Sexta feira, 21 de fevereiro de 2020 Edição nº 15386 14/01/2020  










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Crise do clima ameaça 22 milhões de hectares da Amazônia com fogo

Simulação para 2050 indica que ressecamento e desmatamento deixarão floresta mais vulnerável a incêndios

RENATO GRANDELLE
Especial para o DIÁRIO

Um novo estudo mostra que o ressecamento da Amazônia, impulsionado pela crise do clima e agravado pelo desmatamento, pode deixar uma vasta porção da floresta vulnerável a incêndios. No pior cenário, retroalimentado pelo fogo, nos próximos 30 anos a mata passará a emitir mais CO2 do que absorve.

Segundo o trabalho, liderado pelo cientista climático Paulo Brando, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a área mais vulnerável é o sudeste da floresta. Em estudo publicado nesta sexta-feira na revista Science Advances, ele projeta que 22,3 milhões de hectares podem ser queimados até 2050, emitindo 17 gigatoneladas de CO2. Essa área representa 16% da cobertura florestal do sul da Amazônia, a região estudada.

Brando diz ter ficado surpreso com os resultados da simulação, baseada num cenário inercial no qual o desmatamento e as emissões de CO2 continuam no mesmo ritmo no futuro. Ele alerta que, nesse contexto, as queimadas usadas para limpeza de terreno na agropecuária representam um risco cada vez maior de desencadear incêndios fora de controle.

“Enfrentaremos muitos problemas se continuarmos com a política do fogo”, diz o cientista, que também é professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade da Califórnia em Irvine. “Teremos mais estiagens e, por isso, uma demanda hídrica acentuada, além do aumento da temperatura”.

O estudo foi realizado para criar melhores projeções de emissões futuras de CO2, porque métodos usados hoje não levam ainda em conta os dados de incêndios florestais, e subestima sua contribuição para os gases-estufa.

Futuro em chamas

Hoje, segundo Brando, o problema do fogo na Amazônia deriva "100% da ação humana". E a destruição promovida por essa cultura, que não dá sinais de arrefecer, será acentuada pelo efeito da mudança climática.

“Há fogo porque há pessoas queimando, e infelizmente esta prática muitas vezes é realizada por motivos socioeconômicos e culturais. O estudo aponta como aumentará a área da floresta com interface a atividades humanas e, por isso, com maior propensão a queimadas”, explica.

Com as mudanças climáticas, fenômenos que aumentam a estiagem no bioma, como o El Niño (superaquecimento da superfície do Pacífico), também tendem a ser cada vez mais comuns. A capacidade de recuperação das florestas, assim, é cada vez mais fragilizada.

É por isso que, segundo projeções, é possível que a floresta deixe de absorver gases estufa — ou seja, atue como sumidouro de carbono — para se transformar em emissora de poluentes na atmosfera.

“Mesmo no cenário mais otimista sobre as mudanças climáticas, haverá um aumento da temperatura e mudança no ciclo hidrológico. Isso é inevitável. A tempestade de fogo na Amazônia está se formando e os alertas da comunidade científica não estão sendo atendidos”, disse Brando.

O ressecamento futuro da Amazônia corre o risco de retroalimentar o problema da mudança climática, mas o estudo de Brando e seus colegas traz ao menos uma boa notícia: é possível mitigar parte do problema.

Caso o desmatamento caia para níveis próximos de zero, a área projetada como ameaçada pelo fogo se reduziria em 30%, e as emissões de gases-estufa dos incêndios florestais cairiam em 50%.

Brando defende uma "sociedade que dependa menos do fogo". Trata-se, segundo ele, de uma discussão global, onde se inserem também os incêndios registrados na Austrália e na Califórnia, que obrigaram mais de 50 mil pessoas a deixarem suas casas.



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