Sábado, 17 de agosto de 2019 Edição nº 15284 15/08/2019  










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As heroínas que conquistaram a tríplice coroa

Rafaela, Martine e Kahena são as primeiras brasileiras a vencer Olimpíada, Mundial e Pan

Da Folhapress – Lima

Há poucas décadas, as mulheres estavam alijadas de boa parte do programa olímpico. O Brasil, normalmente um passo atrás na evolução feminina no esporte, só teve suas primeiras medalhistas nos Jogos de Atlanta, em 1996 — os homens haviam conquistado sua primeira medalha em 1920, na Antuérpia. Por isso, o feito de três brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Lima é histórico. Rafaela Silva, Martine Grael e Kahena Kunze se tornaram as primeiras mulheres do país a conquistar a tríplice coroa das principais competições internacionais (Olimpíadas, Mundial e Pan). E, assim, elevam o gênero a um novo patamar no esporte brasileiro.

Num período de menos de seis anos, as três atletas colocaram o Brasil no topo em diferentes ocasiões e gravaram seus nomes na história do esporte brasileiro. A judoca Rafaela Silva já havia conquistado um feito inédito em 2013, no Rio, ao ser a primeira brasileira campeã mundial da modalidade. Três anos depois, também em casa, novamente levou o ouro, desta vez nos Jogos Olímpicos.

Faltava apenas o ouro dos Jogos Pan-Americanos —Rafaela ainda tem na conta um Mundial Militar em 2015 —, que havia batido na trave nas duas últimas edições, com o bronze em Toronto-2015 e a prata em Guadalajara-2011.

“Fico feliz de poder deixar meu nome na história do esporte brasileiro. Apenas abri uma porta, e espero que muitas mulheres possam passar e deixar o nome na história assim como deixei o meu. O esporte feminino vem crescendo cada vez mais em todas as modalidades. Estamos conseguindo a cada dia mais espaço e isso é muito importante para o futuro de nossos esportes e do nosso país”, disse Rafaela Silva.

A jovem dupla feminina da vela também entrou para o rol das multicampeãs brasileiras num curto espaço de tempo. Falar da classe 49er FX sem citar Martine Grael e Kahena Kunze é impossível. Campeãs mundiais em 2014, foram as primeiras vencedoras olímpicas, no ano de estreia da categoria feminina, no Rio-2016.

No sábado, com antecedência, outra marca inédita: primeiro ouro brasileiro na modalidade, que começou em Toronto (foram prata há quatro anos).

Martine reforça o sentimento de Rafaela Silva ao ver que agora a parede está completa com a medalha de ouro pan-americana.

“Podemos dizer que esse era o título que faltava”, disse a velejadora, que já partiu para Tóquio, onde, antes de tentar o bi ano que vem, disputará um evento teste para as Olimpíadas.

O Pan de Lima deu a duas outras atletas a chance de igualar a marca: a judoca Mayra Aguiar e Ana Marcela Cunha, da maratona aquática. Ambas levaram o ouro na competição continental, que se somou aos mundiais já conquistados. Agora, falta apenas o ouro olímpico em Tóquio-2020.

MAIS CAMPEÕES - A judoca atual número um do ranking mundial, que bateu a cubana Kaliema Antomarchi em Lima, na categoria -78kg, já venceu o mundial em 2014 e 2017. Em Jogos Olímpicos, ela já subiu ao pódio também duas vezes, mas para receber o bronze em Londres-2012 e no Rio-2016.

A maratonista Ana Marcela Cunha também está na busca pelo ouro olímpico para completar a coleção. A baiana é pentacampeã mundial (quatro vezes nos 25km e uma vez nos 5km) e venceu os 10km, em Lima. É justamente a única prova olímpica, em que ela ainda precisa se aprimorar.

Antes delas, 15 atletas brasileiros, com um caminho mais longo nas competições internacionais, tinham alcançado a tríplice coroa, sendo nove do vôlei e três do vôlei de praia, as duas modalidades que mais concentram multicampeões.

Os outros três são de esportes individuais: o velejador Robert Scheidt (o maior atleta olímpico brasileiro, com cinco medalhas sendo duas de ouro), o nadador Cesar Cielo e o ginasta Arthur Zanetti.



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