Sexta feira, 24 de janeiro de 2020 Edição nº 15388 16/01/2020  










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Atleta brasileiro reage a assalto e se machuca na preparação olímpica

Da Agência Globo – Rio

"Foi no reflexo, não pensei", contou Augusto Dutra, de 29 anos, do salto com vara, ao explicar a reação a um assalto que sofreu no final do ano passado, em São Paulo, e que resultou na ruptura de um tendão da falange distal (última articulação), do dedo anelar direito, e a perda do celular. Por causa da contusão, ele precisou fazer uma cirurgia e terá de abrir mão da temporada indoor de atletismo, incluindo, provavelmente, o Mundial de Nanjing, na China, entre 13 e 15 de março. Augusto, que teve o seu melhor ano em 2019, tem índice olímpico mas precisa se manter entre os 32 melhores do mundo em sua prova para garantir vaga para Tóquio. Hoje ele está em 9.º no ranking (por pontos).

Augusto contou que levava um amigo para uma estação de metrô no Centro de São Paulo, mas errou o caminho. Ao parar em cruzamento na rua do Glicério, conhecido local de assaltos, pensou em furar o sinal vermelho mas não deu tempo: “Foi muito rápido. O assaltante quebrou o vidro direito, do passageiro e, ao mesmo tempo, se projetou para dentro do carro para pegar meu celular que estava entre o painel e o vidro da frente”, lembra o atleta, que tinha acabado de comprar um modelo novo do aparelho.

“Meu amigo se protegeu e o meu instinto foi de reagir. Pensei que o cara não ia levar meu celular de jeito nenhum. Fui para cima mesmo. Não queria ter mais prejuízo e segurei o braço dele. Ele tentou se desvencilhar, escapou, e eu peguei a manga da sua blusa. Ela rasgou e foi aí que machuquei o dedo”, disse.

Augusto chegou a sair do carro e correr atrás do assaltante. Ele contou que outros meninos na rua entravam na sua frente para atrapalhá-lo e que o assaltante conseguiu se esconder em um beco escuro.

“Um lugar esquisitíssimo, sujo, escuro. Daí fui embora. Na hora não pensei, foi no reflexo. Me transformei, sabe? Fiquei cego. Me arrependo pela parte esportiva porque me prejudiquei. Mas faria de novo. O cara não estava armado e eu deveria ter saído do carro antes para pegá-lo na corrida”.

Seu treinador, Henrique Martins, contou que Augusto continuou a treinar porque eles acharam que se tratava apenas de uma lesão. Nem mesmo o primeiro exame de ultrassom havia apontado a ruptura total do tendão.

“Foi apenas no segundo ultrassom que a lesão apareceu e ele fez a cirurgia, de junção do tendão ao osso, às pressas, entre o Natal e o Ano Novo”, explica o treinador. “O dedo influencia muito por causa da pegada na vara mas ele acabou de tirar os pontos e já treina, no Clube Pinheiros, a parte inferior e abdome. Mas, infelizmente, tivemos de abdicar da temporada indoor. Sua participação no Mundial de Nanjing não está cancelada mas ele não deve ir. Vai depender da sua recuperação e segurança na vara boa”.

A perspectiva, segundo Henrique, é que Augusto comece a segurar na vara no final do mês, início de fevereiro, quando completarão seis semanas de descanso.

RAIVA - Augusto passou o final do ano sozinho, em São Paulo, já que não podia dirigir para Marília, no interior, onde mora a família. Contou que nesse período fez um balanço do ocorrido, após melhor ano da carreira, e que o episódio lhe deu mais combustível para 2020.

“Fiquei com tanta raiva e, para mim, a raiva é combustível. Já tinha ficado uma semana em casa doente, com dor de garganta, antes do assalto e da cirurgia, sem poder treinar. Tivemos de mudar todo o planejamento e agora só penso na recuperação do dedo”, fala Augusto, que não passou da primeira fase na Rio-2016.

No ano passado, ele saltou seis vezes acima de 5,70m, foi prata no Meeting de Paris (com 5,80m, melhor resultado pessoal do ano), etapa da Liga Diamante, prata no Jogos Pan-americanos de Lima (5,71m; Thiago Braz, o melhor brasileiro na prova, em 5.ºno ranking mundial, foi o quarto), vice-campeão mundial militar (5,50m; última competição do ano, em novembro), campeão brasileiro (5,60m) e sul-americano (5,71m) e décimo no Mundial de Doha (5,55m).

O brasileiro comentou que já saltou 5,90 e 6,00 (uma vez) em treinamento e avalia que para entrar no pódio em Tóquio-2020 deverá saltar no mínimo 5,95m.

“O ano 2020 é meu ano do tudo ou nada. E vimos que tudo é possível”. Thiago Braz mostrou que é possível (o brasileiro ganhou o ouro na Rio-2016, com 6,03m, surpreendendo o favorito Renaud Lavillenie, campeão olímpico e recordista mundial da modalidade, com 6,16 m).



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