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Cuiabá MT, Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
CIDADES
Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2021, 09h:56

EFEITOS DA PANDEMIA

Pandemia causa dor pelas mortes e conquista de melhor saúde

Em MT, 4.520 morreram em 2020, vítimas da Covid, que também levou autoridades a investirem mais

EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Até mesmo infectologistas desconheciam o vírus. A irreverência popular o desqualificava.

O primeiro paciente testou positivo no dia 16 de março, em Cuiabá, e sobreviveu.

Em 3 de abril, o gerente de supermercado Luiz Nunes, de 54 anos, diabético, hipertenso e obeso, morreu vítima da doença em Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte da Capital), onde morava.

Todos os dias, até 31 de dezembro, foram registradas mortes, que somam 4.520, com média diária superior a 16.

O número de infectados chegou a 180 mil, conforme boletim de Secretaria de Estado de Saúde.

A pandemia se espalhou pelos 141 municípios, matando em 134 deles. Chegou às cidades, vilas e etnias aldeadas, infectando em todas as faixas etárias.

O novo coronavírus continua causando mortes e a população passou a temê-lo.

Na pandemia, a Saúde Pública de Mato Grosso avançou como nunca em tão pouco tempo.

Cidades que conheciam UTI e respiradores mecânicos por ouvir dizer, agora contam com os mesmos em hospitais públicos.

Os 183.673 infectados formam um núcleo de habitantes superior ao de Sinop, a quarta maior cidade mato-grossense e que tem 146.005 residentes.

A taxa de superação da doença é alta: 173.069 se recuperaram, mas 5.440 permanecem em isolamento domiciliar e 206 em UTIs da rede pública, que também recebe 217 pacientes para tratamento em leitos de enfermaria.

O registro de novos casos é considerado alto. Nas últimas 24 horas, foram notificados mais 741 testes positivos para o novo coronavírus.

A pandemia mudou hábitos. Excluiu o abraço, exigiu o uso de máscara, forçou o distanciamento entre as pessoas, incorporou aos costumes a higienização permanente das mãos com álcool gel ou com água e sabão.

Sob decreto de calamidade pública algumas atividades empresariais ou foram momentaneamente suspensas ou sofreram restrições.

Algumas prefeituras decretaram "lei seca". Tradicionais eventos religiosos, esportivos e sociais foram cancelados.

Mato Grosso inteiro foi atingido. Cuiabá é o epicentro, com 1.175 mortes e 41.520 casos.

Em números absolutos, os municípios mais populosos são os que registram maior quantidade de óbitos e de infectados, mas as médias e pequenas cidades não foram poupadas.

A doença também chegou às terras indígenas; em Marãiwatsédé, dos xavantes, no Vale do Araguaia, levou um bebê de oito meses à morte.

Nos aldeamentos das diversas etnias,vitimou os caciques Domingos Mãhölõ, de 60 anos, xavante; e Aritana Yawalapiti, de 71 anos, que era uma das principais lideranças do Parque Indígena do Xingu.

Os meios políticos foram duramente atingidos. Dentre outros, morreram Ricardo Corrêa, que foi deputado estadual e deputado federal, secretário de Estado e diretor do Dnit; Adriano Silva, suplente de deputado federal, ex-reitor da Universidade do Estado (Unemat) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemat); o prefeito Fábio Garbugio (Alto Taquari); os ex-prefeitos Antônio Ribeiro Torres (Barão de Melgaço), Sandoval Nogueira, o seo Sandu (Ponte Branca), Mauro Berft (Campo Novo do Parecis) e Jonir Oliveira (Barra do Garças); o vice-prefeito de Acorizal, Benedito Figueiredo; os vereadores e ex-vereadores Heleno Gatto (Água Boa), Ugo Padilha (Santo Antônio de Leverger), José Bezerra de Lima (Diamantino e Itanhangá), José Ferreira da Silva (Colíder), Mauri Petry (Primavera do Leste) e Heder Caio Pereira (General Carneiro).

A doença contagiou o governador Mauro Mendes (DEM), que se internou numa UTI em São Paulo; os senadores Jayme Campos (DEM), Wellington Fagundes (PL) e Carlos Fávaro (PSD), que se internou numa UTI em São Paulo.

Na Assembleia Legislativa, o presidente Eduardo Botelho (DEM) e outros 12 deputados foram contaminados, sendo que Dr. João (MDB )permanece em isolamento domiciliar.

Os prefeitos de Primavera do Leste, Vale de São Domingos, Canarana, Rondonópolis, Itiquira, Água Boa e Novo Horizonte do Norte, dentre outros, foram infectados; o ex-prefeito de Torixoréu, Odoni Coelho, está numa UTI em Brasília; o vice-prefeito reeleito de Várzea, José Hazama (DEM), superou a doença.

O pastor Sebastião Rodrigues de Souza, presidente das Igrejas Evangélicas em Mato Grosso, não residiu à doença. Da mesma igreja, o pastor Rubens Siro de Souza, filho do pastor Sebastião, também morreu vítima do vírus.

Médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e outros profissionais da Saúde, que atuavam na linha de frente contra a pandemia, morreram.

Clodoaldo Pirani Júnior, de 47 anos, neurologista e diretor da ala de unidades de terapia intensiva do Hospital Municipal Milton Morbeck, em Barra do Garças, foi uma dessas vítimas; Monique Silva Batista, de 29 anos, médica, trabalhava no Hospital Coração de Jesus, em Campo Verde, e também não resistiu.

AVANÇOS – Em razão da pandemia, o Governo de Mato Grosso ampliou o Hospital Estadual Lousite Ferreira da Silva ou simplesmente Hospital Metropolitano de Várzea Grande.

Foram instalados 180 leitos clínicos e 30 UTIs; a obra custou R$ 16,5 milhões sendo que a Assembleia Legislativa doou R$ 10 milhões e o governo investiu R$ 6,5 milhões.

Antes da pandemia, havia somente 10 UTIs no Hospital Municipal Milton Morbeck, em Barra do Garças, para atender todos os municípios da região. Governo e prefeitura se uniram e instalaram mais nove UTIs, sendo cinco pelo município e quatro pelo Estado.

Em Água Boa, na mesma região, foram instaladas 10 UTIs, que para entrarem em operação receberam doação de R$ 500 mil de entidades e empresas do agronegócio.

A urgência de resposta rápida à doença levou o Governo a instalar UTIs e a destinar equipamentos para respiração mecânica em Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Diamantino, Sinop e várias outras cidades.

Com a pandemia, a Saúde deixou de ser somente uma rubrica no orçamento do Governo e para ela se voltaram todas as atenções no Estado e nos municípios.


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