Quinta feira, 12 de dezembro de 2019 Edição nº 10488 09/12/2002  










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Maria Muller: honorável mato-grossense

Em 09 de dezembro de 1898, na casa de número 7 da rua de baixo, atualmente rua 7 de setembro, nascia a cuiabana Maria Ponce de Arruda. A segunda entre os onze filhos de João Pedro de Arruda e Adelina Ponce de Arruda. Sua infância foi intercalada por períodos na cidade de Cuiabá e na Fazenda de seus pais.

Ainda menina, aos seis anos de idade começou a aprender a ler com sua mãe. Enquanto D. Adelina ensinava seu filho mais velho a ler, D. Maria acompanha as lições e foi aprendendo junto com ele, e naquele momento já dava mostras de que no futuro seria ela a ensinar, pois tinha mais facilidade que seu irmão e o corrigia durante as lições.

Lembrasse da primeira vez em que leu para seu avô Generoso Ponce, então Governador de Mato Grosso, que não acreditou quando D. Adelina disse que a pequena Maria com apenas seis anos fosse capaz de ler. A casa estava cheia de homens, políticos, então meu avô pegou um jornal e pediu que eu lesse para eles. Quando terminei de ler ele estava encantado e passou a me presentear com livros. Começou, então, a ler os livros de Júlia Lopes, que sua mãe mandava buscar no Rio de Janeiro e se versou nesta escritora de contos e romances como fonte de inspiração.

Iniciou sua vida escolar em 1907 no Liceu Cuiabano. Em 1910, foi fundada a Escola Normal em Cuiabá e, em 1912 ela se transferiu para lá diplomando-se normalista quatro anos depois. Durante o período em que estudava na Escola Normal conheceu o Professor Júlio Strübig Müller (que viria a ser interventor do Estado de Mato Grosso durante o Governo de Getúlio Vargas), com quem em 26 de abril de 1919 contraiu matrimônio e teve sete filhos, passando a partir de então a assinar Maria de Arruda Müller.

Aos dezesseis anos começou a lecionar no Grêmio Escolar, onde alfabetizou crianças com idades entre sete e nove anos. Após o seu casamento mudou-se com seu marido para Poconé (MT), onde trabalharam como professora e diretor do Grupo Escolar. Após seu retorno a Cuiabá dirigiu o Grupo Escolar Senador Azeredo e posteriormente lecionou música e desenho na Escola Normal.

Em 1916, com um grupo de amigas, fundou o Grêmio Júlia Lopes. Este grêmio tinha por finalidade o desenvolvimento de atividades musicais e literárias, realizando mensalmente concertos e palestras, assim como publicações culturais através da revista A Violeta, que foi publicada até 1950. O nome para a revista foi sugestão de D. Maria. “Escolhi o nome A Violeta porque é uma flor modesta, perfumada, boa para apresentar como uma coisa delicada. Queríamos que fosse uma revista que sempre dissesse a verdade com palavras delicadas”.

Estreou nas letras com seu primeiro artigo, intitulado Baía de Chacororé, publicado no jornal O Povo em 1916. Em 1931, tomou posse na Academia Mato-grossense de Letras, freqüentando-a até seus 100 anos de idade. É também sócia honorária do Instituto Histórico e Geográfico Mato-grossense.

Encerrou sua carreira como professora de forma triunfal, alfabetizando aos 98 anos uma senhora de 87 anos.

Poetisa, escritora e professora foi homenageada em 2001 pelo Ministério da Educação no Dia do Professor, na edição especial do Jornal do MEC. Em fevereiro de 2002, recebeu das mãos do Ministro da Educação, Paulo Renato de Sousa, a Medalha do Mérito Educativo Nacional.

Hoje, dia em que completa 104 de idade, prestamos nossas homenagens a essa honorável mato-grossense.

Muitas felicidades e vida longa a Maria Müller.



* VALDINÉIA SOUZA DE ARAÚJO é historiadora graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).



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