Domingo, 15 de dezembro de 2019 Edição nº 15360 03/12/2019  










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Valorização do dólar torna exportadoras mais atraentes

Com receitas em moeda americana, papéis são opção para quem quer sair da renda fixa, mas é preciso analisar caso a caso

JOÃO SORIMA
Especial para o DIÁRIO

A escalada da moeda americana em novembro — o dólar comercial fechou o mês com valorização de 5,73% — abre oportunidades para que empresas exportadoras ampliem os ganhos neste novo cenário.

Companhias dos setores de papel e celulose, proteína animal, petróleo e de mineração, que têm parte importante de sua receita em moeda estrangeira, tendem a se beneficiar da alta do câmbio, que na avaliação de especialistas, atingiu um novo patamar e deve permanecer acima dos R$ 4.

As ações dessas empresas surgem então como opção para quem está deixando a renda fixa e estreando na Bolsa em busca de um retorno um pouco mais generoso que os juros — atualmente no menor patamar histórico, 5% ao ano. No entanto, especialistas apontam que o câmbio não é suficiente para a decisão de comprar um papel. Há outras variáveis e riscos a serem considerados, principalmente no longo prazo.

“Primeiro é preciso pensar em Bolsa como investimento de longo prazo. Ou seja, não adianta comprar ações de exportadoras em busca de ganho rápido apenas porque o dólar subiu”, observa Maurício Pedrosa, diretor da Áfira Investimentos, especialista em gestão de recursos.

O consultor de investimentos Paulo Bittencourt alerta que o investidor não deve colocar uma ação em sua carteira apenas porque ela é exportadora. Embora essas companhias se beneficiem da alta do dólar, é preciso observar as perspectivas do segmento em que elas atuam. Ele lembra que muitas empresas com receita em dólar também têm custos em moeda americana, como é o caso da Embraer, que disputa o mercado global de aviões. Portanto, se a receita aumenta, os custos também sobem.

“Não se pode comprar uma ação de companhia exportadora apenas porque o dólar subiu. É preciso analisar as perspectivas de cada setor”, ressalta Bittencourt.

Além disso, alertam os especialistas, é necessário observar se haverá mesmo uma mudança estrutural no patamar do câmbio — ou seja, se o dólar a R$ 4 realmente chegou para ficar — ou se a situação é apenas conjuntural.

Para Pedrosa, o dólar de fato mudou de patamar. Com a queda da Taxa Selic, investidores que tomavam dinheiro a juros mais baixos no exterior para aplicar em títulos públicos e ganhar com o juro brasileiro (o chamado carry trade) ficaram desestimulados. Ou seja, esse fluxo de dólares para o país diminuiu, explica o especialista, estimulando a alta na cotação. A frustração com o leilão dos campos de petróleo do pré-sal, em que se esperava a participação de empresas estrangeiras trazendo dólares ao país ainda este ano, também puxou para cima as expectativas para o câmbio.

Em relatório divulgado a clientes, o banco suíço Julius Baer mudou sua perspectiva de câmbio no Brasil para os próximos três meses, de R$ 4,05 para R$ 4,15. Entre os fatores que contribuíram para essa revisão, destacou o analista Mathieu Racheter, foi o acirramento do cenário político com a libertação do ex-presidente Lula, além do leilão do pré-sal e da queda dos juros.

CARTELA DE OPÇÕES - Entre as opções de ações com boas perspectivas, os analistas citam as empresas exportadoras de proteína animal, como JBS, BRF, Minerva e Marfrig. Elas vivem um momento positivo não apenas pela alta do dólar, ressaltam os especialistas. Há um aumento de demanda da China por carne, e os preços em dólar subiram em média 30% no trimestre passado.

A Seara, que pertence à JBS, viu sua receita crescer 8% entre julho e setembro, puxada pelo mercado externo. A Minerva, segundo relatório da Ativa Investimentos, tem “flexibilidade comercial”, o que propicia à companhia força nas exportações em momentos de dólar forte.

“O mercado de carne deve continuar aquecido. A demanda da China por proteína deve perdurar por algum tempo”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa.

Em relatório, a Ativa destaca que a BRF, uma das maiores exportadoras de carne halal (produção que segue preceitos islâmicos), também tem forte presença internacional. A empresa sofreu com questões de governança (foi envolvida na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal), mas elaborou um plano de reestruturação para contornar esses problemas, além de vender ativos e reduzir a dívida.

Já no setor de papel e celulose, a Suzano, por exemplo, tem 90% de suas receitas atreladas à moeda estrangeira, o que é uma vantagem no atual cenário de câmbio valorizado. O setor de celulose, no entanto, está com os preços internacionais perto das mínimas com um elevado estoque global.

“Portanto, mesmo que o dólar ajude todas as empresas exportadoras, é preciso analisar caso a caso”, observa Arbetman.

IMPACTO NAS DÍVIDAS - No caso da mineradora Vale, a China também representa um fator-chave. A demanda das siderúrgicas chinesas por minério de ferro voltou a crescer, mesmo com a guerra comercial com os EUA, lembra o economista João Augusto Salles. Atualmente, o preço da tonelada do minério gira em torno de US$ 80 a US$ 90 por tonelada. Mas, em janeiro, chegou a US$ 110 por causa do desastre de Brumadinho.

“A Vale é beneficiada pela alta do dólar. E em 2020 deve voltar a pagar dividendos”, diz Salles.

No caso da Petrobras, que também exporta parte de sua produção de petróleo, a expectativa é que em 2020 o total de barris diários produzidos suba dos atuais 2 milhões para 2,2 milhões, crescendo até atingir 2,9 milhões em 2024. Hoje, a companhia exporta 700 mil barris/dia, enquanto o consumo doméstico é de 1,4 milhão de barris/dia. A empresa também reduziu seu endividamento e vendeu ativos, mas há fatores que têm penalizado os papéis da empresa esse mês. Um deles foi a avaliação do mercado de que a meta de alta na produção para o ano que vem é tímida. Outro fator é o alto endividamento.

Pedrosa lembra que as companhias exportadoras também têm uma parte de suas dívidas em dólares. Portanto, em um primeiro momento, o câmbio mais elevado acaba tendo um impacto nesses débitos, tornando-os mais caros, o que pode impactar o desempenho das ações da empresa na Bolsa. A JBS e a Marfrig, por exemplo, têm mais de 90% de sua dívida bruta em dólares, enquanto a Petrobras tem pouco mais de 60%.

“Mas as empresas têm refinanciado parte das dívidas em moeda estrangeira em real, já que os juros estão mais baixos”, diz Pedrosa.



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