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Cuiabá MT, Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
CIDADES
Sexta-feira, 16 de Outubro de 2020, 00h:00

PANTANAL

Onça que sobreviveu a fogo do Pantanal tem alta; falta plano de devolução

Órgãos do governo federal ainda não apresentaram um plano nem uma data para a devolução do felino ao seu hábitat

VINÍCIUS VALFRÉ
Especial para o DIÁRIO

Uma das onças-pintadas resgatadas com ferimentos provocados pelo fogo no Pantanal está apta a regressar à natureza após cerca de um mês submetida a modernos tratamentos veterinários custeados por ONGs e voluntários, em Goiás. Quanto menos tempo o animal selvagem ficar enjaulado, melhor para a readaptação.

Contudo, órgãos do governo federal ainda não apresentaram um plano nem uma data para a devolução do felino ao seu hábitat. Por outro lado, está nos planos das equipes do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, uma visita ao Pantanal na próxima semana para acompanhar a soltura da onça. A viagem está sendo planejada, mas ainda não está confirmada.

Ousado, nome dado por ribeirinhos ao exemplar da espécie, um macho, foi encontrado às margens de um rio de Mato Grosso, em 11 de setembro. Todo o processo de resgate, desde antes da chegada de veterinários e voluntários, foi documentado.

A possibilidade de retorno da onça tem uma carga simbólica para o bioma. Ela conseguiu escapar das chamas alcançando uma margem ainda preservada do Rio Corixo Negro. Quando foi descoberta, queimaduras de segundo grau nas quatro patas tinham minado sua habilidade para se alimentar.

Tratamentos modernos com ozônio e laser foram aplicados em dias intercalados. Agora, Ousado está forte, bem alimentado e pronto para voltar à vida selvagem. "A alta médica significa que ele não está sendo mais anestesiado. As feridas estão totalmente cicatrizadas. Agora, está na mão dos órgãos competentes decidir quando e para que região ele vai voltar", afirmou o veterinário Thiago Luczinski.

Especialista em animais silvestres, Luczinski é o responsável técnico da ONG Nex No Extinction, de Corumbá de Goiás. O local é um santuário de onças-pintadas. Ousado ficou sob cuidados da ONG, referência no País na atenção a felinos de grande porte.

BOLSONARO - O plano das equipes do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de fazer uma viagem ao Pantanal, na próxima semana, para acompanhar a soltura de uma onça-pintada que sobreviveu às queimadas foi cancelado.

A ideia tinha causado mal estar entre alguns voluntários que acompanham o processo de salvamento do felino e gerado críticas nas redes sociais.

Auxiliares do presidente Bolsonaro afirmam que ele tem viagens programadas para São Paulo, no dia 21, e para o Maranhão, no dia 23. Por enquanto, não há previsão de uma nova data para ida dele ao Pantanal.

O resgate e o tratamento da onça foram providenciados e custeados por ONGs e voluntários, sem participação do governo.

Autoridades federais apenas cederam o helicóptero da Marinha que tirou o animal de Poconé (100 km ao Sul de Cuiabá) e o levou até a Capital no mês passado, antes de os cuidados serem reassumidos por grupos não governamentais.

Nas redes sociais, usuários se queixaram da possível participação do presidente na reinserção do animal na natureza porque a atuação federal na recuperação foi mínima.

O Governo é duramente criticado pela falta de respostas para conter as queimadas que quase mataram o felino.

Ousado, que chegou a ter queimaduras de segundo grau nas quatro patas, foi tratado na ONG NEX No Extinction. Localizada em Corumbá de Goiás, a 80 quilômetros de Brasília, a instituição é referência no cuidado a onças há 20 anos e recebeu o animal do Pantanal a pedido de técnicos do governo.

Diante de críticas sobre a possível participação do presidente e do ministro no ato de reinserção, a entidade emitiu uma nota de esclarecimento para dizer que não é proprietária da onça e não é capaz de definir como, quando e onde será a soltura.

"Avisamos aos órgãos competentes sobre a alta, solicitamos a reintrodução na natureza o quanto antes, e só. O que acontece a partir daí não nos compete", diz trecho do comunicado.

PARA ONDE - A área da devolução de Ousado é uma incógnita até o momento. A reportagem procurou a Marinha, o Ministério da Defesa, o Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio em busca de informações sobre essa operação de regresso. A Marinha informou que "não recebeu solicitação de apoio". Os demais órgãos oficiais não se manifestaram. 


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