas, como esperar que o morador zele por sua calçada?”, questionou Ricky Ribeiro, diretor do Mobilize Brasil. “O estudo mostrou, de forma geral, que não existe uma política nacional de mobilidade urbana que, teoricamente, daria prioridade ao pedestre ou ao ciclista”, acrescentou Sousa.
Já a arquiteta e urbanista Marília Hildebrand, membro do Mobilize Brasil, entende que a sociedade perde em integração e diversidade quando deixa de apresentar calçadas adequadas para sua população. “Se pensarmos que a calçada também é um espaço público e que ela permite que as pessoas vivenciem a cidade e se desloquem entre os seus espaços, uma má qualidade de calçadas vai influenciar diretamente na falta de integração do cidadão com a cidade”, disse. “Sem contar que isso é uma grande restrição para as pessoas com mobilidade reduzida”.
Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura disse que, por ter se desenvolvido de forma não planejada, Cuiabá possuí uma alta demanda desta natureza. Porém, apesar de ser uma situação que não se pode sanar a curto prazo, o município tem buscado avançar nesse quesito e melhorar a situação para toda população. “Foi criado o programa ‘Minha Rua com Calçada’, que tem alcançado bairros e grandes vias da cidade”, afirmou.
Segundo a administração municipal, atuando de forma contínua, a iniciativa segue atendendo a cidade. “O programa já foi levado para bairros como Três Barras, Campo Verde, Carumbé, Pascoal Ramos e também para avenidas como a Historiador Rubens de Mendonça, mais conhecida como do CPA, Rua Carmindo de Campos, Palmiro Paes de Barros e trecho da Miguel Sutil. “Além disso, é uma exigência da atual gestão que todas as obras de pavimentação, executadas pela prefeitura, contemplem também a edificação dos passeios públicos”, afiançou.


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