Sexta feira, 23 de agosto de 2019 Edição nº 15239 12/06/2019  










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Discórdia antes do novo Censo

Mudanças propostas pelo governo garantem economia, mas especialistas criticam método para a coleta de informações

Da Reportagem

Retratar o Brasil da última década e dar perspectivas à próxima são os desafios do Censo Demográfico, previsto para ser realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020. Porém, a menos de três meses de a pesquisa experimental ocorrer com os moradores de Poços de Caldas (MG), a direção do instituto decidiu alterar os dois questionários a serem aplicados.

A resolução surpreendeu pesquisadores que usam os dados disponibilizados pelo IBGE. Eles alegam que a alteração poderá comprometer informações recolhidas e prejudicar prefeituras, que se baseiam nos dados para desenvolver políticas públicas.

Na quinta-feira passada, a divergência com a gestão indicada pelo governo Jair Bolsonaro levou quatro integrantes da diretoria de pesquisa do IBGE a entregarem seus cargos, e sindicatos, técnicos e três ex-presidentes do instituto lançaram a campanha Todos pelo Censo, para tentar reverter os cortes no levantamento. Os ex-presidentes são Eduardo Nunes Pereira, Wasmalia Bivar e Roberto Olinto - os dois primeiros de gestões petistas, e o terceiro, do governo Michel Temer. Eles defendem que os servidores resistam a pressões da gestão e se mantenham nos cargos.

“Resistam e desobedeçam”, pregou Pereira, que presidiu o IBGE durante a realização do último Censo Demográfico, em 2010.

Previsto para ser aplicado nos 71 milhões de domicílios brasileiros, o questionário básico terá 25 questões, nove a menos do que em 2010. Já o da amostra, aplicado em 10% dos lares, terá 26 perguntas a menos do que no último levantamento, totalizando 76 questões.

Justificando a necessidade de redução na duração das entrevistas, a presidente do instituto, Susana Cordeiro Guerra, afirma que o Censo não será prejudicado.

“A gente precisa garantir que o Censo cumpra sua função principal, que é contar os habitantes e medir o perfil da população. E a gente está num cenário diferente de 2010. As informações fluem com rapidez maior, as pessoas têm uma atenção mais curta. Então, temos que adaptar a operação para a realidade de hoje”, diz.

Assim como haverá cortes nas questões, outras serão incluídas, conforme Susana. As novas perguntas são étnico-raciais e sobre quilombolas. Os 5.570 municípios brasileiros passarão pelo estudo, que deverá contar com até 190 mil recenseadores. Os temas abordados serão características dos domicílios, identificação étnico-racial, nupcialidade, núcleo familiar, fecundidade, religião, deficiência, migração e imigração, educação, deslocamento para estudo, trabalho e rendimento, e mortalidade.

“Concordo que é preciso aprimorar o questionário, mas as mudanças precisam ser testadas de forma racional. Não é possível, um ano antes do Censo, mudar tudo. Corremos risco de ter um apagão de informações”, alerta o sociólogo André Salata.



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