Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










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MT apresenta declínio de 6,1% na taxa de detecção da aids

Dados como estes fazem parte do boletim epidemiológico sobre o HIV/Aids, divulgado ontem (29), pelo Ministério da Saúde

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JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

No primeiro semestre deste ano, Mato Grosso registrou 406 novos casos de HIV. O dado é preliminar e representa uma queda de 44% se comparado a 2018, quando ocorreram 726 notificações do vírus. Em relação à aids, quando a pessoa desenvolve a doença, foram 744 notificações, em 2018, contra 747 casos, em 2017. Quando analisada a mortalidade pelo agravo, Mato grosso está entre os dez estados que apresentaram coeficiente superior ao nacional que, no ano passado, foi 4,4 óbitos por 100.000 habitantes. Também apresentou declínio de 6,1% na taxa de detecção de aids entre os anos de 2008 e 2018.

Dados como estes fazem parte do boletim epidemiológico sobre o HIV/Aids, divulgado ontem (29), pelo Ministério da Saúde (MS). Na oportunidade, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lançou a nova campanha de prevenção ao vírus em comemoração ao “Dia Mundial de Luta Contra a Aids”, celebrado no dia 1º de dezembro. O foco é incentivar pessoas que não se preveniram em algum momento da vida a procurar uma unidade de saúde e realizar o teste rápido. Com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável, ou seja, não pode ser transmitido por relação sexual e a pessoa não irá desenvolver aids.

De acordo com a assessoria de imprensa do MS, o Brasil conseguiu evitar 2,5 mil mortes por aids entre os anos de 2014 e 2018. Nos últimos cinco anos, o número de mortes pela doença caiu 22,8%, de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018. Os dados são positivos, no entanto, o Ministério da Saúde acredita que 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e não sabem.

No Estado, o boletim aponta para um declínio na taxa de detecção de aids entre os anos de 2008 e 2018 em 11 unidades da federação, incluindo Mato Grosso (6,1%). Os demais são Rio Grande do Sul (39,3%), Paraná (36,6%), São Paulo (34,8%), Santa Catarina (29,1%), Distrito Federal (25,8%), Minas Gerais (25,2%), Espírito Santo (24,0%), Rio de Janeiro (23,9%), Rondônia (6,1%) e Mato Grosso do Sul (3,8%). Vale destacar o aumento de 81,7% na taxa de detecção do Rio Grande do Norte, no mesmo período.

Já quando analisada a mortalidade por estados, Mato grosso está entre os dez que apresentaram coeficiente superior ao nacional que, em 2018, foi 4,4 óbitos por 100.000 habitantes. No Estado, esse índice é de 5,6 mortes por 100 mil. Os demais são Rio Grande do Sul (7,8 óbitos/100.000 hab.), Pará (7,6), Rio de Janeiro (7,6), Roraima (7,6), Amazonas (6,9), Maranhão (5,4), Santa Catarina (4,7), Pernambuco (4,6) e Mato Grosso do Sul (4,6). Já os coeficientes inferiores ao nacional variaram entre 4,0 óbitos por 100.000 habitantes no Espírito Santo e 2,6 óbitos por 100.000 habitantes em Minas Gerais. O Amapá apresentou coeficiente padronizado de mortalidade por aids igual ao nacional.

Ainda, em nível estadual, neste ano já foram contabilizados 92 casos entre gestantes contra 150 notificações, no ano passado, o que representa uma taxa de detecção 2,6 por mil nascidos vivos. Entre as capitais, Cuiabá ocupa a 16ª colocação no ranking da taxa de detecção de mulheres grávidas, com 3,5 por mil nascidos vivos, em 2018. Vale lembrar que o Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar a transmissão vertical do HIV e optou por adotar uma estratégia gradativa de certificação de municípios. A eliminação da transmissão vertical do HIV, assim como a redução da sífilis e da hepatite B, é uma das seis prioridades do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A certificação possibilita a verificação da qualidade da assistência ao pré-natal, do parto, puerpério e acompanhamento da criança e do fortalecimento das intervenções preventivas.

No geral, o boletim mostra também que assim como registrado nos últimos anos, a infecção por HIV cresce mais entre os jovens. “A maioria dos casos de infecção no país é registrada na faixa etária de 20 a 34 anos, com 18,2 mil notificações (57,5%). Em 2018, 43,9 mil casos novos de HIV foram registrados no país”, informou o MS. A notificação para infecção pelo HIV passou a ser obrigatória em 2014, assim como o tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independente do comprometimento imunológico. A medida trouxe mais acesso ao tratamento e aumento de diagnósticos. Com isso, nos últimos cinco anos, a tendência de queda na taxa de aids foi maior.

“Uma das forças que move o ser humano é o medo. E ver ídolos morrerem trouxe impacto para a minha geração e temor em contrair a doença. Quando os primeiros casos foram identificados no Brasil e no mundo, não tínhamos o tratamento que temos hoje. Mas os jovens entre 20 e 34 anos não conhecem a cara do inimigo, não entendem que a doença mata. A gente antevê várias lutas contra o preconceito, contra a doença e precisamos trabalhar para que jovens parem de se infectar com o HIV. Precisamos trabalhar mecanismos de mobilização para conscientizar esse público e informar das consequências da doença, da necessidade de fazer o teste e buscar tratamento. É uma luta da ciência pela vida”, enfatizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por meio da assessoria de imprensa.

Em relação aos casos de aids, o Ministério da Saúde estima que 12,3 mil casos foram evitados no país, no período de 2014 a 2018. O dado foi calculado com base na taxa de casos de aids em 2014, caso ela se mantivesse ao longo desse período até 2018. Nesse mesmo período houve queda de 13,6% na taxa de detecção de casos de aids, sendo 37 mil casos registrados em 2018 e 41,7 mil em 2014. Em toda série histórica, a maior concentração de casos de aids também está entre os jovens, em pessoas de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.

O Ministério da Saúde garantiu ainda que tem ampliado as possibilidades de prevenção ao HIV/AIDS. Até dezembro deste ano, a previsão é distribuir 462 milhões de preservativos masculinos, o que representa aumento de 38% em relação ao ano passado, quando foram distribuídos 333,7 milhões de unidades. O número de preservativos femininos distribuídos pode chegar a 7,3 milhões de unidades, aumento ainda mais significativo em relação ao ano passado, 351,5% (1,6 milhões). Ainda em 2019, está prevista a finalização da entrega de 12,1 milhões de testes rápidos de HIV, fundamentais para o diagnóstico e futuro tratamento das pessoas infectadas.



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