Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15359 30/11/2019  










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Depois do #MeToo: O que aconteceu com a carreira dos poderosos acusados de assédio

Mais de dois anos depois, Harvey Weinstein ainda aguarda julgamento

LUIZ BARROS
Da Agência Globo – Rio

Em outubro de 2017, as repórteres do “New York Times” Jodi Kantor e Megan Twohey publicaram uma reportagem que revelava em detalhes o histórico de abuso sexual do produtor Harvey Weinstein. Foi a deixa para que a atriz Alyssa Milano compartilhasse uma ideia no Twitter: e se as pessoas que já sofreram assédio ou agressão sexual usassem a hashtag #MeToo na rede? Estava iniciado o movimento que fez com que mulheres e homens ao redor do mundo, incluindo algumas das maiores estrelas de Hollywood, quebrassem o silêncio e contassem suas histórias — desde abril de 2017, 263 empresários, políticos e celebridades foram acusados de algum tipo de conduta sexual inadequada, de acordo com o site “Vox”.

Mas quais foram as consequências? Mais de dois anos depois, relembre alguns dos casos mais notórios que vieram à tona com o #MeToo e o que aconteceu com os acusados.

HARVEY WEINSTEIN - Desde as primeiras reportagens do "New York Times" e da "The New Yorker", já foi acusado por mais de 80 mulheres de agressões em diferentes níveis, do assédio ao estupro. Com data marcada para começar (6 de janeiro de 2020), seu julgamento é esperado como um definidor de águas para o #MeToo. Acusado por estrelas como Ashley Judd e Gwyneth Paltrow , Weinstein nega todas as acusações. Sua então poderosa produtora, a Weinstein Company, decretou falência em 2018.

KEVIN SPACEY - Em outubro de 2017, Spacey foi acusado pelo ator Anthony Rapp de tê-lo assediado em 1986, quando tinha apenas 14 anos. Outras quinze acusações vieram na sequência. Foi substituído por Robin Wright como protagonista da série "House of cards" e por Christopher Plummer no filme "Todo o dinheiro do mundo".

No natal de 2018, ressurgiu em um bizarro vídeo no YouTube, gravado por conta própria, em que interpretava Frank Underwood , seu personagem em "House of cards". Não responde a nenhum processo: o último caso foi derrubado após a morte inesperada de um massagista anônimo que o acusava de ter sido forçado a tocar a genitália do ator durante um tratamento em 2016. Completamente gravado, seu último filme, a cinebiografia do escritor Gore Vidal, jamais foi lançado. Emagosto, fez sua primeira aparição pública desde 2017, em Roma.

JOHNNY DEPP - Trava uma complicada batalha judicial com a ex-mulher, a atriz Amber Heard, que o acusou de violência doméstica. Depp não só nega a acusação, como afirma que ela era a verdadeira agressora no casamento. Apesar de pedidos, não foi cortado de "Animais fantásticos: Os crimes de Grindelwald" e está confirmado no próximo filme da franquia.

WOODY ALLEN - O diretor americano foi acusado em 1992 de abusar a própria filha, Dylan Farrow , na casa da mãe, a atriz Mia Farrow, quando a menina tinha sete anos. Em 1993, uma investigação concluiu que Dylan não fora agredida e o caso não foi à frente na Justiça. A história permanecia esquecida em Hollywood até o clima mudar em 2017. Allen não conseguiu lançar seu último filme, "Um dia de chuva em Nova York" , nos Estados Unidos, e teve seu contrato com a Amazon cancelado . Na Europa, segue aclamado. Para 2020, prepara o filme "Rifkins Festival", com Christoph Waltz e Louis Garrel.

ROMAN POLANSKI - O diretor de 86 anos é considerado fugitivo nos Estados Unidos desde 1978, quando aguardava condenação por estuprar uma adolescente. Isso não impediu a Academia de lhe premiar com um Oscar de melhor diretor em 2002, por "O pianista". A partir de 2010, novas acusações de estupro vieram à tona. Em maio de 2018, foi expulso da Academia. Este ano, ganhou o prêmio do Júri do Festival de Veneza por "Jaccuse". Na França, cresce a pressão contra ele.

MORGAN FREEMAN - Em maio de 2018, uma reportagem da CNN trouxe depoimentos de oito mulheres que o acusavam de assédio. Como consequência, a Visa suspendeu uma campanha de marketing com o ator. Freeman segue ativo no cinema, com três novos filmes engatilhados.

BRYAN SINGER - Acusado de abusar de meninos adolescentes, o diretor foi demitido de "Bohemian Rhapsody" durante as gravações, em dezembro de 2017, além de perder o crédito de produtor-executivo da série "Legion". Em junho de 2019, fechou um acordo de US$ 150 mil com um homem que o acusava de estupro.

JOHN LASSETER - O chefe de criação da Pixar e da Disney Animation deixou o cargo após ser acusado de conduta inadequada no ambiente de trabalho , em novembro de 2017.

LOUIS C.K. - Acusado de atos como se masturbar diante de funcionárias, perdeu um contrato com a FX e teve o lançamento do filme "I Love You, Daddy", sua estreia na direção, engavetado. Em 2018, fez apresentações de stand-up comedy em Nova York.

NATE PARKER - Inocentado na Justiça de uma acusação de estupro em 1999, viu o caso ressurgir quando fez sua estreia como diretor em “The birth of a nation" , em 2016. Fez seu retorno à direção este ano com "American skin", lançado no Festival de Veneza.

AZIZ ANSARI - Em janeiro de 2018, foi acusado de má conduta sexual em um relato anônimo no site Babe.net. O caso dividiu opiniões e Aziz respondeu que "por todas as indicações, o que havia acontecido fora consensual". Em janeiro de 2019, retornou com um especial de comédia da Netflix em que discutiu o assunto.

ASIA ARGENTO - Uma das líderes do #MeToo e vítimas de Weinstein, a atriz e diretora italiana fechou um acordo de US$ 380 mil para encerrar a acusação de ter assediado um rapaz de 17 anos. Como consequência, perdeu o posto de jurada do "X-Factor Italy". Seu último filme, "Sans soleil", está em pós-produção.



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