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Cuiabá MT, Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
CIDADES
Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020, 00h:00

CONTRA COVID-19

Mendes anuncia vacina para janeiro, mas Bolsonaro veta compra

O anúncio feito pelo governador Mauro Mendes ocorreu após reunião do Fórum Nacional dos Governadores, que contou com a presença do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Horas após o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, informar que, em janeiro de 2020, o Estado receberia as primeiras doses da vacina chinesa, a Coronavac, contra a Covid-19, o presidente da República Jair Bolsonaro afirmou, em sua página no Facebook, que o Brasil não irá comprar "a vacina da China".
O anúncio de Mendes foi feito após reunião por videoconferência do Fórum Nacional dos Governadores e que contou com a participação do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. No encontro virtual, Pazuello confirmou que, em janeiro do ano que vem, os estados brasileiros estariam recebendo as primeiras doses da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.
“Ficou acertado nessa reunião que aconteceu com as presenças de quase todos os governadores, com o ministro, de alguns representantes da Fiocruz e de outras instituições que estão trabalhando com a pesquisa para o desenvolvimento da vacina contra o coronavírus no país, que em janeiro (2021) o Ministério vai ter disponível para mandar para os estados brasileiros em torno de 46 milhões de doses para serem distribuídas”, informou Mendes por meio das redes sociais oficiais do governo do Estado.
Segundo o governador, em fevereiro, um novo lote estaria sendo disponibilizado para todo o país. “E, no primeiro semestre (de 2021), nós teremos outras entregas das diversas empresas que estão produzindo no Brasil, da Fiocruz e Butantan. Todos eles, o Ministério estará fazendo aquisições e vai disponibilizar a partir de janeiro para os estados brasileiros e nós teremos aqui em Mato Grosso a vacina a partir de 2021”, reforçou.
Já ontem pela manhã, diante do recuo do governo federal, o governo do Estado emitiu uma nota em que defendeu que a União lidere esse importante processo e disponibilize a vacina contra a Covid-19 à população. “E, o mais importante: que as vacinas entregues sejam confiáveis e devidamente atestadas pelos órgãos sanitários”. A CoronaVac teve testes em sete estados, incluindo em Mato Grosso, e no Distrito Federal. No Estado, 800 profissionais de saúde participam como voluntários dos ensaios clínicos do imunizante.
Entretanto, Bolsonaro sinalizou que não vai permitir que o Ministério da Saúde compre doses da Coronavac. Em resposta a um jovem no Facebook, ele afirmou que a vacina “não será comprada”. “Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor”, escreveu um suposto apoiador. Bolsonaro respondeu, em caixa alta, que a Coronavac “não será comprada”.
Após, também disse que qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, a declaração contradiz os esforços do governo Bolsonaro em divulgar, incentivar e produzir cloroquina, medicamento cuja eficácia nunca foi comprovada contra a infecção causada pelo novo coronavírus. O Exército brasileiro havia produzido até julho 3 milhões de comprimidos do medicamento. Os custos da produção, de mais de R$ 1,5 milhão, são alvo de investigação do Ministério Público de Contas e do TCU.
Além disso, em 6 de agosto, Bolsonaro assinou Medida Provisória (MP) que libera R$ 1,9 bilhão para produção, compra e distribuição de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca, e que também está na mesma fase de teste da CoronaVac. No Brasil, a pesquisa sobre esse imunizante é liderada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
SEGURANÇA – No início desta semana, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a Coronavac é a mais segura entre as que estão em desenvolvimento contra a Covid-19 no mundo. A declaração foi dada durante a apresentação dos dados da segunda fase de estudos na última segunda-feira (19).
No Estado, o ensaio clínico está sendo conduzido pelo Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT/Ebserh), localizado em Cuiabá. A operacionalização do estudo denominado “ProfisCOV” começou no último dia 06. Ligado à Universidade Federal (UFMT), o HUJM funciona como centro aplicador da testagem. A primeira voluntária a receber a dose foi a médica infectologista, Giovana Volpato Pazin Feuser.
De acordo com Covas, os voluntários brasileiros tiveram reações leves, sendo as mais comuns dor no local da aplicação e cefaleia. Não foram apresentadas reações de grau 3, que são as mais graves. Apenas 0,1% dos voluntários tiveram febre.
No Brasil, mais de 12 mil pessoas já foram vacinadas na fase de testes. Vale reforçar que a Anvisa precisa autorizar o registro da vacina para que as doses possam ser disponibilizadas à população e os primeiros a receberem as doses deverão ser os profissionais da saúde e as pessoas que se enquadram nos grupos de risco.


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