Segunda feira, 18 de novembro de 2019 Edição nº 15345 08/11/2019  










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Brasil vota a favor do embrago a Cuba

Brasil cede à pressão dos EUA e rompe tradição sobre Cuba na ONU

Da Folhapress - São Paulo

Pela primeira vez desde o início do embargo americano sobre Cuba, o Brasil vota contra uma resolução na Assembleia Geral da ONU condenando as sanções. O texto, que tradicionalmente é apresentado todos os anos, ainda pede o fim do embargo dos EUA contra Havana.

Essa foi a 28ª vez que a resolução foi colocada à votação e, uma vez mais, foi aprovada. Neste ano, 187 países votaram pelo fim do embargo econômico, praticamente um consenso. Tradicionalmente, apenas americanos e israelenses votavam contra a proposta. Agora, pela primeira vez, o governo de Jair Bolsonaro também faz parte do grupo, que conta com apenas três países.

Dois países ainda optaram pela abstenção: Colômbia e Ucrânia, ambos aliados americanos.

Mas a posição do Brasil deixou embaixadores e diplomatas surpresos. Nem governos de extrema-direita como a Hungria e Polônia optaram por votar contra a resolução. Na América Latina, Chile e outros países de direita tampouco seguiram o padrão de voto brasileiro. Tradicionais aliados americanos na Europa ou Ásia também ignoraram os pedidos americanos.

Existia uma percepção de que havia uma mudança na postura do Itamaraty. Mas a suspeita era de que o governo optaria por uma abstenção. Assim, manteria certa coerência com o restante da América Latina.

O assunto, de fato, foi alvo de amplo debate interno no Itamaraty. A missão do Brasil na ONU, em Nova Iorque, chegou a sugerir que, se uma mudança tivesse de ser realizada, a opção fosse pela abstenção.

Mas, pressionado pelo governo americano, o governo Bolsonaro cedeu e aceitou a um pedido da Casa Branca. Washington tentou convencer outros aliados. Ninguém, salvo Israel e o Brasil, atendeu ao pedido de Donald Trump.

Fontes no governo confirmaram à coluna que dois fatores pesaram nessa escolha. O primeiro deles foi o de justamente confirmar um alinhamento total do Itamaraty com o posicionamento da Casa Branca e rompe uma tradição histórica de diferentes governos no Brasil. Nos últimos 27 anos, o Brasil sempre apoiou a resolução.

Outro fator que pesou foi o público interno brasileiro. O chanceler Ernesto Araújo teria buscado uma forma de sinalizar que está alinhado com o discurso anti-comunista de Bolsonaro. O voto, portanto, fortalece a posição do ministro dentro do governo e ainda sinaliza à base mais radical do bolsonarismo.

Em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro deu especial atenção à suposta ameaça que Cuba representa e insistiu sobre a necessidade de lutar contra o socialismo. Autoridades de alto escalão das Nações Unidas confessaram que, ao escutar aquelas frases, voltaram a se sentir nos anos 60 e 70. "Eu pensei que estava sonhando", brincou um dos mais altos dirigentes da entidade, em condição de anonimato.

PUNHO - Poucos dias depois, Araújo mandaria instruções escritas de seu próprio punho para diplomatas em Genebra, na ONU. Nela, ele pedia que o Brasil evitasse votar a favor de resoluções propostas por Cuba, mesmo quando estivesse de acordo com o tema. Mas ele foi além e também instruiu que a delegação brasileira pedisse a palavra para atacar verbalmente Havana.

Diplomatas brasileiros tentaram convencer Brasília de que tal postura não seria necessária. Mas a ordem do gabinete foi a de iniciar o bate-boca. Cuba acabou respondendo e chegou a ser felicitada por países europeus pela forma pela qual rebateu as críticas brasileiras.

Para membros mais críticos do governo dentro do próprio Itamaraty, o voto de Araújo na ONU viola o direito internacional.



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