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Cuiabá MT, Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
CIDADES
Quinta-feira, 25 de Junho de 2020, 00h:30

AVANÇO DA PANDEMIA

Cuiabá recorre ao TJ e VG estuda recurso contra lockdown

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Após defender que a decisão do juiz José Leite Lindote em decretar quarentena coletiva obrigatória por 15 dias, em Cuiabá, seja ampliada para todos os municípios de Mato Grosso, o prefeito Emanuel Pinheiro confirmou, ontem (24), o ingresso de um agravo no Tribunal de Justiça (TJ) para tentar reverter a decisão judicial, que também vale para a cidade vizinha de Várzea Grande. A determinação é para fechamento do comércio geral a partir de hoje (25).

A ação seria protocolada ainda pela manhã pela Procuradoria Geral do Município (PGM). Já a prefeitura de Várzea Grande voltou atrás de seu posicionamento em cumprir a decisão da Justiça e também não descartava recorrer da medida. No entendimento de Pinheiro este não é o momento de se decretar uma quarentena coletiva em que pese os mais 121 óbitos registrados na capital. “Cuiabá fez o dever de casa. Já fez a sua quarentena e até hoje ainda tem atividades suspensas como é o caso das escolas, academias e feiras, que pelas suas características oferecem um risco maior do contágio. Cuiabá existe toda uma equipe técnica que há mais de quatro meses trabalha em cima do combate à Covid-19”, disse.

Segundo ele, Cuiabá segue protocolo técnico e científico da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) e, seguindo as recomendações, já adotou o isolamento social. “O que não é justo é adotar uma medida de lockdown, de fechamento das duas maiores cidades do Estado e abre todo o interior quando sabemos que, na realidade, por falta de leitos de UTI no interior e por uma falta de uma melhorar estrutura no interior é que os pacientes migram para cá”’, criticou Pinheiro.

Para ele, a capital está sendo penalizada mesmo fazendo o dever de casa. “Tranca os cuiabanos dentro de casa e abre o Estado todo, que com certeza vai migrar para cá o que é natural e vai continuar superlotando os nossos leitos”, afirmou. “É necessário justiça e se tiver que decretar o lockdown que o faça no Estado inteiro. Não tem sentido trancar os cuiabanos em casa, quebrar as empresas, o comércio, promover o desemprego e a população não terá dinheiro para comprar alimentos sequer para comprar os produtos de higiene”, completou.

Como argumento, Pinheiro apresenta ainda os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que demonstram que 60% dos leitos de UTIs destinados para esses pacientes são ocupados pela população do interior. Além disso, a taxa de crescimento de casos na capital que, nos últimos sete dias, é de 5,7%, continua abaixo da taxa total de Mato Grosso, que atingiu 7%. Nos últimos 14 dias, o número é de 5,6%, para Cuiabá, e 6,5%, para Mato Grosso. “O SUS é universal e estamos de portas abertas para atender todos os munícipes. Todavia, que respeitem a nossa capital e não a prejudiquem. Cuiabá está sufocada e, caso confirme essa decisão, será tremendamente penalizada”, completa.

Assim, para ele, os números demonstram uma clara “interiorização” do vírus. “Cuiabá fez o dever de casa e querem que paguemos o preço por quem não fez. Isso não é justo. Se tivermos que decretar o lockdown, que façamos no Estado inteiro. Não tem sentido prender a população dentro de casa, tirar o seu emprego, quebrar as empresas da nossa capital. Não é justo aplicar tudo isso em Cuiabá e deixar aberto o restante do estado”, reforçou.

SAÚDE ESTADUAL - O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, discordou da posição defendida pelo prefeito Emanuel Pinheiro de que todos os municípios sejam submetidos ao lockdown. Porém, Figueiredo apontou que as medidas mais enérgicas devem ser adotadas nos municípios com classificação de risco “muito alto”, segundo orientação do decreto nº 522/2020.

“Eu concordo que todos os municípios que chegarem à mesma categoria que Cuiabá e Várzea Grande adotem medidas idênticas. Não há justificativa para o município que atingiu nível muito alto de risco não tenha as decisões tomadas igual foi tomado aqui na Grande Cuiabá”, disse. Além da capital e de Várzea Grande, esta é a situação de outras 11 cidades Alta Floresta, Cáceres, Nossa Senhora do Livramento, Nova Mutum, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião, Primavera do Leste, Rondonópolis (que também teve o lockdown decreto pela Justiça), Sinop, Sorriso e Tangará da Serra.

 


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