Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










MILHO SAFRINHAAnterior | Índice | Próxima

Reta final da semeadura da soja é decisiva, especialmente em MT

MARIANNA PERES
Da Reportagem

O plantio da safra 2019/20 de soja, que na última quinta-feira (21) chegou a 79% da área total estimada para o Brasil, agora está em linha com os 80% da média de cinco anos. Mas a irregularidade das chuvas em setembro, outubro e início de novembro resultou em atraso em diversos estados do Centro-Sul do país. Esse atraso, por si só, não deve causar perdas de produtividade para a soja, mas vai implicar em uma janela de plantio mais curta para a segunda safra de milho, a "safrinha", que é semeada logo após a colheita da soja. Uma colheita mais tardia vai fazer com que o plantio do milho comece e termine um pouco mais tarde do que o normal, estendendo-se março adentro.

A consultoria AgRural divulgará sua primeira estimativa de área a ser plantada na safrinha 2020 de milho na primeira quinzena de dezembro. A janela de plantio mais curta é um fator que pode limitar a expansão da área. Mas os preços firmes do milho no mercado brasileiro - resultado de exportações recordes, demanda forte do setor de carnes e do real enfraquecido diante do dólar - tendem a estimular o produtor a plantar mais ou a pelo menos manter a área semeada em 2019.

A exceção à regra tende a ser Mato Grosso, onde 90% da área de milho safrinha deve estar plantada até o fim de fevereiro de 2020, pouca coisa atrás dos 93% semeados até o fim de fevereiro de 2019, ano em que o Estado colheu produção recorde de milho. Como Mato Grosso representa cerca de 45% da produção brasileira de milho safrinha, seu plantio dentro da janela significa que a semeadura da segunda safra do Brasil não será, no fim das contas, tão prejudicada assim pelo atraso que ocorreu no plantio da soja. A janela mato-grossense se encerra em meados de fevereiro.

Até o fim de fevereiro de 2020, porém, apenas 53% da área de milho safrinha do Paraná, segundo maior produtor do Brasil, deve estar plantada, de acordo com projeção da AgRural. Em 2018, quando houve quebra da safrinha por falta de chuva, 56% da área havia sido plantada até o fim de fevereiro. Já em 2019, quando o estado teve recorde de produtividade, 71% da área havia sido plantada até 28 de fevereiro. No norte do Paraná, a janela ideal termina em 15 de março. Mas no oeste do estado, onde se concentrou o atraso do plantio de soja nesta safra 2019/20, a janela é mais curta e se fecha em 20 de fevereiro. Nessa região, o plantio em março é bastante arriscado.

A consultoria não trata ainda de quebra de safra no Paraná. “Mas a safrinha 2020 vai ser mais arriscada, sem dúvida”. O mesmo vale para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, onde cerca da metade (ou mais) da área ficará para ser plantada em março.

Vale lembrar, entretanto, que a projeção da AgRural para a área que estará plantada até o fim de fevereiro de 2020 é baseada no ritmo de plantio da soja 2019/20 e em condições normais de clima em dezembro, janeiro e fevereiro, meses em que ocorrerão o desenvolvimento e a colheita da soja e também parte do plantio do milho. Se as condições climáticas forem muito diferentes da normalidade, o ritmo de plantio será diferente desse que se projeta agora.

RECORDE DE PRODUÇÃO - Na temporada 2018/19, a produção total do Brasil (primeira, segunda e terceira safras somadas) atingiu pela primeira vez a marca de 100 milhões de toneladas. Grande parte dessa produção deveu-se ao recorde de 73,2 milhões de toneladas produzidos na segunda safra, que teve plantio antecipado e depois contou com condições climáticas favoráveis durante praticamente todo o ciclo das lavouras.

PLANTIO EM MARÇO - Plantar milho segunda safra em março não é algo fora do normal. Pelo contrário, já que a janela ideal termina na primeira quinzena de março em várias áreas produtoras do Centro-Sul. “Mas plantio em março normalmente significa mais risco, porque esse milho irá polinizar sob condições potencialmente menos favoráveis, que incluem menos chuva, dias mais curtos e, eventualmente, geadas nas áreas mais ao sul. É por isso que os produtores costumam fazer de tudo para plantar o mais cedo possível. Em anos normais, o que fica para plantar mais tarde são principalmente as áreas marginais, cujo potencial produtivo já não é dos melhores”, explicam os analistas da AgRural.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto




17:07 MEC libera que cursos presenciais com conceitos mais baixos expandam carga horária à distância
17:07 STF prevê julgar no ano que vem permissão a candidatura avulsa
17:06 Conflitos e retrocessos marcam presença do Brasil na COP-25
17:05 14 – sábado Desigualdade e evasão escolar
17:05 BOA DISSONANTE


17:04 Doador de amor
17:03 Lei do retorno
17:03 Nossos demônios…
17:02 O Auditor Interno e o combate à corrupção
17:00 Na COP 25, MT defende tolerância zero ao desmatamento
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2018