Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










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Por medalhas e dados, empresa japonesa investe em esportes olímpicos menos populares

DANIEL E. DE CASTRO*
Da Folhapress - Tóquio

Nem futebol, nem beisebol. Tanto no Brasil quanto no Japão, os investimentos da Ajinomoto no esporte passam longe das modalidades mais populares desses países.

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A estratégia esportiva da empresa multinacional japonesa, que atua nas áreas de alimentação, nutrição, farmacêutica, cosmética, entre outras, data do início do século, quando a companhia iniciou sua parceria com o Comitê Olímpico Japonês (JOC).

Em 2009, adquiriu os “naming rights” do centro de treinamento da entidade, localizado em Tóquio com instalações para a prática de mais de dez modalidades.

O investimento em esporte começou a ser replicado neste ano no Brasil, quarto maior mercado da Ajinomoto, por meio de patrocínios aos comitês olímpico (COB) e paraolímpico (CPB) do país.

Recentemente, foi importado da matriz o "Projeto Vitória", que busca melhorar a performance de atletas olímpicos e paraolímpicos por meio de consultoria de nutrição e uso de aminoácidos para suplementação alimentar.

A empresa formou um time para os Jogos de Tóquio-2020 com 20 esportistas brasileiros patrocinados, entre eles Arthur Nory (ginástica artística), Ana Marcela Cunha (maratona aquática) e Rafael Silva (judô).

Oficialmente, a parceria com o JOC e o Projeto Vitória tiveram início em 2003, mas tudo começou na década de 1990, quando tivemos contato com alguns atletas, fornecemos aminoácidos para eles e começamos a ver resultados positivos”, afirma Takaaki Nishii, presidente global da Ajinomoto.

O executivo, que comandou a operação brasileira da empresa de 2013 a 2015, diz que a aproximação com as modalidades olímpicas permite a exploração de um terreno menos concorrido na área do marketing esportivo.

Existem aqueles ramos do esporte que já se tornaram um grande negócio, e outros que são muito menos conhecidos. Por exemplo, no Japão investir no beisebol seria uma barreira muito grande para a Ajinomoto, assim como investir no futebol no Brasil”, explica Nishii.

Entre as primeiras modalidades apoiadas no Japão estavam nado artístico, tênis de mesa e badminton, que são populares na Ásia, mas não contam com grande apelo na mídia internacional.

Também faz parte da estratégia associar a companhia ao aumento da conquista de medalhas nos Jogos Olímpicos, algo que já vem acontecendo com os japoneses nas últimas edições e deverá se repetir dentro de casa no ano que vem.

Quando vemos uma categoria esportiva que ainda não é considerada comercial, mas em que identificamos um número elevado de jovens com potencial, damos oportunidades para que eles se tornem atletas de elite”, afirma Nishii, praticante de golfe e entusiasta dos esportes de inverno.

Outro pilar importante para a empresa é a coleta de informações nas áreas em que atua. Nas instalações do Training Center, onde oferece alimentação aos esportistas, a Ajinomoto recolhe dados a respeito das refeições feitas por eles e conduz análises para aprimorar conhecimentos sobre suplementação alimentar.

A rotina dos atletas segue o programa Kachimeshi (que significa nutrição para vencer), baseado na ideia de que o equilíbrio entre alimentação adequada, treino e descanso os conduzirá aos objetivos traçados.

Como os atletas olímpicos têm uma série de restrições sobre as substâncias que podem ingerir sem violar o código mundial antidoping, alcançar esse balanço pelas vias “limpas” é tema de muita pesquisa e interesse mundial.

Recentemente, vários atletas flagrados no doping atribuíram o resultado positivo dos exames a uma suposta contaminação de seus suplementos.

Em meio a esse cenário, o médico Christian Trajano, gerente de educação e prevenção ao doping do COB, foi até o Japão conhecer as diretrizes dos projetos da Ajinomoto e da fabricação de seus produtos voltados à melhora de performance esportiva.

Dentro do comitê, algumas pessoas têm como postura pessoal ser totalmente contra o uso de suplementos, para minimizar os riscos, mas a gente sabe que muitos atletas terão indicação médica para usá-los, então a nossa posição é de entender esses processos e informar”, afirma Trajano.

Para ele, o nível de pesquisa que a empresa desenvolve sobre aminoácidos pode representar um trunfo científico na parceria com o comitê. “O ponto alto foi conhecer a capacidade científica que a gente pode desenvolver para os nossos atletas, um ganho que pode ser até maior até do que o valor financeiro do patrocínio”, diz.



*O jornalista viajou a Tóquio a convite da Ajinomoto



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