Sábado, 17 de agosto de 2019 Edição nº 15283 14/08/2019  










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Rodrigo Hilbert, o homão

Mulherão da porra é fernanda, que está barriguda e enjoou

MARIA FORTUNA
Especial para o DIÁRIO

Ele está entre nós. Depois de uma temporada de um ano e meio em Los Angeles, Rodrigo Hilbert voltou amorar no Brasil. Mais precisamente em São Paulo, para onde se mudou com os filhos, João e Francisco, de 11 anos, e a mulher, a apresentadora Fernanda Lima, grávida de sete meses de uma garota (“sempre quis menina, foi uma choradeira só quando descobrimos o sexo”). Ela deves e chamar Maria, mas os pais querem olhar sua cara antes para se ver se combina.

Rodrigo, de 39 anos, estava com saudades do Brasil (“os americanos são fechados, é difícil fazer amigos, ter a relação de ‘passa aqui, vamos fazer um churrasco’”). Caçula de três irmãos (dois meninos e uma menina, que morreu aos 13 anos, de leucemia, quando a mãe estava grávida dele), cresceu em meio ao afeto das mulheres. Era mãe, avó e tias paparicando com carinho e comida boa (“meu pai não estava muito presente, vivi no mundo feminino”). Um pouco desse clima pôde ser visto semana passada, quando Dona Suzete, mãe de Rodrigo, foi a convidada do primeiro episódio da nova temporada do programa do filho no GNT, batizada de “Tempero de saudade ”. Acena dos dois dançando bolero enterneceu corações. Hoje, quem pinta por lá é Sidney Magal. Alinne Moraes, Luis Miranda e Fernanda Lima são convidados de outros dias.

Nesta entrevista, ele, que virou modelo da masculinidade contemporânea — “Padrão Rodrigo Hilbert” é exemplo do sujeito que vai do fogão ao crochê —, conta, entre outras coisas, por que não gosta do rótulo de “homão da porra”.



PERGUNTA - Que participações destaca na nova temporada do programa?

RODRIGO HILBERT - Foi emocionante ver o Diogo Nogueira preparando a rabada que comia quando criança e lembrando do pai.



P - Qual é a sua memória mais antiga relacionada à comida?

HILBERT - Um pirão d’ água, de farinha de mandioca e água fervendo, com salame frito, que meu pai pedia para a minha mãe fazer. O embutido soltava uma gordura, que virava um caldinho em cima do pirão. O salame era da carne do porco que meu avô abatia. Aquele cheiro de salame impregnava a nossa casa toda, pequena, de madeira.



P - Maior vexame na cozinha?

HILBERT - Morava em Ipanema com amigos e fui fazer um feijão. A panela de pressão começou a chiar e, quando virei a curva para a sala, ela explodiu e pintou a cozinha inteira de feijão.



P - Qual é a sua comida favorita?

HILBERT - Não vivos em galinha ensopada com polenta ou macarronada. Amo dobradinha e churrascada. Sou tarado por cheese salada com maionese caseira. Sou muito mais ele do que hambúrguer gourmet.



P - Um segredo gastronômico?

HILBERT - Todo mundo tem dificuldade ao bater a maionese caseira, porque dessora muito. O segredo é colocar dois ovos inteiros. Não contei esse segredo no programa, mas ensinei à minha mãe.



P - Do que sente saudade?

HILBERT - Do meu avô, Haine, e da minha avó, Eda. Cresci nos fundos da casa deles. Dos almoços de domingo, dos cafés da tarde diários e intermináveis com cuca, bolo de rolo, e queijo. Atrás da nossa casa, tinha a oficina do meu avô. Tenho saudades das missões que me dava. Ali, me ensinou a ser ferreiro, serralheiro... No mesmo quintal, tinha a chácara onde fui Rambo, Macgyver, Indiana Jones. Tento passar isso aos meus filhos, mas estamos perdendo para celular e tablet. Não dá para ficarem fora do mundo, mas tem que dosar.



P - O que mais acha importante passar para eles?

HILBERT - A gente conversa muito, mas educação é exemplo. Eles reproduzem nosso comportamento, como lidamos com situações. Acho importante saber cuidar de casa, ter noção dos privilégios. Eles crescem e nem olham pra nossa cara. Os meus não querem mais dormir em casa no fim de semana. Nem tenho mais aquele cheirinho... Adoro deitar junto. Perguntam: “Mas dormem com você?”. Dormi com minha mãe até os 14 anos. Puxava o colchão do meu quarto para o dela.



P - A imagem da família perfeita te irrita? O que tira a aparente harmonia de vocês?

HILBERT - Sou um cara para dentro da família, não ligo para o que pensam da gente. Somos comuns, só não digo que brigamos porque conversamos muito. Sou fã da Fernanda. Muito do que sou, devo a ela, que me educou. Temos um amor impossível de ser quebrado. Mas criança que não arruma a cama, deixa meia jogada faz a gente perder a paciência. Tento ser correto, mas, às vezes, largo cueca jogada. Fernanda também. Não conseguir controlar criança que cisma é algo que nos desgasta.



P - É duro ser casado com uma gata que fala sempre de sexo?

HILBERT - Nem um pouco, pelo contrário. Adoro rir, ouvi-la falar.



P - Como se sente às vésperas dos 40 anos?

HILBERT - Na flor da idade (risos). Tô feliz, me cuido, apesar de chutar o pau da barraca no fim de semana. A idade ainda não bateu, nem o cansaço. Acho que vou entrar bem nos 40. Virei atleta amador de mountain bike, o que tem me ajudado a não ter medo de envelhecer. A idade passa, não adianta sofrer. Envelhecer ao lado da minha mulher e dos filhos está sendo aprendizado, nem nos meus sonhos imaginei isso.



P - Como enxerga o homem contemporâneo?

HILBERT - Eu tô no lugar da escuta. Já fomos tão grosseiros, temos que recuperar o tempo perdido com tanta arrogância.



P - Como se sentiu ao ser chamado de “homão da porra” por cozinhar, ser pai dedicado, marido legal? Não é normal?

HILBERT - Evitei comentar, tentei deixar passar. Cuidar de filho, da casa, dividir tarefa é mais que natural, é obrigação. Não dá para chamar ninguém de “homão da porra”. É que nem falar “é um paizão ”. É só pai, gente! Foda é a mulher que pare filho. Minha mãe, avó, minhas tias é que são mulherões, trabalharam, cuidaram de criança. Mulherão da porra é a Fernanda, que está com barrigão, que enjoou durante cinco meses.



P - Você tem defeito?

HILBERT - Muitos! Sou chato, morrinha. Quando empaco, é tipo criança. Cabeça dura...



P - O tal “homão da porra” já broxou?

HILBERT - Ah, já! Tem horas que tô cansado. Agente até tenta ... Depois das provas de mountain bike, nem pensar. Fernanda vem brincar, mas não rola.

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