Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










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Bancos fazem mutirão para renegociar dívidas com descontos de até 92%

Para especialistas, ação tende a reduzir endividamento das famílias, mas é tímida para uma economia que enfrenta desemprego alto e investimento baixo

Da Reportagem

Os maiores bancos do país farão, na semana que vem, um mutirão para renegociar dívidas prometendo descontos de até 92%. A ação faz parte de acordo entre a Febraban, federação que reúne as instituições financeiras, e o Banco Central e coincide com o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário, que deve ser feito até sábado.

Para especialistas, o movimento tende a reduzir o endividamento das famílias e estimular o crédito em um cenário de juros baixos, mas é tímido para uma economia que enfrenta desemprego elevado e investimento baixo.

O mutirão ocorrerá entre 2 e 6 de dezembro e terá participação de Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Itaú, Santander e Banrisul. Todas as agências dessas instituições vão realizar a renegociação de dívidas, mas 329 delas, espalhadas por todo o país, ficarão abertas até 20h para oferecer minicursos sobre educação financeira e administração do orçamento — uma exigência do acordo com o BC.

“Cada instituição terá sua política, mas há o compromisso de que haverá condições especiais para se chegar a acordos sustentáveis e resgatar a capacidade financeira do consumidor”, afirmou o diretor de autorregulação da Febraban, Amaury Oliva.

Embora tenha caído em relação ao auge da recessão, a inadimplência das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas cresceu ao longo deste ano. O indicador subiu de 4,82% em janeiro para 4,99% em setembro, de acordo com o BC.

Além das agências, a renegociação também poderá ser feita nos canais digitais dos bancos e na plataforma pública Consumidor.gov.br. Os bancos Votorantim e Safra vão participar apenas nos meios digitais.

Segundo Ricardo Teixeira, do MBA em Gestão Financeira da FGV, os devedores devem aproveitar a ocasião para quitar as dívidas. Mas, antes, é preciso analisar o orçamento e descobrir o valor máximo que se pode pagar.

“Isso é importante para se chegar a uma proposta de quitação que traga um grande desconto. Avalie usar o 13° salário e qualquer recurso fora dos gastos obrigatórios. Se não for possível quitar tudo, prefira quitar dívidas com juros maiores e parcele o resto”, recomendou.

DEMANDA REPRIMIDA - Os bancos prometem descontos substanciais. O BB oferecerá abatimentos de até 92%, com prazos que podem chegar a 120 meses e com até 180 dias de carência. No Santander, dívidas com atrasos acima de 60 dias podem ter até 90% de desconto.

Na Caixa Econômica, débitos há mais de um ano em atraso também poderão ser quitados à vista com até 90% de desconto. O banco também dará condições especiais para contratos habitacionais.

“Os bancos querem emprestar mais sem precisar provisionar mais (em seus balanços, para cobrir inadimplência) e manter a fidelidade do cliente”, disse o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas.

Segundo Freitas, o mutirão tende a liberar uma demanda reprimida de consumo, tendo impacto positivo no crescimento no curto prazo. Mas é difícil estimar com precisão esses efeitos porque não se sabe quantos consumidores vão buscar o mutirão, ponderou Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra.

“Certamente terá um efeito benigno para a economia, com isso acontecendo em um momento em que há alguma recuperação no mercado de trabalho, embora concentrada no segmento informal, e de taxas de juros atraentes”, disse.

Ele observou, porém, que medidas como essa não são suficientes para garantir a retomada econômica: “O que vai garanti-la é a recuperação do mercado de trabalho. Isso já está acontecendo de alguma maneira, mas só teremos um recuo expressivo da taxa de desemprego em 2021”.

Luciano Rostagno, do Banco Mizuho, acredita que a medida dos bancos vai acelerar o processo de desalavancagem das famílias, que ficaram endividadas durante a crise após políticas de incentivo ao consumo e diante de juros elevados e desemprego alto.

“Mas o essencial para a economia é recuperar o investimento, senão o endividamento bate no teto de novo. O modelo baseado apenas em consumo não é sustentável”, advertiu.



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