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CIDADES
Quinta-feira, 03 de Novembro de 2016, 20h:15

VIOLÊNCIA

Número de estupros cresce 15% em MT

Enquanto no Brasil o número de vítimas de estupros diminuiu em aproximadamente 10% entre 2014 e 2015, em Mato Grosso cresceu quase 15%

Aline Almeida
Da Reportagem
Enquanto no Brasil o número de vítimas de estupros diminuiu em aproximadamente 10% entre 2014 e 2015, em Mato Grosso cresceu quase 15%. Os dados são do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Estado tem a 3ª maior taxa de estupros. No Brasil foram registrados 50.438 estupros em 2014 (uma média de 24,9 a cada 100 mil). Em 2015 o número caiu para 45.460 em 2015 (22,2 a cada 100 mil). Já no Estado 2.778 pessoas foram estupradas nos dois anos. Foram 1300 casos em 2014 e 1478 (40,3 a cada 100 mil) em 2015 (45,3 vítimas a cada 100 mil). A incidência a cada 100 mil habitantes no Estado supera o nível nacional: são 22,2 no Brasil e 45,3 em Mato Grosso. O ranking é liderado pelo Acre, que registrou 65,2 casos por 100 mil, e Mato Grosso do Sul, com 53,9 casos/100 mil no ano passado. Os dados mostram ainda que, nas capitais do Brasil, foram registrados 12.183 crimes contra a liberdade sexual (estupros) em 2014. Em 2015 foram 11.114. Comparando os dois anos, Cuiabá apresentou aumento de mais de 16% nos casos. De 363 registros em 2014 - correspondente a 43,1 casos a cada 100 mil - o número saltou para 428 em 2015 – 50,1 casos a cada 100 mil. Em relação às tentativas de estupros no Brasil o Anuário aponta 7.846 registros em 2014 (3,9 a cada 100 mil) e 6.988 em 2015 (3,4 a cada 100 mil). Em Mato Grosso de 142 casos registrados em 2014 (4,4 a cada 100 mil) subiu para 188 em 2015 (5,8 a cada 100 mil). A presidente do Conselho Estadual da Mulher, defensora pública Rosana Leite Antunes de Barros, afirma que apesar de os números serem assustadores, eles ainda não refletem a realidade. Ela ressalta que o estupro é o crime mais subnotificado no mundo. Segundo ela, apenas 10% dos casos chegariam às autoridades. Numa conta superficial, os casos que contabilizaram pouco mais de 1.400 poderiam ser 14 mil. As maiores vítimas deste tipo de crime costumam serem as mulheres e os menores de idade. Na maioria das vezes, as vítimas acabam não registrando ocorrência por vergonha e medo. Já no caso do estupro contra a mulher Rosana confirma que grande parte dos casos tem como consequência a hierarquização do homem, ou seja, o homem quer se mostrar superior. "Os dados são assustadores, mas 90% acabam nem chegando às autoridades policiais”, reforça. Por outro lado Rosana destaca que está ocorrendo um grande avanço em relação às mulheres. Ela frisa que as vítimas estão começando a acreditar no sistema de justiça e procurando amparo necessário. “Muitas coisas estão fazendo as mulheres se ‘empoderarem’ e se encorajarem, um dos motivos é a Lei Maria da Penha que vem trazendo grandes avanços”, disse. Dados – O Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 85% das mulheres têm medo de ser vítima de estupro. As mulheres na faixa etária entre 16 e 24 anos são as que mais temem. A pesquisa apontou ainda que 46% dos homens temem sofrer o crime. Quanto ao quesito "Percepção sobre violência sexual e atendimento a mulheres vítimas nas instituições policiais" o estudo revelou que 42% dos homens ainda consideram que a roupa ou a conduta das vítimas é que instigam o estuprador. No ano passado um movimento no país chamou a atenção em todo o país. Entre uma das bandeiras estava romper com a ideia de que a mulher é a causadora do estupro. A “Primavera das Mulheres”, por meio de hashtags, mobilizações nas redes sociais e até mesmo nas ruas trazia realidade muitas vezes desconhecidas. Vítimas de estupros se encorajaram e começaram a publicar “meu primeiro assédio”. As mulheres se uniram para mostrar que não estavam mais sozinhas e que não do estupro nada mais são do que vítimas.

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