Sábado, 17 de agosto de 2019 Edição nº 15263 17/07/2019  










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Zaqueu diz que primos Taques eram os mandantes

Em depoimento à Justiça Militar, coronel Zaqueu acusa Paulo e Pedro Taques de serem os mandantes do esquema de interceptação telefônica




KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Em depoimento prestado junto a 11ª Vara Militar de Cuiabá, o coronel Zaqueu Barbosa voltou a afirmar que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) e seu primo, o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, eram os mandantes do esquema de interceptação telefônica clandestina no Estado.

De acordo com ele, várias pessoas foram grampeadas a pedido dos integrantes do alto escalão do Governo do Estado a época. Entre eles, o coronel Mendes, que segundo Pedro e Paulo Taques, comandava um escritório clandestino do grupo do ex-deputado José Riva, que também chegou a ser candidato ao Governo em 2014 justamente contra Pedro Taques.

"Digo pro senhor que Coronel Mendes foi um pedido do Paulo Taques no sentido de que o coronel Mendes. Na campanha, algumas situações aconteciam antecipadamente. Estou falando de barriga de aluguel agora. O coronel Mendes seria responsável pelo gabinete de inteligência do grupo de José Riva e Janete para questões de campanha. Por isso, dois números do coronel Mendes foram grampeados. Daí, ouvimos ele falando com alguém que estava tudo certo que Janete assumiria uma cadeira no TCE. Daí, relatei o fato ao Pedro Taques e ele garantiu ela não seria nomeada", detalhou o coronel ao juiz Marcos Faleiros, responsável pela Vara.

Mendes, entretanto, não foi o primeiro a ser grampeado clandestinamente a pedido do ex-governador e do ex-secretário. Zaqueu afirma que, os advogados José Rosa e José do Patrocínio também foram interceptados.

Questionado e os referidos grampos foram um pedido ou uma ordem dos primos Taques, o coronel foi enfático ao dizer que foi uma determinação. "Doutor, quem está acima não pede, dá ordem", respondeu.

Zaqueu vai mais além e afirma que foi usado por Pedro e Paulo Taques, uma vez que a sua inserção no esquema se deu devido ao seu interesse na implantação do sistema Wythron, que possibilitaria investigações contra policiais militares com desvio de conduta.

O sistema foi todo custeado pelo ex-governador e pelo ex-secretário para a prática de barriga de aluguel.

“A minha intenção era criar uma nova era dentro do Estado, um estado mais justo mais sério mais honesto, quando eu saísse deixaria uma instituição muito melhor para os mais jovens, hoje na minha cabeça está muito claro que fui usado, eu tinha um interesse que era a purificação da polícia, e o Pedro usou por motivos políticos, e o MP também, porque a Janaína Riva foi interceptada", insinuou Zaqueu fazendo referência ao envolvimento de promotores de justiça no esquema.

Zaqueu afirmou ainda que a deputada estadual Janaína Riva foi interceptada a pedido do promotor de justiça Marco Aurélio de Castro, que chegou a comandar o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) entre os anos de 2015 a 2016.

“O Gerson me procurou e disse que o Marco Aurélio disse que estava tentando monitorar o José Riva para prendê-lo e pediu para interceptar a Janaina Riva e eu disse que não tinha problema inserir o número dela”.

O coronel garante que pode comprovar todas as suas afirmações contra os ex-integrantes do Executivo Estadual. Segundo ele, por diversas vezes os primos estiveram em sua residência para tratar sobre o assunto, geralmente aos domingos à noite.

Afirmou também que, câmeras de segurança podem confirmar a sua presença na casa e no escritório de Paulo Taques, assim como na residência do ex-governador.

"O que estou falando aqui são fatos verdadeiros, quando a gente pede reinterrogatório é após clarear as ideias e falar a verdade", enfatizou.

Ao final do depoimento, o magistrado questionou o motivo que Zaqueu resolveu colaborar com a Justiça propondo delação premiada apenas agora. O coronel afirma que no início teve medo, pois ele e sua família estavam sofrendo ameaças.

"Quando eu estava preso o governador oriundo do Ministério Público Federal eu tinha receio, confesso que tinha receio. Eu estava preso e minha família recebeu ameaças, pessoas passaram a rondar minha residência e comuniquei meu advogado. Foram solicitadas providências", disse o coronel.

Depois que já estava solto, com medidas restritivas, Zaqueu afirma que buscou o Ministério Público que alegou que não existe fato novo. "Com todo respeito, a tentativa foi feita sim, porém as portas foram fechadas", afirma o coronel Zaqueu Barbosa.

Zaqueu prestou depoimento por aproximadamente cinco horas. Posteriormente foi a vez do coronel Evandro Lesco. Nesta quarta-feira (17), Faleiros colhe o depoimento do cabo Gerson.



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