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Cuiabá MT, Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2020, 08h:00

LINHA DE FRENTE

Em MT, 25 enfermeiros e técnicos já perderam a luta contra a Covid-19

Em meio aos cuidados com pacientes, categoria enfrenta o desafio de lutar pela valorização profissional

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
Em meio aos cuidados dispensados aos pacientes, a categoria ainda enfrenta do desafio de lutar pela valorização profissional

Em Mato Grosso, 25 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem já perderam a vida na linha de frente de batalha contra a Covid-19.

Em meio aos cuidados dispensados aos pacientes, a categoria ainda enfrenta do desafio de lutar pela valorização profissional e pede a conscientização da população para que colabore e adote as medidas de prevenção, como o isolamento social.

Tanto que, nesta sexta-feira (31), em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), lançam o movimento “Enfermagem movimento pela vida”.

“Tem gente morrendo para cuidar de quem não está se cuidando e sem valorização nenhuma”, disse o presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), Antonio César Ribeiro, ao falar sobre impacto da pandemia na saúde física e mental dos profissionais que atuam na linha de frente nas unidades de saúde, durante uma transmissão ao vivo feita pelo site “Primeira Hora”.

“Cada notícia de óbito tira você do prumo”, afirmou.

Somente nesta semana, três profissionais morreram em decorrência da Covid-19, no Estado.

Na quarta-feira (29), faleceu a servidora aposentada Marta Araújo Souto, enfermeira que atuou em diversos setores do órgão estadual durante 22 anos.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, antes de se aposentar, Marta Souto exerceu seus últimos dias de trabalho na coordenaria de Vigilância Epidemiológica, profissional de referência em casos de meningite.

Em Taboporã (640 km ao Norte de Cuiabá), Lauro Bassani, que era funcionário do setor de saúde, sendo reconhecido também pelo trabalho desenvolvido no município de Nova Fronteira.

Já em Sorriso (420 km ao Norte), faleceu Juceli Pereira da Costa, que atuava na UPA do município. Segundo o Coren-MT, ela deixa o esposo, também técnico de enfermagem, e dois filhos.

Antes, no sábado (25), veio a óbito o técnico de enfermagem Klediston Kelps, de 22 anos.

Ele deu entrada na unidade de pronto atendimento (UPA) de Primavera do Leste (240 km ao Sul), no final de junho.

O estado de saúde dele se agravou e, no dia 18 de julho, o jovem foi transferido para a UTI de um hospital particular do município, onde ficou sete dias internado.

No sábado (25), ele não resistiu e morreu em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus.

Em vários países, a pandemia demonstrou, de forma avassaladora, a importância dos profissionais de enfermagem, que mesmo enfrentando os próprios medos, seguem garantindo o atendimento da população.

Em meio a pandemia, a angústia é ainda maior.

O desafio diário de cuidar das pessoas se amplia, diante do risco de contágio, ao mesmo tempo em que se tem a certeza de realizar um trabalho essencial, capaz de salvar milhares de vidas. Porém, falta valorização e melhorias das condições de trabalho.

Segundo Ribeiro, atualmente, as principais denúncias são referentes a qualidade e quantidade dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e quanto ao dimensionamento do número de equipes para atuar nas unidades de terapia intensiva (UTIs), em número inadequado para um planto de 12 horas.

“A gente tem vídeos, fotografias e situações que mostram a péssima qualidade desses EPIs e que não dão segurança ao trabalhador”, disse.

Diante de cenários como estes, o Coren-MT já impetrou ao menos sete ações civis pública por descumprimento de notificações pedindo melhorias nas unidades hospitalares.

Em Rondonópolis, por exemplo, a Justiça do Trabalho já determinou que a prefeitura forneça equipamentos de proteção individual adequados a todos os profissionais.

A prefeitura informou que está cumprindo a decisão e que também iniciou nesta semana a implantação de um serviço de assistência psicológica aos profissionais da saúde.

O atendimento será prestado por psicólogos do Centro de Reabilitação Nilmo Junior, mas o município não informou quando o serviço estará em funcionamento.

MOVIMENTO - Os profissionais da enfermagem de Rondonópolis também vão realizar um manifesto a favor da vida, que acontecerá em frente ao cemitério da Vila Aurora, na Avenida Lions Internacional.

A iniciativa visa pedir que a enfermagem seja vista com respeito, e que a população colabore com o trabalho daqueles que estão na linha de frente do enfrentamento à Covid-19.

A iniciativa “Enfermagem movimento pela vida” surgiu após três óbitos de profissionais de enfermagem por Covid, ocorridos na cidade.

Também visa a conscientizar a população da necessidade de seguir as medidas de segurança, para que mortes sejam evitadas, em especial dos trabalhadores que estão nos hospitais correndo risco diariamente para salvar vidas. A iniciativa começou a campanha de forma virtual, para que a população seja sensibilizada. “

Além da busca pela conscientização da população, é necessário o reconhecimento do trabalho e valorização da profissão”, diz em um trecho da manifestação. “A enfermagem permanece 24 horas ao lado do leito e por muitas vezes recebe um baixo salário, trabalha numa carga horária exaustiva, exposta aos riscos biológicos e dimensionamento insuficiente de profissionais”, acrescentou.


1 COMENTÁRIO:







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Levi Cuiabano  31-07-2020 10:20:39
Parabéns aos Profissionais de Enfermagem (Auxiliares, Técnicos e Enfermeiros)! Pena que, nem numa pandemia, os gestores públicos (governador, prefeitos), vereadores, deputados (federais e estaduais), senadores, reconhecem o trabalho desses verdadeiros heróis. Pois, caso contrário, já teriam proposto projetos de leis para que esses profissionais de saúde, tivessem um salário digno. Quanto aos irresponsáveis, que vivem se aglomerando, não há outra solução, senão, os rigores da lei.

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