Terça feira, 28 de janeiro de 2020 Edição nº 15364 07/12/2019  










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Carol Castro: Se deixar, te colocam na prateleira do papel sensual

Premiada como melhor atriz coadjuvante em Gramado por ‘Veneza’, atriz está em outros três filmes inéditos

MARIA FORTUNA
Da Agência Globo – Rio

Decorado com uma foto da atriz grávida numa cachoeira, o apê de Carol Castro, na Zona Sul do Rio, ilustra a transformação que tornar-se mãe (de Nina, 2 anos) provocou na vida da atriz. Se antes morava numa casa em São Conrado, onde dava festas no grande salão, hoje ela tem sua sala de estar tomada de brinquedos da filha. A menina, aliás, brinca toda feliz ali perto com pai, o maestro e violinista Felipe Prazeres, durante a entrevista. Separados, eles mantém uma relação de parceria e amizade.

Profissionalmente, a atriz de 35 anos, anda numa fase cinema. Está em quatro filmes inéditos (“O juízo”, de Andrucha Waddington, que estreia dia 5; “O garoto”, de Bruno Saglia, e “Verde ou pisa no meu pé”, curta de Pedro Jones). Em agosto, foi eleita melhor atriz coadjuvante do Festival de Gramado por “Veneza”, de Miguel Falabella. No longa, previsto para 2020, interpreta a prostituta Madalena. Agora, roda “Dois mais dois”, em que vive, com Marcelo Serrado, um casal que tenta salvar o casamento morno.

Neste papo, a atriz, filha de terapeuta corporal e ator, também fala da infância de grana curta (“pintei conchinha e vendi pipoca para ajudar meus pais”) e dos perrengues da maternidade. Um deles foi quando, mãe de primeira viagem e com dificuldade na amamentação, procurou uma especialista. A mulher, do nada, disse que, caso acontecesse algo errado durante a consulta, que não se preocupasse, tinha como “ressuscitar” (!) a bebê.



P - Você tem mais de 20 anos de carreira e ganhou o primeiro prêmio agora, em agosto no Festival de Gramado. Como foi?

CAROL - Sinto como se fosse um selo de autenticidade. Não esperava, mas veio a intuição de que tinha que ir ao festival. Saí direto da gravação da novela, me arrumei no banheiro do avião, a comissária fechou o zíper do vestido, me maquiei no Uber e fui a última pessoa a passar no tapete vermelho. Quando falaram meu nome, fiquei atônita.



P - Você ainda amamentava a Nina quando rodou "Veneza". Como era virar a chave da mãe para a prostituta Madalena?

CAROL - Quando o Miguel ( Falabella ) me convidou, perguntou: “Tem frescura com nu?”. Respondi que não, afinal, fiz inúmeros personagens que precisaram. Mas havia acabado de parir, não me sentia aquela mulher fatal, com tesão, e nem podia fazer dieta maluca por causa do leite. Mas fui. Levei Nina para as filmagens ( na Itália e no Uruguai) , fazia exercício no quarto de hotel, tirava leite no camarim, levei panelas para cozinhar pra ela. Nosso andar do hotel era cheio de brócolis ( risos ). Não foi fácil virar a chave para interpretar Madalena, mas os figurinos me ajudvam, quando colocava o decote e o saltão, ela vinha. Quem me conhece e assiste ao trailler , estranha a exuberância dela. Puro leite! ( risos ).



P - Mostrar o corpo nunca foi mesmo tabu para você, né?

CAROL - O corpo é instrumento de trabalho, não dá para ficar com não me toques. Mas tem limite. Hoje, sei me preservar. No início é difícil, comecei menina. Agora, falo “não precisa aparecer tanto, acho que aqui não vem ao caso”.



P - Você não está nada sexy em "O Juízo", por exemplo. Mas interpretou muitos papéis sensuais. Isso te incomoda ou já te incomodou em algum momento? Você disse sonhar em interpretar uma “manca caolha”...

CAROL - A manca caolha nunca chegou ( risos ). Se deixar, te colocam na prateleira da personagens sensual. Em 2012, vinha de uma série e fiquei incomodada, sim. A desconstrução é necessária, tenho tanto pra mostrar! Acho que em “Velho Chico”, que até tinha esse apelo, as pessoas me viram diferente, Luiz Fernando ( Carvalho ) conseguiu extrair coisas que nem eu sabia que tinha. Em "O juízo" também. Fiz um curta agora ( “O zelo da morte”, de Vinícius Vellys ) em que faço uma viciada, que apanha e termina destruidaça, cheia de olheira e olho roxo.



P - Você começou a trabalhar cedo, foi vendedora em feiras, se virou...

CAROL - Pintava conchinha e costurava sachê de sal grosso para vender aos amigos, vendi pipoca e limonada na praia para ajudar meus pais. Nunca fui filha de pais ricos. Vinha de ônibus de Bauru, onde morei, para trabalhar no Mundo Mix e Feira Hype.



P - Quando decidiu ser atriz?

CAROL - Cresci nas coxias, nos ensaios na casa dos amigos, dormindo em cadeira de bar ou dentro do carro. Via toda aquela mágica no palco. Meu pai fazia a peça “Terror na praia” ( um cult nos anos 1990 ) e onde tivesse criança, me colocavam. Fiz a menina da florzinha do Frankestein, uma vampirinha com Nosferatu. Ali, fui mordida pelo bichinho. Mas aí pipoquei de cidade em cidade, morei em Natal, além de Bauru, onde fui grunge, fiz piercings, tatuagens, inclusive, uma águia que virou um mosquito ( risos ). Mudei 13 vezes de colégio...



P - Isso deve ter sido meio traumatizante quando criança, não?

CAROL - Foi puxado. Tinha uma necessidade grande de me enturmar e trabalhar a timidez. Cheguei a ficar gaga, travava na hora de falar. Se me sentisse acuada, não fluía.



P - Como foi contracenar com Fernanda Montenegro em "O juízo"?

CAROL - Fiquei nervosa, era a atriz com que eu mais sonhava em trabalhar. Ela é impressionante. Eram cenas difíceis, filmávamos de madrugada, andando na lama. Ela era sempre a primeira a estar a postos. Contava histórias, conversava o tempo todo. Uma coisa curiosa é que rodei o filme sem saber que estava grávida. Rolava de escada, caía na lama, levantava, escorregava, vivia com hematomas...



P - Você se casou no papel duas vezes, depois morou com o Felipe, pai da sua filha. É do tipo que se joga no relacionamentos?

CAROL - A separação com o Felipe foi mais difícil por causa da Nina. Engraçado que foi a primeira vez que falei: “Vou com calma, namorar, cada um na sua casa”. Já sabia que Felipe era mais na dele. Os outros eu já fui morar junto ou casava no papel. Tinha esse lado romântico desenfreado que está mais calmo agora. Era muito mais intensa, ia com mais sede ao pote. Tô mais pé no chão, reservada, cuidadosa. A prioridade é a Nina. Eu e Bruno ( Cabrerizo, atual namorado da atriz ) estamos vivendo o momento. Ele mora na Itália, tem dois filhos, que são prioridade. Tudo vai depender de quando ele vem trabalhar.



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