NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 08 de Agosto de 2020
CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2020, 00h:00

ENSINO VIRTUAL

Estado retoma aulas e sindicato aponta exclusão à educação

O calendário escolar na rede prevê aulas não presenciais e presenciais, ambas computadas como carga horária letiva

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Após quatro meses suspensas por conta da pandemia da Covid-19, as aulas para os alunos da rede estadual de ensino retornam na segunda-feira (03) de forma não presencial. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), as atividades serão ofertadas de duas formas. Uma delas “online” por meio da plataforma digital “Aprendizagem conecta” e, a outra, “off-line” com a utilização de apostilas para quem não tem acesso à internet. Mas, para o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep-MT) o projeto nasce comprometido, gera inseguranças e amplia a exclusão ao direito à educação.

Na rede, o calendário escolar prevê aulas não presenciais e presenciais, ambas computadas como carga horária letiva. Para as unidades do primeiro calendário, que iniciaram o ano letivo de 2020 em 10 de fevereiro e já concretizaram 14% do total de dias letivos, a reposição será com 40% não presencial e 46% presencial, totalizando os 100% das 800 horas. Já para as escolas do segundo calendário, que não iniciaram o ano letivo de 2020, a carga horária de aulas será de 40% não presencial e 60% presencial.

Por meio da assessoria de imprensa, a secretária de Estado de Educação, Marioneide kliemaschewsk, afirmou que as aulas não presencias terão a participação e envolvimento de toda a unidade educacional, ou seja, equipe gestora, coordenador pedagógico e, principalmente, do professor. “O professor será o protagonista do processo ensino-aprendizagem”, avalia. As atividades não presenciais serão organizadas em cinco etapas, sendo elas, produção do material escolar, com a organização semanal de estudos e planejamento do professor; disponibilização do material escolar; atendimento ao estudante; intervenção pedagógica; e registro em tempo real no final do semestre.

Além disso, por meio de uma parceria com a Microsoft Corporations, será disponibilizado aos estudantes e professores o aplicativo Teams, uma ferramenta para auxiliar nas aulas online. O aplicativo é uma multiplataforma que pode ser utilizada a partir de um computador pessoal, notebook, tablet ou o celular. “Com ele, os professores poderão interagir com os estudantes, compartilhar arquivos e sites, criar blocos de anotações de classe, além de disponibilizar tarefas e questionários”, informou o órgão estadual.

Porém, o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep-MT) tem recebido diversos relatos frente a demanda exigida aos profissionais pelas aulas remotas e a percepção de que o resultado já nasce comprometido. “São inúmeras as queixas, do excesso de trabalho para além da jornada à dedicação sete dias por semana para atender todas as demandas que o modelo virtual e a ausência de assistência do governo, exigem”, aponta.

Professora e primeira secretária do Sintep/MT, Sidinei Oliveira Cardoso, avalia que, além de estudar a plataforma, os profissionais irão iniciar as atividades como “meros transmissores, já que a aula não foi preparada por eles. “Outro desafio é o uso dos equipamentos pessoais, nem sempre com potencial que sistema exige. Nós bancamos a internet. Não podemos fazer esse serviço na escola porque as escolas não têm computador e nem internet de qualidade, enfim, o ambiente não é adequado, podendo assim aumentar a proliferação da doença”, disse.

Os questionamentos apresentados também são quanto a exclusão com os estudantes sem acesso às tecnologias. Secretária adjunta do Sintep/MT, Maria Luiza Zanirato, pedagoga com atuação na rede municipal, em Cuiabá, argumenta que imprimir o material didático e distribuir não atende as necessidades educativas desses estudantes que, sem apoio dos profissionais retomarão as atividades presenciais com mais dificuldades do que aquelas que tinham antes da pandemia.

Para o presidente do Sintep/MT, Valdeir Pereira, faltam políticas públicas que atendam a esses alunos e profissionais, como parceria com operadoras de telefonia para assegurar a internet, ou bônus de créditos, já que muitos estudantes apesar do celular, não possuem conectividade para acesso às aulas online. Além disso, faltou a elaboração de um projeto de atendimento aos estudantes carentes, com metodologias inclusivas e interativas. “O objetivo é cumprir o calendário escolar, mesmo que a aprendizagem e a formação não sejam priorizadas”, acredita.

A Seduc frisa que vai continuar ofertando as videoaulas pela TV Assembleia, tanto para os alunos do ensino médio quanto para os do fundamental. Para os alunos sem acesso à internet, o órgão estadual de educação disponibiliza apostilas impressas que podem ser solicitadas pelos pais diretamente na escola. Para arcar com as despesas com essas impressões, a secretaria repassa recurso para as escolas por meio do "Programa Político Pedagógico".

Destaca ainda a formação continuada com os professores efetivos e contratados sobre o uso de tecnologias digitais que serão usadas nas aulas não presenciais, como, por exemplo, o uso de recursos da Microsoft Teams. Para ter acesso às aulas online, o aluno deve entrar no www.aprendizagemconectada.mt.gov.br ou no site da Seduc www.seduc.mt.gov.br.

 


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.




ENQUETE
Como você vê as acusações entre Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro sobre o caos na pandemia?
O governador é o culpado
O prefeito da Capital também tem culpa
Essa briga prejudica as ações de combate à Covid-19
É uma disputa político-eleitoral
PARCIAL