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Cuiabá MT, Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
CIDADES
Sexta-feira, 26 de Junho de 2020, 08h:00

A PANDEMIA AVANÇA

Curva do contágio do vírus cresce e MT deve ficar sem UTIs

Estudo IFMT-UFMT aponta que, até o fim de julho, o número de doentes precisando de UTI será o dobro do número de leitos disponíveis

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
O estudo aponta que, até o final de julho, o número de casos de doentes precisando de UTI será o dobro do número de leitos disponíveis

Mato Grosso não terá mais leitos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para Covid-19 a partir de 30 de junho.

A projeção é de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e foi publicada na última quarta-feira (24).

O estudo reforça que a curva de contágio do novo coronavírus está em ascensão e também aponta que, até o final de julho, o número de casos de doentes precisando de UTI será o dobro do número de leitos disponíveis.

O levantamento consta em nota técnica intitulada “Demanda Por UTIs em Mato Grosso em decorrência da pandemia da Covid-19: situação e projeção para as macrorregiões de Saúde”.

O estudo é elaborado pelos professores Ana Paula Muraro e Lígia Regina de Oliveira, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC); Emerson Soares dos Santos, do Departamento de Geografia; Moisés dos Santos Cecconello, do Departamento de Matemática; e Ruan Carlos Ramos da Silva, do IFMT.

No documento, eles apresentam a oferta e distribuição de leitos clínicos e de UTI para atendimento aos casos da infecção no Estado, além de fazer projeções sobre a evolução da doença e, consequentemente, da demanda por leitos de UTI.

"Pelas estimativas, se a velocidade com que vem surgindo novos casos da doença não sofrer alterações, em poucos dias, poderemos enfrentar o colapso do sistema público de Saúde, com a impossibilidade de atender adequadamente casos graves da doença", afirmam os pesquisadores.

Os resultados apresentados na nota técnica foram produzidos a partir de dados sobre a Covid-19, divulgados pela na Secretaria de Saúde do Estado, e também tem como dados populacionais a estimativas para 2020, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segundo o levantamento, em cinco das seis macrorregiões de Saúde de Mato Grosso, o número de leitos de UTI disponíveis já apresentava saturação no dia 21 de junho, sendo a exceção a macrorregião Centro-Norte, onde fica Cuiabá e Várzea Grande.

"Isso implica que a demanda não atendida nos hospitais de referência desses lugares, provavelmente, tem sido regulada para os hospitais da região de Cuiabá e Várzea Grande", explicam.

A distribuição desigual no número de leitos de UTI também é responsável por essa situação.

Embora todas as macrorregiões possuam leitos de UTI exclusivos para casos de Covid-19, estes estão distribuídos em apenas nove dos 141 municípios do estado, sendo eles, Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis, Barra do Garças, Juína, Alta Floresta, Sinop e Sorriso.

Os pesquisadores apontam que na porção Leste do Estado, por exemplo, a distância até um leito de UTI pode ser de quase 700 quilômetros.

"A flexibilização das medidas de distanciamento social contribui para a disseminação da doença, mantendo o número crescente de casos novos e óbitos.

“As consequências serão ainda mais devastadoras se os serviços de Saúde não atenderem ao progressivo aumento da demanda caracterizada pelo crescimento exponencial do número de casos de Covid-19 em Mato Grosso e em suas macrorregiões", apontam.

De acordo com as projeções, se a taxa de contágio não for reduzida até o final de julho, o número de casos de Covid-19 que necessitarão de leitos de UTI será o dobro do número de leitos de UTI disponíveis para a doença em todo o Estado.


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