Terça feira, 25 de junho de 2019 Edição nº 15239 12/06/2019  










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O vazamento e a Lava-jato

Tanto quanto o conteúdo das conversas vazadas entre procuradores da Lava-Jato e o ex-juiz Sergio Moro, chama atenção no episódio a exploração política do caso, com o objetivo de tentar apagar as responsabilidades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior caso de corrupção da história do país. Os diálogos divulgados pelo portal The Intercept devem ser analisados com todo o cuidado e sobriedade para que se evitem conclusões apressadas e retrocessos no processo. Isso inclui novas trocas de mensagens que possam vir a público.

Um ponto a ser ressaltado é que todo vazamento, sobretudo quando é dispensado de maior contextualização, é corrosivo. Na situação específica, misturam-se conversas e observações pessoais que surpreendem quem não conhece os bastidores do poder e acredita que juízes, procuradores, políticos ou ministros, na intimidade, referem-se uns aos outros com formal deferência. Vazamentos ajudam a compor a realidade nua e crua, mas a seletividade do que se vaza, sempre no interesse do vazador, estabelece, em princípio, um risco de distorção. Trechos que podem contestar a versão de quem obteve e repassou os diálogos ou corroborar opiniões em contrário são omitidos, enquanto se valoriza aquilo que se tenta provar.

Por certo, as conversas trazem evidente proximidade entre o então juiz e o procurador protagonistas da Lava-Jato, mas a revelação de alguns diálogos somente materializa aquilo que era nítido desde o princípio e levou ao sucesso no desmonte do esquema que envolvia essencialmente políticos e empreiteiras. A afinidade entre o Ministério Público Federal (MPF) e o Judiciário, com a busca do apoio da opinião pública, foi abertamente assumida como estratégia por Sergio Moro para fazer frente às previsíveis pressões para que se travasse uma operação que contraria tantos interesses poderosos.

Restam muitas perguntas a serem respondidas. Mas os debates centrais a partir de agora devem girar em torno de duas grandes questões: se a proximidade entre acusadores e julgador causou alguma injustiça ou comprometeu a verdade que levou à punição de dezenas de acusados de corrupção da Lava-Jato e se os exageros e táticas internas de procuradores - do direcionamento de investigações a vazamentos calculados para comover a opinião pública - contaminam ou não os processos. De qualquer forma, é possível afirmar que até agora, apesar da profusão de dúvidas sobre o procedimento investigatório e a aparente cumplicidade irregular entre procuradores e juiz, ninguém pode sustentar que qualquer envolvido ou sentenciado deve ser considerado absolvido pelo conteúdo do vazamento.



É preciso saber se a proximidade entre acusadores e julgador causou alguma injustiça ou comprometeu as conclusões que levaram à punição de dezenas de acusados



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