Domingo, 08 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










LIVROAnterior | Índice | Próxima

Livro do economista Pedro Ferreira de Souza sobre desigualdade vence o Jabuti 2019

Da Agência Globo – Rio

“Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos no Brasil" (1926-2013), do economista Pedro H. G. Ferreira de Souza é o grande vencedor do Livro do Ano no 61º Prêmio Jabuti, entregue na noite desta quinta-feira (28), em São Paulo. Publicado pela Hucitec, “Uma história da desigualdade” também venceu na categoria “Humanidades” e desbancou concorrentes de peso, como “Valsa brasileira” (Todavia), da também economista Laura Carvalho, “Ser republicano no Brasil Colônia”, da historiadora Heloisa Starling (Companhia das Letras). Ao subir ao palco, Ferreira de Souza disse estar muito envergonhado e “é o primeiro discurso que eu faço na vida”.

– Que ótimo momento para inaugurar, com R$ 100 mil na mão – brincou o ator Lázaro Ramos, mestre de cerimônias do Jabuti, em referência ao valor do prêmio.

Lázaro também brincou com a escritora Conceição Evaristo, homenageada na cerimônia e eleita Personalidade Literária do Ano pelo Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pelo prêmio. Lázaro fez o público levantar e cantar “Parabéns a você” para Conceição que faz aniversário nesta sexta-feira (30). Ele também ameaçou puxar um “Com quem será?”.

– A sua existência dá sentido à minha. As suas palavras me completam – disse Lázaro a Conceição enquanto ela subia ao palco, aplaudida de pé pelo público.

Conceição discursou rapidamente. Disse esperar que outras escritoras negras também sejam homenageadas pelo Jabuti e agradeceu sua mãe e suas tias.

– Essas mulheres semianalfabetas me transmitiram o encanto da palavra através de suas histórias e me ensinaram a assuntar o mundo para colher matéria para minhas escrevivências.

Conceição também foi homenageada com uma de duas canções favoritas: “Travessia”, de Milton Nascimento, cantada pór Fabiana Cozza.

Houve dois Jabutis póstumos. Fernanda Young, falecida em agosto, aos 49 anos, levou o prêmio pela antologia de crônicas “Pós-F: para além do masculino e do feminino” . No livro, sua única incursão na não ficção, Fernanda explora episódios autobiográficos para discutir o que significa ser homem e ser mulher hoje.

Falecida em 2007, Hilda Machado foi premiada pela antologia poética “Nuvens” (Editora 34). Hilda chegou a registrar o manuscrito de “Nuvens” na Biblioteca Nacional para a proteção de direitos autorais, mas seus versos sarcásticos e de sofrimento raivoso só foram publicados no ano passado. O livro esteve entre os destaques do jornal O GLOBO em 2018 .

A primeira escritora a subir ao palco, no entanto, foi Vilma Arêas, que venceu pelo livro de contos “Um beijo por mês”, publicado pela Luna Parque – ela concorria com o colunista do GLOBO Geovani Martins , autor do elogiado “O sol na cabeça”.

Tiago Ferro, que já havia vencido a categoria de estreantes do Prêmio São Paulo de Literatura, levou também o Jabuti com o romance “O pai da menina morta” (Todavia), baseado na tragédia pessoal do autor, que perdeu sua filha de 8 anos em 2006.

Na categoria Humanidades, “Uma história da desigualdade” (Hucitec), do economista Pedro Ferreira de Souza, desbancou concorrentes de peso, como “Valsa brasileira” (Todavia), da também economista Laura Carvalho, e “Ser republicano no Brasil Colônia”, da historiadora Heloisa Starling (Companhia das Letras).

MUDANÇAS - Este ano, Jabuti voltou a separar as categorias Infantil e Juvenil. No ano passado, quando o prêmio foi reestruturado, as duas categorias foram unificadas. A mudança foi recebida com duras críticas e resultou na renúncia do então curador do prêmio Luiz Armando Bagolin , acusado de comentários considerados homofóbicos ao discutir com o especialista em literatura infantil Volnei Canônica.

Houve outras mudanças este ano. Os livros-reportagens, que antes concorriam na categoria Humanidades, passaram a disputar a categoria Biografia, Documentário e Reportagem. A categoria Tradução passou do eixo Literatura para o eixo Livro, que contempla categorias técnicas, como Capa e Projeto Gráfico. A mudança impede que traduções concorram a Livro do Ano – a categoria é exclusiva para vendedores dos eixos Literatura e Humanidades.

A partir desta edição, os finalistas do Jabuti passaram a ser divulgados em duas etapas. Como já era costume, uma lista de 10 finalistas de cada categoria foi anunciada no início de outubro, no dia 3. No final do mês, dia 31, foi anunciada uma nova lista, com cinco finalistas. Os vencedores de cada categoria ganharam uma estatueta e R$ 5 mil. O “Livro do Ano” levou R$ 100 mil.

Livros-reportagem, que antes concorriam na categoria Humanidades, junto com obras de ciências humanas, agora disputam a categoria Biografia, Documentário e Reportagem. A categoria Tradução passa do eixo Literatura para o Livro, que contempla categorias técnicas. A mudança impede que traduções concorram a Livro do Ano, pois essa categoria é exclusiva para vendedores dos eixos Literatura e Humanidades.

A categoria Formação de Novos Leitores passa a se chamar Fomento à Leitura. Agora, projetos de editoras e destinados à promoção e divulgação da literatura, e não apenas à formação de pequenos leitores, também podem ser premiados.



Confira a lista completa dos premiados



Eixo “Literatura”

Conto: “Um beijo por mês” (Luna Parque), de Vilma Arêas

Crônica: “Pós-F: para além do masculino e do feminino” (LeYa), de Fernanda Young

Histórias em Quadrinhos: “Graphic MSP – Jeremias: Pele (Panini, Maurício de Sousa), de Rafael Calça e Jefferson Costa.

Infantil: “A avó amarela” (ÔZé Editora), de Júlia Medeiros e Elisa Carareto

Juvenil: “Histórias guardadas pelo rio”

Poesia: “Nuvens” (Editora 34), de Hilda Machado

Romance: “O pai da menina morta” (Todavia), de Tiago Ferro.



Eixo “Ensaios”

Artes: “Arte popular brasileira: olhares contemporâneos” (WMF Martins Fontes, Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro), de Vilma Eid e Germana Monte-Mór (org.)

Biografia, Documentário e Reportagem: “Jorge Amado: uma biografia” (Todavia), de Joselia Aguiar

Ciências: “A caminho de Marte: a incrível jornada de um cientista brasileiro até a Nasa” (Sextante), de Ivair Gontijo

Economia Criativa: “101 dias com ações mais sustentáveis para mudar o mundo” (Labrador), de Marcus Nakagawa

Humanidades: “Uma história da desigualdade” (Hucitec), de Pedro H. G. Ferreira de Souza



Eixo “Livro”

Capa: “Revela-te, Chico” (Bem-te-vi Produções Literárias). Capista: Augusto Lins Soares

Ilustração: “Chão de peixes” (Pequena Zahar). Ilustradora: Lúcia Hiratsuka

Impressão: “Roberto Landell de Moura, o precursor do rádio” (Tamanduá). Responsável: Rodrigo Moura

Projeto Gráfico: “Clarice” (Global). Responsável: Felipe Cavalcante

Tradução: “Sobre isto”, de Vladímir Maiakóvski (Editora 34). Tradutora: Letícia Mei



Eixo “Inovação”

Fomento à Leitura: Leia para uma criança (Itaú Social). Responsável: Dianne Cristine Rodrigues

Livro Brasileiro Publicado no Exterior: “A resistência”, de Julián Fuks. Editoras: Companhia das Letras e Charco Press (Escócia).



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto




17:09 Macondo, infelizmente...
17:09 07 – sábado Implantação de Jardim Botânico deve começar
17:08 A maconha foi liberada no Brasil?
17:08 Os pets e o estilingue
17:07 Combate ao custo Brasil


17:05
17:04 Temporada 2019 atrai 6 mil visitantes em exposições marcadas pela diversidade
17:04 Arena Encantada traz fé, magia e diversão para as famílias mato-grossenses
17:03 Em Ela disse, jornalistas contam os bastidores da investigação que derrubou Harvey Weinstein
17:02 Carol Castro: Se deixar, te colocam na prateleira do papel sensual
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2018