Terça feira, 25 de fevereiro de 2020 Edição nº 15395 25/01/2020  










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Mendes não quer debate com prefeito e alunos protestam

Pela proposta, o prédio que hoje abriga a Escola Estadual “Nilo Póvoas” se transformará em um grande centro de referência em educação inclusiva

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Enquanto pais e estudantes protestavam contra o fechamento da Escola Estadual Nilo Póvoas, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes disse, ontem (24), que não irá entrar em debate com o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro sobre a decisão tomada em relação à unidade escolar, que fica no Bairro Bandeirantes, na capital. A afirmação de Mendes se deve ao fato de que, nesta semana, Pinheiro informou que pretendia requerer ao Estado o prédio da “Nilo Póvoas” para instalar no local uma unidade municipal.

“Eu não vou debater com o prefeito Emanuel Pinheiro. Ele terá muito tempo para explicar na campanha dos escândalos que todo dia aparece na mídia. Todo dia o Ministério Público abre uma investigação”, disse em entrevista ao programa “Tribuna”, da Rádio Vila Real. “Agora, eu vou manter um local para 1.800 para 94 (alunos)? Olha o custo para manter isso, gente?”, acrescentou. Mendes afirmou ainda que com medidas como estas o governo estará economizando R$ 50 mil ao mês de aluguel.

Praticamente ao mesmo em que Mendes concedia a entrevista, mais uma vez, pais e estudantes protestavam contra o fechamento da escola estadual, que completa 50 anos neste ano. Desta vez, a mobilização aconteceu em frente à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), localizada no Centro Político Administrativo (CPA). Diante da manifestação, uma equipe do órgão estadual de educação esteve reunida com a comissão dos representantes dos alunos e da unidade escolar para ouvir as reivindicações.

Desde o único do fechamento do colégio, a comunidade escolar tem realizado protestos pelos diferentes pontos da cidade contra a medida de extinção da unidade que oferta ensino médio. “Por nenhuma escola a menos”, “Estamos na luta! Nilo Póvoas resistência”, e “Secretária, acreditamos na educação, mas com nossa escola fechando não”, diziam os manifestantes.

Apesar da insatisfação da comunidade escolar, a Seduc mantém a posição de transformar o prédio que hoje abriga a “Nilo Póvoas” em um grande centro de referência em educação inclusiva, conforme anúncio feito há semana passada pela titular da pasta, Marioneide Kliemaschewsk. A medida recebeu aval total do governador Mauro Mendes para implantação do projeto, que já está pronto para ser colocado em prática. Para a transformação, o prédio da unidade passará por uma reforma geral. Para tanto serão investidos R$ 3 milhões.

A ideia é que o espaço seja utilizado para atender a todo tipo de inclusão, não somente dos alunos portadores de deficiência, como surdos, mudos e autistas, mas também os alunos que encontram-se sofrendo com bullying, depressão, violência doméstica, automutilação e uma série de fatores que acabam interferindo na aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo. Pela proposta, a unidade também será um espaço para monitoramento e formação de profissionais que trabalham com alunos inclusos; dos projetos Escola Gestora de Paz e Mediação Escolar, entre outras ações. “Penso que a inclusão vai muito além do atendimento à pessoa com deficiência. Precisamos avançar muito nas políticas públicas da educação inclusiva”, destacou Kliemaschewsk.

Ainda, conforme a Seduc, desativação da escola Nilo Póvoas faz parte do processo de reordenamento da rede estadual, visando otimizar os recursos financeiros, potencializar os espaços, melhorar a estrutura física das unidades e a demanda do atendimento aos alunos. Assim, foi deliberado o remanejamento dos alunos da unidade para a Escola Estadual Antônio Epaminondas, que fica no Bairro Lixeira, e que atende com as mesmas propostas pedagógicas de ensino médio em tempo integral. Hoje, a Nilo Póvoas atende 126 alunos, dos quais 32 finalizam o ensino médio no próximo mês de fevereiro, restando para o ano letivo de 2020 apenas 94 alunos do 1º e 2° ano.

O coordenador da Nilo Póvoas, Marco Antonio, rebate a justificativa do órgão. “A gente reconhece que o uso está abaixo da expectativa, mas não é como a Seduc está falando. Além disso, não há mais procura por falta de incentivo do governo. No ano passado, passaram por aqui 230 novos alunos. Para 2020, teríamos pelo menos mais 120 novas matrículas”, disse.

PREFEITO - Já o prefeito Emanuel Pinheiro, em artigo publicado no último dia 21, intitulado “Uma solução cuiabana para o Nilo Póvoas”, lembrou que à instituição de ensino completa, neste ano de 2020, 50 anos de história da educação pública de Cuiabá e que, tomou a decisão, “de requerer ao Governo do Estado de Mato Grosso a cessão da unidade física da escola para a Prefeitura Municipal de Cuiabá”.

“Recentemente tive conhecimento pela mídia sobre novos projetos de ocupação da unidade, porém, ainda ficam fora da atividade-fim da escola que é a formação dos alunos na educação. Acredito que um prédio como o da escola Nilo Póvoas não pode ser destinado para servir simplesmente como apoio, até porque existem outros prédios ociosos do Governo do Estado em Cuiabá para que possam desenvolver este fim extracurricular da educação. Acredito que uma escola municipal naquela localização seria um ganho ainda maior para o cidadão cuiabano”, afirma o prefeito no artigo.

Segundo Pinheiro, ocupar o prédio da “Nilo Póvoas” significaria, não só uma oferta de mais 750 vagas para a educação infantil de zero a cinco anos em período integral e já com a expectativa de 300 vagas imediatas, mas uma economia aos cofres municipais de aproximadamente R$ 6 milhões. Com a “Nilo Póvoas”, segundo o prefeito, os Centros Municipais de Educação (CMEIS) e de Educação Infantil (CEICS) em construção e as parcerias com as creches, a prefeitura pode chegar a ofertar cerca de 4,5 mil vagas em quatro anos do mandato do prefeito, que é considerado como um avanço sem precedentes para a educação infantil da cidade.

Por sua vez, o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, disse, na quinta-feira (23), que o prefeito Emanuel Pinheiro busca “confronto” com o governo com o pedido de administrar a “Nilo Póvoas”. Ele descartou que o governo considera transferir a escola para a administração municipal. “O prefeito Emanuel Pinheiro é um apaixonado, apaixonado por uma política de confronto, uma política de discussões pesadas. Nós não vamos entrar nesse jogo”, disse.



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