Sábado, 19 de outubro de 2019 Edição nº 15323 09/10/2019  










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Clima fica tenso após desocupação de área e morte de garimpeiro

Ontem, os garimpeiros protestaram no centro da cidade e comerciantes fecharam as portas dos estabelecimentos

ARQUIVO
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Após a operação “Trype” deflagrada pelas forças de segurança pública na área de garimpo ilegal, localizada na Serra de Santo Expedito, que fica a 13 quilômetros da cidade de Aripuanã (1.200 quilômetros de Cuiabá), os garimpeiros expulsos tomaram conta do perímetro urbano da cidade. Ontem pela manhã (08), eles protestaram em frente à sede da mineradora Nexa e, com medo, donos de comércio fecharam os estabelecimentos.

A ação policial foi deflagrada na segunda-feira (07) e, no fim da tarde do mesmo dia, uma pessoa morreu após ser atingida por dois tiros na região do tórax. Informações dão conta que o clima é de tensão na região. A estimativa é de que uma população flutuante entre mil a 1,5 mil pessoas estava no local. Já o prefeito Jonas Rodrigues da Silva, conhecido como Canarinho, esteve em Brasília, e pediu a devolução dos maquinários aos trabalhadores em mineração.

Sem prazo para acabar, a operação foi desencadeada de forma conjunta entre a Polícia Federal e as forças de segurança estadual, numa parceria com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Segundo a Sesp, a equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope) reagiu a disparos de espingarda e atingiu um garimpeiro com os dois tiros. O trabalho também conta com apoio à ação fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

De acordo com as informações, os policiais do Bope foram os primeiros e entrar na área do garimpo, atendendo ao cumprimento de uma ordem judicial que determina intervenção na área de garimpo ilegal. Ao fazer a segurança do local antes da entrada das demais equipes, os policiais do Bope observaram que havia vários barracos no local, alguns vazios, e outros ocupados por garimpeiros.

Segundo a Sesp, eles orientaram que os garimpeiros saíssem do local e fossem para uma triagem, onde seria feita uma varredura. Mas, neste momento, em um dos barracos, um garimpeiro de nome não identificado, disparou tiros contra os policiais do Bope. “Em razão disso, um dos policiais revidou a agressão e acertou dois tiros no garimpeiro”, informou por meio da assessoria de imprensa. A vítima foi socorrida e levada para o Hospital Municipal Santo Antônio, mas chegou já sem vida. Até o fim da manhã de ontem o nome da pessoa morta não havia sido divulgado.

Ainda, conforme a Sesp, no barraco dele foram encontradas duas espingardas cartucheiras, uma de cano longo e outra de cano curto, de calibre não identificado. Além disso, havia invólucros de pólvora, chumbo, pote com espoleta, cartuchos intactos e outros deflagrados, além de dois invólucros de quantidade não especificada de substância semelhante a ouro.

Já o prefeito de Aripuanã, Jonas Canarinho, esteve em Brasília, onde se encontrou com o deputado federal Nelson Barbudo. A preocupação do chefe do Executivo local é com a forma com que a desocupação da área está sendo realizada. Ele é contra o emprego da força e solicitou que as forças de segurança não destruam ou queimem os equipamentos e maquinários utilizados pelos garimpeiros na exploração do ouro.

O deputado federal Nelson Barbudo, em vídeo postado nas redes sociais, afirmou que já acionou o ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e também deve se encontrar o ministro da Justiça, Sérgio Moro e, se for o caso, vai procurar pessoalmente o presidente Bolsonaro para discutir o assunto e tentar evitar a destruição dos maquinários.

Segundo Canarinho, as famílias investiram muito dinheiro para tentar a existência com a extração dos minérios, mesmo que de maneira ilegal. Barbudo lembrou ainda que tem, na Câmara dos Deputados, projeto de lei para regulamentar a profissão dos trabalhadores em mineração. "Agora vamos à Polícia Federal, Casa Civil, Secretaria de Governo e, se preciso até ao presidente Jair Bolsonaro, para que pacifiquemos a região. Não queremos conflito, queremos buscar o resgate do material que foi apreendido. Espero que a população de Aripuanã tenha calma, paciência e que novos atos de violência não sejam registrados", afirmou.

Esta é a segunda etapa da operação que desta vez tem o objetivo de cessar as atividades no garimpo ilegal. De acordo com a PF, as investigações apontam que, além do impacto ambiental na região, o garimpo ilegal estaria causando grande impacto social no município com aumento do índice de homicídios, tráfico de drogas, prostituição, entre outros. Cerca de 160 policiais, além de servidores do Ibama e da Sema.

A primeira etapa da operação ocorreu no dia 26 de setembro passado, com foco na desarticulação de organização criminosa atuante na extração e comercialização ilegal de ouro da Amazônia Legal. No local há pessoas armadas e isso tem contribuído para homicídios no local. Além disso, há outros crimes cometidos no local como ambientais, contra o patrimônio e tráfico ilícito de drogas.

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