NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 09 de Agosto de 2020
CIDADES
Sexta-feira, 29 de Junho de 2018, 17h:16

XAVANTES

Três municípios concentram 77% da mortalidade infantil indígena

Somente em 2017, ocorreram 72 óbitos de crianças indígenas de aldeias localizadas nos municípios de Água Boa (720 quilômetros, ao nordeste de Cuiabá) e em Barra do Garças (516 quilômetros, ao leste da capital). As principais causas têm sido doenças infecciosas e parasitárias, doenças do aparelho respiratório, algumas afecções originadas no período perinatal e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. Dados como estes fazem parte de um levantamento da Vigilância de Óbito da Secretaria de Estado de Saúde (Ses/MT) e foram divulgados, nesta última semana, durante reunião entre gestores e técnicos da saúde das três esferas do governo e lideranças indígenas. Os xavantes formam a maior população indígena do Estado. Os dados epidemiológicos apontam que a etnia Xavante possui o maior índice de mortalidade infantil em Mato Grosso. De acordo com o levantamento, do total de mortes no ano passado, 23 ocorreram em Água Boa e 49 em Barra do Garças. No mesmo período, foram registrados 386 nascidos vivos em Água Boa e 291 em Barra do Garças. Assim, o índice de mortalidade para cada 1.000 nascidos vivos no mesmo ano foi de 59,6 em Água Boa e, de 168,4/1.000 nascidos, em Barra do Garças. Ainda, conforme a Ses/MT, entre 2010 e 2017, três municípios concentraram o maior percentual de mortalidade de crianças indígenas menores de cinco anos, sendo eles, Barra do Garças (47,44%), Água Boa (24,01%) e Rondonópolis (5,59%). No Estado, existem em torno de 21 mil xavantes, distribuídos em 305 aldeias. O objetivo do encontro foi discutir o alto índice de mortalidade infantil entre crianças indígenas da etnia Xavante na região do Araguaia. Denominado “Oficina Intersetorial e Interinstitucional das Regiões Garças Araguaia e Médio Araguaia: “Redução da Mortalidade Indígena na primeira Infância – Etnia Xavante”, o encontro serviu para avaliar o panorama atual e encaminhar propostas em busca da redução dos índices. “Esta união de esforços é necessária, porque reduzir os índices passa por ações voltadas não só à saúde, mas a alimentação, estradas para acesso aos serviços, hospitais com estrutura para média e alta complexidade, entre outros”, disse Walmir Martins de Farias, coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante de Barra do Garças, por meio da assessoria de imprensa. Uma segunda etapa da oficina deve acontecer em setembro próximo com o intuito de elaborar de um plano de ação Estratégico, intersetorial e interinstitucional. Por meio da assessoria de imprensa, o coordenador destacou ainda que outro fator que é a questão cultural da população indígena em não aceitar que a criança doente seja retirada da aldeia para tratamento e também a complementação alimentar. “A oficina foi um momento de discutirmos uma fórmula para resolver estes impasses e por isso o DSEI levou caciques, conselheiros e outras lideranças Xavante, comunidade que já vem abrindo mão dessa questão cultural para voltar os olhos à sobrevivência dessas crianças”.

Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.




ENQUETE
Como você vê as acusações entre Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro sobre o caos na pandemia?
O governador é o culpado
O prefeito da Capital também tem culpa
Essa briga prejudica as ações de combate à Covid-19
É uma disputa político-eleitoral
PARCIAL