Segunda feira, 24 de fevereiro de 2020 Edição nº 15409 14/02/2020  










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‘Sonic: O Filme’ chega aos cinemas

O longa do ouriço azul é como uma partida segura e razoavelmente turbinada, sem arriscar muitos truques mas também sem perder muitos de seus anéis no processo.

Caio Lopes
Do Observatório do Cinema

O primeiro filme live-action de Sonic fez um percurso interessante nestes últimos meses que antecederam sua estreia nos cinemas. Após um reajuste de expectativas com o novo design do protagonista digital e uma série de entrevistas alucinadas de Jim Carrey, que interpreta o vilão Robotnik/Eggman, já não importava se o longa continuaria a quebra da maldição das adaptações de games diante da imensa curiosidade despertada.

Agora que Sonic: O Filme chega às telonas, pode-se dizer que o resultado é muito mais digerível que o esperado de um filme de game ou os equivocados materiais revelados ao público no decorrer do ano passado. De certa forma, a abertura dos espectadores a filmes com heróis mais incomuns – Rocket e Groot de Os Guardiões da Galáxia – ou projetos que apostam na estranheza visual dos conceitos de jogos – Jumanji, Detetive Pikachu – preparou seus paladares a este filme.

O resultado chega exatamente de acordo com a encomenda, um pouco além das expectativas deste tipo de filme e dentro dos parâmetros criados pelas mais recentes adaptações de games, porém não faz muito mais que isso. Assim como a última incursão cinemática de Tomb Raider, estrelada por Alicia Vikander, mirou em “nada mal” e acertou seu alvo com êxito, o filme do ouriço azul se acomoda dentro de um molde formulaico do filme de alienígena fugitivo, sem tomar grandes riscos, mas o cumprindo bem.

Sua simples trama faz o bastante para recriar símbolos familiares aos fãs dos games e apresentar as duas figuras de maior destaque na franquia: Sonic (Ben Schwartz no original e Manolo Rey em nosso idioma), o herói fugitivo de atitude radiante, e Eggman (Carrey), o vilão perseguidor munido de máquinas mortíferas. As presenças de ambos estão justificadas no mundinho de comercial de margarina onde habitam o restante dos humanos, entre eles o bondoso policial Tom Wachowski (James Marsden), sem destoar demais para o nonsense e quebras na lógica.

Ainda assim, o roteiro de Patrick Casey e Josh Miller se mostra como o aspecto mais decepcionante por pouco aproveitar o restante do universo estabelecido nos games, focando mais na relação simples de presa e caçador que se configura entre Sonic e Eggman do que trazendo à tona seus contextos. Isso constitui um acerto ao abranger o apelo da produção a crianças que não conheçam os jogos, mas para os jogadores e fãs, o projeto acaba por soar tímido demais na maneira como incorpora os elementos do material fonte, reservando as conexões mais diretas com os jogos para a introdução e o epílogo.

Se o enredo concebido aqui não marca nem instiga na adaptação, ao menos a simplicidade serve ao ritmo bastante ágil e, novamente, uma fácil digestão. Mesmo arriscando cair em excessos visuais e entregar sequências de ação visualmente barulhentas, o diretor indicado ao Oscar Jeff Fowler concebe as habilidades de Sonic em tela com proeza e uma geografia clara para as perseguições, além de encontrar um meio-termo produtivo aos efeitos digitais – nem cartunescos e nem simplórios demais para criarem um desencaixe com as imagens live-action.

É uma pena que Fowler tenha espaço para orquestrar apenas um número limitado dessas situações frenéticas, já que todas apresentam tanto esmero e fluidez em sua execução. Porém o cineasta compensa os intervalos entre as grandes cenas de ação com uma condução confiante dos diálogos entre Sonic e Tom e o humor visual, como na briga de bar e a sequência de gags na casa da cunhada do policial, momentos que variam de efeitos mais sofisticados de câmera lenta a simples ideias de montagem.

Diga-se de passagem, o elenco ainda se mostra comprometido com o tom da obra, similar ao de uma animação da Hanna-Barbera. Evocando um pouco do trabalho de Roger Craig Smith, dublador mais famoso de Sonic nos Games, sem deixar de também apresentar algo próprio, Schwartz capta perfeitamente a essência jovial do ouriço. Marsden, por sua vez, está surpreendentemente charmoso, enquanto Tika Sumpter e Adam Pally têm bons momentos de entrega cômica na forma com que reagem aos absurdos que ocorrem.

Jim Carrey, por outro lado, está mais para uma versão elevada de si mesmo do que propriamente Eggman, que fica pouco desenvolvido além da função de Coiote para o Papa-Léguas de Sonic. Deixando isso de lado, contudo, Carrey entrega exatamente o que se espera dele neste momento avançado da carreira, fazendo de sua esquisitice um tempero para a maioria de suas cenas convencionais. Já vimos vilões como esse muitas outras vezes, mas vimos poucos nesta chave específica que o ator liga – sua dança maléfica ao som de Where Evil Grows é um dos ápices.

A esta altura das adaptações de games às telonas, pode-se sentir que a mera competência é o bastante quando o resultado não atinge os níveis abismais aos quais se está acostumado, e nisso Sonic: O Filme pode acabar celebrado como um dos melhores filmes de games feitos até então. Mas apesar da direção eficaz e elenco harmonizado com o tom do material, sente-se que algo ficou faltando para considerá-lo um sucesso de mão cheia, com um desfecho que se contenta rapidamente com ganchos e promessas para um possível segundo filme.

Enquanto o debate acerca de seu posicionamento dentro do panteão dos filmes de games deve durar alguns meses, uma coisa é certa: o longa do ouriço azul é como uma partida segura e razoavelmente turbinada, sem arriscar muitos truques mas também sem perder muitos de seus anéis no processo.



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